“CACARECO”

Classificação científica:

Reino – Animal (Animalia)
Filo – Cordado (Chordata)
Classe – Mamífero placentário (Mammalia)
► Ordem – Perissodáctilo (Perissodactyla)
► Família – Rinocerotídeo (Rhinocerotidae)
► Espécie – Rinoceronte-africano-negro
► Nome científico – Diceros bicornis
► Distribuição geográfica – África
► Hábitat – Savanas e estepes
► Hábitos alimentares – Herbívoro

Observação:

Na “Ordem” é que a girafa se separa do rinoceronte, pois as girafas são artiodáctilos, ungulados, mamíferos com número par de dedos, os quais são providos de cascos. Já os rinocerontes são perissodáctilos, mamíferos em que o número de dedos funcionais se reduz a três ou a um, ou seja, com número ímpar de dedos. Eles têm 3 dedos em cada pata e andam apoiando o corpo sobretudo no dedo maior (dedo do meio).

Apesar de tão duro e tão perigoso para os inimigos, o chifre de rinoceronte é feito de pelos juntinhos e colados; já na girafa o corno é de osso...

Ficha técnica:

► Nome – “Cacareco”
► Sexo – fêmea
► Tamanho/Peso – 900 kg (segundo a “Folha da Manhã” de 16/02/1958)
► “Cútis” – paquiderme (de pele espessa, grossa) negra
► Nome do pai – “Britador”
► Nome da mãe – “Terezinha”
► Irmã mais nova – “Patachoca” ou “Pata-Choca” (terceiro filhote de Teresinha e Britador, nasceu em 1959)
► Data de nascimento – meados dos anos 50, talvez 1955?
► Local de nascimento – Rio de Janeiro (RJ) – Brasil
► Endereço principal – Jardim Zoológico do Rio de Janeiro
► Endereço temporário – Jardim Zoológico de São Paulo
► Filhos – sem descendetes, pois não alcançou 10 anos de idade...?

Informação:

A fêmea de rinoceronte-negro, chamada erroneamente de “Cacareco”, embarcou rumo à cidade de São Paulo no dia 13/02/1958, para a inauguração do Zoológico ocorrida em 16/03/1958.

Ela voltou “às pressas” e “por forças ocultas” para a cidade do Rio de Janeiro no dia 01/10/1959, por causa das eleições do domingo seguinte, no dia 04/10/1959...

Biografia e Currículo:

► Estilo de vida – “playboy”
► Hobby – comer e dormir
► Lazer/Esporte – não fazer nada
► Viagens – duas (2), ida e volta de caminhão na “ponte-terrestre” entre RJ e SP
► Qualidades – carisma e simpatia
► Defeitos – mudez e não enxergar direito
► Companheiro – elefante-asiático, vizinho de cela
► Um sonho – a África...
► Um amor – rinoceronte-africano-negro macho, talvez uma “Cacareca”
► Partido político – “PC – Partido Cacareco”
► Cabo eleitoral – Itaboraí Martins e seus colegas, jornalista do Estado de S. Paulo, na época
► Slogans – “Cacareco para Vereador” e “Vereador por São Paulo”
► Cargo – Vereador
► Vagas – 45 cadeiras na Câmara Munipal de São Paulo
► Candidatos – 540
► Número de votos obtidos – entre 90 a 100 mil votos, aproximadamente
► Região eleitoral com maior número de votos – Osasco (ainda um bairro da cidade, na época; emancipado em 1962)
► Carreira – curta, porém considerada um fenômeno político

Abaixo, peça em cerâmica adquirida em 26/06/05, na Feira do MASP – São Paulo. Ela “testemunha” essa história verídica sobre um rinoceronte que acabou sendo o animal mais votado para Vereador em São Paulo...

By Katia Yamada (10/07/2005).
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Excelentíssimo Rinoceronte

Quando Cacareco, um rinoceronte simpático e boa-praça, veio por empréstimo do Rio de Janeiro para participar da inauguração do Zoológico de São Paulo, em março de 1958, mal sabia que iria se tornar símbolo de protesto do eleitorado paulistano.

