Qualquer coleção resulta do trabalho, às vezes árduo, entretanto muito prazeroso, de reunir um conjunto de objetos da mesma natureza. Geralmente, esse trabalho dura a vida inteira de uma pessoa. Torna-se uma particularidade do indivíduo.
O hábito de colecionar vem de agregar novas peças à coleção, seja pelo colecionador, seus familiares e amigos, ou seja pela milenar forma de comércio – a troca – que através de contatos pessoais ou atualmente “virtuais”, impulsiona os mais variados tipos de coleções.
No tipo de coleção MINIATURISMO, podemos conhecer um mundo de coisas pequenas, as quais contribuem para que a pessoa seja mais observadora em sua forma de ser. Na temática de hoje, falaremos sobre uma coleção de GIRAFAS.
Talvez, seja o exotismo do animal ou ainda o paradoxo existente nessa coleção que desperta nossa atenção, pois há um universo de objetos pequenos ou não representando o animal mais alto do planeta.
POR QUE GIRAFAS?
É fato que gosto não se discute, cada um tem o seu. No caso presente, são muitos os motivos que me levaram a ter a minha coleção temática especializada em girafas.
Enumero algumas razões disso: a beleza nata e sem igual da sua pele, a elegância no caminhar do animal, na opinião geral as pessoas acham a girafa exótica e diferente, motivos que também explicam a dificuldade em encontrar novos exemplares.
Sakall tem a impressão de que a altura desse animal representa uma ambição construtiva. Geralmente, as crianças gostam muito das girafas e isso conforta-o.
Acredita que, agindo com caráter lúdico, como uma brincadeira em relação a coleção, provoca e desperta a curiosidade e o interesse das pessoas.
No caso presente isso pode acontecer com qualquer pessoa ou com qualquer tipo de animal. Neste caso uso a minha coleção como exemplo, mas nada impede que ela seja de patos, gatos, cachorros ou qualquer outro bicho.
EDUCAÇÃO ATRAVÉS DAS GIRAFAS
Embora exista um grande valor econômico em todas as coleções, não há como estimar a importância afetiva e educacional intrínseca em muitas delas.
Essa coleção de girafas é uma fonte de informações importante para o enriquecimento e crescimento intelectual, seja pessoal ou dos interessados, pois em qualquer coleção temática é contada uma história sobre o assunto escolhido.
Tal escolha faz com que o colecionador amplie seus horizontes intelectuais, culturais e geográficos, entre outros. Também se descobrem formas interessantes de agregar peças que dêem maior amplitude para a coleção, pois a aquisição de objetos por tema, com o passar do tempo, faz com que novos tópicos a modifiquem de forma constante e progressiva.
Neste exemplo, aprende-se sobre a origem das girafas atuais, cerca de 10 milhões de anos atrás, e quase tudo sobre a sua história. Na arte rupestre, encontramos desenhos de girafas na França, Espanha e África.
Da mesma forma, descobrimos que o animal foi levado pela primeira vez a Roma, antes de Cristo, onde a descreveram: "tão grande como um camelo e com manchas como um leopardo". Por estas razões, "camelo-leopardo" foi o nome que os gregos deram à girafa.
Depois, na etimologia, descobrimos que a palavra girafa provém de povos árabes. Os primeiros registos escritos descrevem a girafa como "um animal de aspecto magnífico, de forma bizarra, com andar único, altura colossal e de caráter inofensivo".
Desconhecida fora do continente africano, despertava de tal modo a curiosidade, que era por vezes enviada para outros países como presente diplomático. Uma das primeiras referências fala de uma girafa vinda de "Melinda" (presumivelmente Malindi), no Quênia, para a China, em 1415.
Darwin enunciou a sua teoria sobre a evolução das espécies. Desde então, existem livros e mais livros que discutem o tema. Há um outro livro interessantíssimo: "A View from the Zoo", em que Gary Richmond traça paralelos entre o comportamento animal e humano. Em uma de suas mais agudas observações, está a descrição do processo de nascimento de uma girafa.
A coleção de girafas desperta o aprendizado pela zoobiologia (ciência que trata da vida animal), zooética (tratado sobre os costumes dos animais), também sobre a anatomia das girafas, classificação científica, regime alimentar, distribuição geográfica, maturidade sexual, época de reprodução, gestação e tudo sobre os seus filhotes; onde são protegidas da caça, quais os zoológicos do mundo que as têm, entre outros.
