Charles Robert Darwin (12/02/1809 - 19/04/1882)


"As espécies, ao contrário da crença quase universal, não são estáticas e imutáveis, mas se modificam através de longos períodos de tempo, pela seleção natural, permanecendo vivo o mais apto."

Charles Darwin em 1840. Charles Darwin em 1854, 5 anos antes da publicação sobre a origem das espécies.

Quinto dos seis filhos de Susannah e Robert Darwin, nasceu na cidade de Shrewsbury, Inglaterra. Seu pai era um famoso médico, muito rígido com a família. Era um cuidadoso colecionador de minerais, conchas e principalmente selos.

Durante a adolescência começou a caçar e sua atenção foi concentrada nesta atividade com seus amigos. Seu pai, descontente com as atividades do filho, o enviou para a Universidade de Edimburgo estudar Medicina em 1825.

Entretanto, a experiência foi um fracasso, pois ele achava monótona as palestras e sentia repulsa em ver as operações...

Diante da desistência, seu pai o enviou para Cambridge para se preparar para o sacerdócio. Foi em Cambridge, com a amizade com o professor de Botânica, John Henslow, que despertou o verdadeiro interesse pela História Natural.

Em 1831, sua amizade com cientistas conceituados o leva a participar, como naturalista, de uma expedição no navio Beagle, promovida pela Marinha Inglesa para completar dados cartográficos. Durante cerca de cinco anos de viagem, obteve conhecimento da fauna, flora e geologia de vários lugares.

A Viagem do Beagle (1831-1836)

Ele visitou Tenerife, Ilhas Cabo Verde, Brasil, Montevidéo, Argentina (Tierra del Fuego, Buenos Aires, Valaparaiso), Chile, Tahiti, Nova Zelândia, Tasmânia e Ilhas Cocos (Keeling), na qual ele começou sua famosa teoria dos recifes de corais.

Também visitou as Ilhas Galápagos - arquipélago situado no oceano Pacífico e que faz parte do território do Equador. Abriga espécies raras de tartarugas gigantes, iguanas e pássaros. Foi estudando a fauna de Galápagos que Darwin elaborou a Teoria da Evolução das Espécies...

O Mapa da Viagem do Beagle

Beagle

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HMS Beagle, from an 1841 watercolour by Owen Stanley.

Finalmente, em 27/12/1831 o Beagle zarpou, fazendo a primeira parada em 16/01 nas Ilhas Cabo Verde, e depois Fernando de Noronha em 20/02 e chegou a Salvador em 29/02/1832.

Foi no Brasil que Darwin teve seu primeiro contato com a exuberante Floresta Tropical. Aportou no Rio de Janeiro em 05/04/1832, onde permaneceu, enquanto o Beagle voltou à Salvador para rever cálculos cartográficos, realizando uma série de coletas e observações.

Desenho antigo de Salvador, na época em que o navio Beagle visitou a Bahía.

Em 23 de julho de 1835 ancoraram em Valparaiso, no Chile, onde Darwin fez uma expedição aos Andes, e encontrou fósseis de conchas a mais de 1000 metros de altitude.

Em setembro de 1835, o Beagle chegou às Ilhas Galápagos, onde Darwin constatou a existência de espécies de árvores, tartarugas e aves diferentes em cada ilha.

Foi em Galápagos, que Darwin realmente passou a duvidar da imutabilidade das espécies, principalmente após as observações realizadas.

Alguns autores comentam que durante um jantar na casa do Governador de Galápagos, surgiram comentários sobre a possibilidade de reconhecer a procedência dos galápagos (cágados) a partir da forma casco.

Posteriormente, no navio, ao preparar os espécimes coletados para armazenamento e com a ajuda das anotações do Capitão Fitzroy verificou a variação existente entre os tentilhões em relação as diferentes ilhas do Arquipélago de Galápagos. Nas figuras abaixo repare na forma do casco dos cágados:

Ilhas Galápagos
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A Minuciosa Elaboração da Teoria

Darwin iniciou uma série de experimentos com plantas e animais visando desenvolver métodos para verificação de um mecanismo de transformação dos seres vivos.