Filho de Britador e Teresinha, o paquiderme bonachão recebeu esse nome porque era feio e desengonçado quando filhote. Cacareco, na verdade, era fêmea e tinha dois chifres – seu problema de identidade sexual nunca foi plenamente resolvido.

A princípio, a passagem do rinoceronte pela capital paulista seria breve. Mas ele foi ficando. O presidente do zoológico na época, Emílio Varolli, alegava que ele “estava se dando muito bem em São Paulo”. Carismático, logo se tornou querido pela população.

Em 4 de outubro de 1959, 540 candidatos disputavam as 45 vagas para vereador em São Paulo. Alguns eram prá lá de esquisitos. Um pesava 230 kg e ostentava o slogan: “O candidato que vale quanto pesa”.

Outro passeava por aí com uma onça: “Eleitor inteligente vota no amigo da onça”, dizia. O partido PRT instalou uma roleta no Viaduto do Chá com os nomes de seus 45 candidatos e o cartaz: “Basta girar a roda da sorte; todos merecem seu voto”.

Por essas e outras, a eleição se transformou em algo caricato. Foi então que Itaboraí Martins, na época jornalista do Estado de S. Paulo e da Rádio Eldorado, desiludido com a baixa qualidade dos nomes à vereança, comentou entre os amigos jornalistas que votaria em Cacareco.

A brincadeira foi levada a sério. Itaboraí e seus colegas saíram pichando a cidade: “Cacareco para vereador”. E logo o paquiderme caiu nas graças da mídia e saltou aos olhos dos eleitorados.

Entretanto, três dias antes da eleição, armaram contra a mais inusitada revelação do cenário político. Cacareco seria “exilado”: embarcaram-no num caminhão que o levaria de volta ao Rio de Janeiro. Na partida, um rio de gente deu adeus àquele que seria o maior nome do pleito municipal.

Nas urnas, ele recebeu um quinhão considerável dos votos. Não se sabe o número exato – por terem sido anulados, os votos de protesto eram deixados de fora das estatísticas oficiais.

Mas, de acordo com testemunhos de quem acompanhou as apurações e com base nos cálculos feitos por jornalistas, o animal recebeu o apoio de cerca de 90 mil cidadãos votantes.

Com tudo isso, seria possível um partido eleger quase uma dezena de vereadores à Câmara. O paquiderme recebeu votos até em outros municípios paulistas.

O episódio ganhou destaque na Revista Time, que transcreveu a opinião de um eleitor: “É melhor eleger um rinoceronte do que um asno”.

Um rinoceronte-preto-africano – como era classificado Cacareco – vive em média 45 anos, se mantido em seu hábitat. Porém, o “quase-vereador” morreu alguns anos depois de ter alcançado o estrelato.

Nem sequer completou dez anos de vida. Talvez, desiludiu-se com a carreira pública, que prometia. E Cacareco, é bom registrar, nunca prometeu nada.

Fonte: Todo texto acima é de Ricardo Arcon. Fotos: O Globo. Matéria extraída da revista Universo Animal (especial da revista Super Interessante), página 57, seção Animais Famosos. Recebido de Seme, em 29/03/05.


Abaixo (lado esquerdo), capa do livro “Cacareco, o vereador”, do autor Antonio F. Costella, publicado pela Editora Mantiqueira.

“O Rinoceronte” – ISBN: 8508043317, autor: Frans Hopp
Editora: Ática / Coleção: Estrela-D'Alva / Ano: 1993 Edição: 2
Nº de páginas: 16 / Medidas: 16,5x21,5
Observações: Descreve, além da vida de Cacareco, o animal em si, seus hábitos e seu ambiente – a savana africana.

“Cacareco – O Mais Votado”, autor: João Bergman (Jotabê)
Editora: Tchê! Comunicações, RS / Ano: 1985
Nº de páginas: 120 / Medidas: 14 x 21 / Encadernação: Brochura
Ilustração: Canini, Juska e Sampaio, Desenhos em p&b.
Observações: Textos introdutórios de Zeca Sampaio e Mario Goulart. Inclui notas de pé da página e dados biográficos do autor. Comentário de Ernani Só nas orelhas da capa. Assuntos abordados na obra: Literatura: Crônicas. Humor. Rio Grande do Sul.