Tudo isso é um prato cheio para os zoófilos (quem gosta ou é amigo dos animais), ou ainda uma boa explicação para aqueles que sofrem de zoofobia (medo de animais), pois não há motivos para se ter medo das girafas, elas são de índole pacífica e inofensivas. Aprende-se quem são os amigos ou os inimigos das girafas.
A quase infinita relação delas com o homem, ora em adornos, estátuas ou utensílios, ora em produtos educativos e, sobretudo, no vasto campo das artes.
Na sétima arte, temos a película "O NOIVO DA GIRAFA", encenado por Mazzaropi, por exemplo. Na arte literária temos poesias e vários livros intitulados com o nome desse singular ruminante.
Seja na arte gráfica ou na publicitária, podemos conferir outras coleções de girafa dentro da própria coleção. Aliás, na coleção de Sakall, há várias peças de Kinder Ovo compreendendo outra coleção.
Assim como em filatelia vemos selos de Angola, Camarões, Cuba, Etiópia, Hungria, Laos, Libéria, Moçambique, Quênia, Tânzania. Na telecartofilia podemos conferir vários cartões do Brasil e Japão. Um acervo fotográfico de girafas dos zoológicos pelo mundo também faz parte dessa coleção.
Na arte folclórica podemos ver uma peça de madeira revestida de miçangas coloridas representando a forma como as mulheres de uma certa tribo africana se vestem. Ou ainda como as mulheres-girafas da Tailândia.
Como o leitor pode notar, seja qual for o seu tema escolhido, faz necessário que a pesquisa temática sobre todo o assunto seja esgotada.
Na realidade o colecionador sempre deve se especializar no assunto que coleciona, visando dominar a cultura geral sobre o assunto e assim ampliar a sua coleção tendo por base estes estudos.
PARTICULARIDADE
Acreditam que nessa coleção há dados sobre uma constelação chamada Girafa? Fica em volta do pólo celeste Norte e é visível entre as latitudes 90°N e 10°S. Tal constelação recebeu este nome em honra da girafa, em 1624 por Jacob Bartsch.
Enfim, a minha coleção é composta por mais de 500 peças, de diversos materiais, como bronze, cera, cerâmica, chifre de boi, couro, cristal, estanho, ferro, fibra de vidro, isopor, madeira, murano, osso de camelo, ovo de avestruz, papel, pedra, porcelana, prata, resina, vidro, entre outros, tendo adquirido exemplares em vários países, como África do Sul, Alemanha, Argentina, Chile, Egito, Espanha, França, Holanda e Peru, assim como de várias regiões do Brasil.
Geralmente, ganha muitas peças de parentes e amigos, pois todos quando encontram alguma girafa ou alguma coisa relacionada a elas, lembram-se dele, portanto, de sua coleção.
Apenas para servir de roteiro, na minha coleção temática ou por assunto, relacionado às girafas podemos destacar diversos itens para compor uma coleção.
A relação abaixo não esgota o assunto, mas já serve de início para que todo colecionador possa fazer as suas buscas e ampliar a sua coleção.
1) O que o homem usa, utensílios ou adornos, como brincos, broches, relógios, camisetas, camisinhas, rolhas, talheres, álbum, calendário, chaveiro, saleiro, caneca, copo, porta jóia, cofrinho, castiçal, velas, escova de cabelo, porta retrato, incensório, paliteiro, porta caneta, porta carta, porta chave, porta guardanapos.
2) imã de geladeira – há inúmeros.
3) em arte gráfica – gravuras, desenhos, posters, postais, etc.
4) em arte folclórica – tribo indígina da África, típico artesanato do nosso nordeste
5) em arte literária – há várias poesias e livros infantis ou não.
6) em artistas plásticos – gente que fez peças para a minha coleção – são vários tipos.
7) em brinquedos educativos tenho várias peças – carimbos, quebra-cabeça, fantoches, etc.
8) bichos de pelúcia e bonecos.
9) imagens digitais.
10) kinder ovo – tenho umas 15 peças.
11) selos, cédulas e moedas.
12) cartões telefônicos.
13) fotografias.
Última atualização: 03/2003. |