Passou vinte anos estudando os dados coletados, para confirmar a ocorrência de variações nas espécies. A teoria chamada darwiniana é a que mais se adapta aos fatos observados, ao explicar a evolução pela seleção natural entre as espécies.

É proposta, simultaneamente e de modo independente, em 1858 pelos naturalistas britânicos CHARLES ROBERT DARWIN e ALFRED RUSSEL WALLACE.

Darwin consciente das implicações de seu trabalho sobre a tese da imutabilidade das espécies e preceitos religiosos, metódica e minuciosamente junta, durante mais de vinte anos, evidências para provar a transformação dos seres vivos, e com isso começa a escrever o livro "Natural Selection" (1856).


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Em 1858, recebe carta de Alfred Russel Wallace, um jovem naturalista que estava trabalhando no Arquipélago Malaio. Nesta carta, Wallace apresenta um esboço de suas observações no Arquipélago e solicita a opinião de Darwin.

Ao ler a carta, Darwin, relata em sua autobiografia, que ficou completamente surpreso e escreve ao seu amigo Lyell, dizendo "Ele (Wallace) não poderia ter feito melhor resumo do meu trabalho desenvolvido nestes últimos 22 anos..."
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ALFRED RUSSEL WALLACE (1823-1913)

Abaixo (lado esquerdo), foto de Wallace em 1853. Do lado direito, o naturalista Alfred Russel Wallace já com idade.

Naturalista inglês, evolucionista, geógrafo, antropólogo, crítico social e teorista, nasceu em 8/01/1823, na aldeia de Usk, em Monmouthshire, Inglaterra.

É um dos pais esquecidos da ciência moderna. Foi também "Co-inventor da teoria da Seleção Natural e a base do desenvolvimento da biogeografia".

Wallace pretendia demostrar que de fato a evolução ocorria. Ele focou o seu trabalho em dois pontos principais:

  1. o modo como a geografia limita ou facilita a extensão de uma espécie, e
  2. como uma estação ecológica parece influenciar uma forma de adaptações mais do que outras.

Em 1855, depois de muito pensar sobre as causas da evolução orgânica editou o texto "On the Law Which Has Regulated the Introduction of New Species", um trabalho teórico sobre a crença de Wallace na evolução, sendo um modelo entre a relação da biogeografia e a evolução orgânica.

Em 1858, enquanto se recuperava de um ataque de malária, contatou com as idéias de Malthus sobre os limites de crescimento das populações através de um mecanismo que poderia assegurar a longo prazo a evolução orgânica: os indivíduos que estivessem melhor adaptados ao seu ambiente tinham mais chances de sobreviver resultando numa diferente passagem de características à descendência.

Excitado com esta descoberta escreveu "On the Tendency of Varieties to Depart Indefinitely From the Original Type" e enviou-o para Darwin pedindo-lhe a sua opinião. Apesar de o ter descrito, Wallace nunca usou o termo "seleção natural".

Embora ambos tenham chegado à mesma teoria independentemente, Wallace não concordava com Darwin na aplicação da seleção natural ao Homem.

Darwin via os humanos como organismos altamente evoluídos; Wallace acreditava que a mente humana era inspirada em qualquer coisa fora da evolução e que o espírito humano podia continuar o seu progresso depois da morte.

Mesmo assim resolvem publicar conjuntamente a Teoria. Em 01/07/1858, aconteceu a apresentação conjunta de Darwin e Wallace sobre a Teoria na Sociedade Lineana de Londres.
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Henry Walter Bates (1825-1892)
"The Naturalist on the River Amazons"
London: John Murray, 1863. 2 vols.