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“O Cruzeiro” on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva (http://www.memoriaviva.digi.com.br/)

Do Bureau de “O Cruzeiro”, em São Paulo
Ano XXXII – N°2 – 24 de outubro de 1959 / Cr$ 15,00
Peso: 0,350kg Aprox. / Dimensão: 25,0 x 35,0 x 0,5 cm.
Fonte (http://www.memoriaviva.com.br/)
Exemplar adquirido em 11/08.

• Desaba um mar de lama sôbre um inocente: de novo na justiça o processo do Crime do Sacopã (4/16)
• Caça ao rinoceronte e o búfalo negro, por Geraldo Junqueira de Oliveira, extraído de um diário de caça. Reportagem oferecida por Kirongozi (África) Ltda. São Paulo: Rua Sete de Abril, 342 10º andar. Rio de Janeiro: Avenida Copacabana, 664, ap. 31. Jorge Alves de Lima Filho e Stan Lawrence Brow que há muitos anos se dedicam à caça no continente negro e que, atualmente, através dessa emprêsa, única existente no Brasil, empreendem a grande tarefa de possibilitar a todos os desportistas brasileiros as emoções de uma caçada de leões, búfalos, elefantes, rinocerontes etc., com o máximo confôrto e segurança. (18/22 e 26H)
• Zé Carlos “adotou” Pelé: sobre o soldado nº 203, Pelé, nº 10 na seleção campeã, com seu sobrinho (24/26B)
• Sangue novo para oeste, por João Martins, sobre a Sra. Maria da Penha Carioba, madrinha do edifício Goianazes, onde passou a funcionar a “Folha de Goiaz”, com presença do governador de Goiás, senhor José Feliciano Ferreira, e o embaixador Assis Chateaubriand. Em Brasília, a pedra fundamental do “Correio Brasiliense”, jornal pioneiro na futura capital, com presença do presidente Kubitschek e sua esposa, D. Sara, senhor Israel Pinheiro, presidente da NOVACAP (26D/26G)
• O Pif-Paf, por Emmanuel Vão Gôgo – humor. E depois de ler um livro sôbre Evolução, o funcionário do Jardim Zoológico olhou para o macaco e refletiu: “Por acaso eu sou o guarda do meu irmão?”, (28/29)
• Vana Verba, a luz pequenina, por Austregésilo de Athayde (30)
• Um homem de ação, novela de Marjorie Stace (32/42)
• Batalha contra a paralisia, por Rinaldo de Lamare: vacina Salk foi o primeiro caminho decisivo encontrado pela ciência na luta contra a poliomielite, Jonas Salk – nome que ficou imortal, Alberto Sabin – caçador de micróbio (44/45)
• Françoise Sagan (escritora francesa): bonjour continua triste, por Afrânio Brasil Soares, do Bureau de O Cruzeiro em Paris (48/50)
• No jardim dos sábios, política internacional, por Theophilo de Andrade (60)
• Os órfãos de pais vivos (62/69)
• O derradeiro inconfidente, segredos e revelações da história do Brasil, por Gustavo Barroso (71)
• Os E.U.A. deveriam dar o primeiro golpe, por Drew Pearson (74)
• O Amigo da onça, por Péricles – humor (75)
• Tratamento para os cabelos louros, por Elza Marzullo (76/77)
• Sardinhas frescas, por Thereza de Paula Penna (80/83)
• Tudo em estampas – moda, por Alceu Penna (84/86)
• Realidade e fantasia, da mulher para a mulher, por Maria Teresa (88/89)
• Tratado de Roboré: um fato consumado, por Alceu Pereira, sobre a cerimônia da assinatura no Palácio do Govêrno, em La Paz, e mapa da excepcional área da Petrobol concedida ao Brasil pela Bolívia (92/95)
• Carlos Estêvão apresenta: perguntas inocentes – humor (97)
• Alcoólicos Anônimos, texto de Mário de Moraes e fotos de Walter Luiz (98/104)
• Nelson Hungria comanda uma cruzada: Chessman não deve morrer (106/107)
• Personagens sem autor, por Benjamin Soares Cabello (108)
• UDN do nordeste integra-se no movimento de Jânio (110/113)
• Fabricante de gravatas ganha prêmio na Bienal, por Audálio Dantas e Neil Ferreira (116/121)
• O homem e suas obras, por Rachel de Queiroz – Última Página (122)

• Cacareco é agora excelência, texto de Neil Ferreira, fotos de George Torok (páginas 54/55)

Cacareco, um pacato rinoceronte, virou candidato de um bairro paulista que cresceu demais: Osasco. A história de uma autonomia (negada) e as 100.000 células para vereador.

Dos 540 candidatos que “ofereceram suas vidas em holocausto ao bem-estar público” concorrendo às 45 cadeiras da Câmara Munipal de São Paulo, somente um – Cacareco – conseguiu empolgar, de maneira espetacularmente inédita o eleitorado paulistano.

Sem prometer nada (ele não pode prometer: não sabe nem falar), sem partido politíco definido – sua legenda poderia ser objeto de confusões: PC (Partido do Cacareco) e alguém ainda acabaria sem visto de saída para países da banda de cá do mundo – enfim, com sua candidatura lançada somente alguns dias antes do pleito, sua eleição está garantida.

A soma de seus votos é um recorde nas eleições municipais de São Paulo, pois Cacareco, sozinho, totaliza muito mais do que a legenda mais poderosa.

A média do seu eleitorado mantém-se firme, com 20 a 30 votos por urna, em todos os bairros, do mais pobre ao mais rico. Aliás, o fenômeno político encarnado por Cacareco é algo que somente poderia ser explicado por algum sujeito muito entendido em dialética: sua candidatura ganhou corpo no seio da massa, de maneira espontânea, conquistou o restinho da classe média que ainda não morreu de fome e atingiu as mais altas camadas da burguesia.

Ainda assim, tudo foi tentado contra ele: as “forças ocultas que tentam combater as correntes populares” investiram, pelos jornais, rádios e TV, numa campanha ruidosa, com o objetivo precípuo de evitar o ingresso do “elemento perigoso ao regime” na versão paulista da Gaiola de Ouro.

Tal campanha ficou sem resposta. Cacareco não tinha acesso às fontes de divulgação. Em compensação, ele também não se aborreceu: continuou sua vidinha de “playboy” pobre (o tal que não joga damas de nenhum andar, mas come e dorme e não faz nada).

O seu comitê eleitoral continuou funcionando no Jardim Zoológico de São Paulo, e Cacareco somente se desnorteou quando um dos seus mais ferrenhos oponentes dedicou todo um editorial à sua candidatura, no jornal mais conservador da capital paulista.*

Depois Cacareco se zangou quando foi intentada (e conseguida) uma solução extralegal e antidemocrática para sua candidatura: na altura dos acontecimentos em que eleitor do Cacareco se portava como torcedor do Santos F. C. – peito estufado e ar de “já ganhou” – as “forças ocultas” conseguiram que o candidato popular fôsse “exilado”, dois dias antes da eleição, para o Rio de Janeiro.

O “golpe” consumou-se na calada da noite, mas a coisa não foi tão calada assim: sem mais aquela, enfiaram-no num caminhão. Aí, sim, ele se danou. Ficou perigoso. Não só para o regime, mas (e principalmente) para quem estava por perto. Mas o “Povo” e as “Classes Oprimidas” foram magnificamente à forra e concederam, aproximadamente, cem mil votos a Cacareco.

Esse movimento orginal surgiu, agora se sabe, num bairro dos mais populosos de São Paulo: Osasco. Esse bairro crescera e desejava agora a sua autonomia. Um típico caso de gigantismo. Houve um legítimo movimento em prol da emancipação de Osasco. Com a proximidade das eleições paulistas, já subiam a 300 os candidatos do famoso bairro.

Acontece que o Supremo Tribunal repudiou as pretensões dos cidadãos de Osasco. Daí a reação original: 100 mil cédulas foram impressas e tôdas com o nome do popular “Cacareco”, como candidato. Afirma-se agora que o movimento da gente de Osasco atingiu outras ruas e outros bairros. Virou candidatura nacional. Com isso, Cacareco virou “excelência”.