The Englishman Henry W. Bates, fascinated by entomology since childhood, traveled with naturalist Alfred Russel Wallace to Brazil in 1848.

He stayed for 11 years, collecting butterflies and other insects in the Amazon rain forest. Despite ill health and unimaginable difficulties, he collected specimens of more than 10.000 animal species, 8.000 of which were new to Western science.

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"On the Origin of Species"
London: John Murray (1859)

"A Origem das Espécies"

Em 1859, publicou o livro "A Origem das Espécies", em que explica os princípios do evolucionismo e da Seleção Natural.

Em 1871, provoca polêmica com a Igreja ao publicar a obra "A Descendência do Homem", em que expõe sua teoria de que o ser humano descende do macaco.

Com ela, Darwin nega a história da criação como está descrita no Gêneses...

Os conservadores também protestam contra a teoria, por se recusar a admitir que os ancestrais da espécie humana sejam animais. Publicou também a biografia de Erasmus Darwin (1879).

Sem conhecer as pesquisas de Mendel, Darwin morre em Down e, por solicitação do Parlamento britânico é enterrado na abadia de Westminster.

O avô de Charles Darwin, Erasmus Darwin (1731-1802), publicou um tratado, no fim do século XVIII, no qual afirmava a crença na evolução das espécies. Tal obra apresentava idéias evolucionistas precursoras de Lamarck.

Não formulou, porém, qualquer hipótese sobre a natureza dessa evolução. Médico e filósofo, publicou o livro Zoonomia ou Leis da vida orgânica (1794-1796) onde assinalou que a variação do ambiente provoca uma resposta do organismo (estrutura de um órgão).

Portanto os animais se transformavam pelo hábito provocado pelas necessidades. Em suma, ele acreditava na herança de caracteres adquiridos, e com essa crença produziu o que decerto era uma emergente teoria de evolução, embora ainda deixasse muitas questões sem resposta...

Caricatura de Darwin como um macaco na revista Hornet (lado esquerdo). Clássica imagem de Darwin (lado direito). Seu avô Erasmus Darwin (centro).

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O processo evolutivo proposto por Darwin:

O ponto positivo do Darwinismo é a existência da seleção natural como fator orientador da evolução, entretanto sua falha é a não explicação da origem das variações naturais, sobre as quais atua a seleção natural. A natureza das variações só foi explicada pela Genética no início do século XX.
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O DARWINISMO

Os ancestrais das girafas, de acordo com o documentário fóssil, tinham pescoço mais curto. O comprimento do pescoço variava entre os indivíduos das antigas populações de girafas. Essa variação era de natureza hereditária.

Indivíduos com pescoço mais longo alcançavam o alimento dos ramos mais altos das árvores. Por isso, tinham mais chance de sobreviver e deixar descendentes.

A seleção natural, privilegiando os indivíduos de pescoço mais comprido durante milhares de gerações, é responsável pelo pescoço longo das girafas atuais.

Em uma explicação mais detalhada da "Seleção Natural", note que esse processo pressupõe a existência de variabilidade entre organismos de uma mesma espécie (variabilidade entre as girafas).

As mutações e a recombinação gênica são as duas importantes fontes de variabilidade. Essa variabilidade pode permitir que os indivíduos se adaptem ao ambiente.

É obvio que a mortalidade seria maior entre os indivíduos menos adaptados ao meio, pelo processo de escolha ou "seleção natural" – uma escolha efetuada pelo meio ambiente. Restando apenas as girafas que melhor se adaptaram ao ambiente.

O tamanho do pescoço dos ancestrais da girafa variava. Alguns eram compridos e outros, mais curtos. Os animais de pescoço longo alcançavam as folhas mais altas das árvores e levavam vantagem para se alimentar.

Por isso, tinham mais chances de sobreviver. Com o tempo, os animais de pescoço curto desaparecem e só sobraram as girafas de pescoço longo, do jeito que conhecemos hoje.

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Última atualização: 19/12/2006.
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