Pode ser que ele não chegue a tomar posse, mas se transformou no vereador que mais come (sem aspas) no mundo. E quando Cacareco voltar do “exílio”, o PC (Partico do Cacareco, repetimos) “terá reservada para êle não uma simples vereança, mas uma cadeira de deputado”.

Nota: * editorial do jornal mais conservador paulista, será O Estadão? (pesquisar)

A foto do lado esquerdo é de George Torok, da revista “O Cruzeiro”. Já a foto do lado direito é do site do Zoológico de São Paulo.

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Do Bureau de “O Cruzeiro”, em São Paulo
Ano XXXII – N°3 – 31 de outubro de 1959 / Cr$ 15,00
Peso: 0,350kg Aprox. / Dimensão: 25,0 x 35,0 x 0,5 cm.
Fonte (http://www.memoriaviva.com.br/)
Exemplar adquirido em 11/08.

• Detector de mentiras inocentou Bandeira: Crime do Sacopã (4/14)
• O eunuco dos verdes mares – o repórter David Nasser escreve ao presidente JK sobre um porta-aviões, o qual chamou de “Cacareco” flutuante (16/17)
• Revelado o segrêdo da Barra da Tijuca: reportagem de João Martins sobre cinco fotografias tiradas por Ed Keffel em 7/5/1952 que retratam um “disco voador” (20/24)
• Balanço da reunião e Homens e fatos, por Benjamin Soares Cabello (25/64)
• O Pif-Paf, por Emmanuel Vão Gôgo – humor (28/29)
• Lin Yutang (escritor chinês), por Austregésilo de Athayde (30)
• Miss Ann: novela de Ronald Sercombe (32/35)
• O pioneiro da aerostação militar no Brasil, por Gustavo Barroso (43)
• O eletorado britânico e o partido conservador, política internacional, por Theophilo de Andrade (44)
• Brasil tomou conta da Mancha: sobre o campeão Abílio Couto que realizou a travessia do Canal da Mancha (46/50)
• Sábio condenado à morte: sobre a doença de Chagas, o mal transmitido pelo inseto “barbeiro” (52/56)
• A Casa Branca espicaça Krutchev, por Drew Pearson (58)
• Carlos Estêvão apresenta: perguntas inocentes – humor (63)
• Vera Regina: de forno e ribalta, reportagem de capa de Antônio Ruddge sobre a vedete mineira que passou de “expert” de forno e fogão à “estrela”, parceira de Grande Otelo (66/69)
• Trajo, trópico e antiimperialismo, por Gilberto Freyre (70)
• Pressão materna, da mulher para a mulher, por Maria Teresa (72/73)
• Os caminhos da nova moda toma rumos inquietantes, por Alceu Penna (82/84)
• França tem um novo ídolo: Pascale Audret, vedete que saiu do Teatro de Montparnasse para a celebridade do cinema (86/88)
• A festa da Bruxa, Halloween vigília de Todos os Santos, por Thereza de Paula Penna (90/93)
• O Amigo da onça, por Péricles – humor (94)
• Soma Kalon método de construção do corpo, por Elza Marzullo (96/97)
• Beleza alemã em Iracema, sobre a atriz Elga Andersen que protagonizou o filme “Bandeirantes”, de Marcel Camus, com o galã francês Raymond Loyer (100/102)
• Juraci poderá revolucionar a sucessão: página 110 com “charge” de APPE, cujo desenho mostra “Cacareco” em frente a seis políticos que foram retratados de forma espantosa, entre eles o ex-governador de São Paulo e então deputado Jânio Quadros, para as eleções de outubro de 1960 (108/111)
• Passarela no diário dos brotinhos (114/117)

• Três assuntos cariocas: O BANCO, AS CORES, O BICHO, por Rachel de Queiroz – Última Página (118)
O BICHO (Nota: Texto de Rachel de Queiroz mantido exatamente como na revista)

Outro escândalo público (vai como carioca porque afinal de contas Cacareco é nosso) é a eleição de rinoceronte para vereador paulistano, e, segundo parece, o mais votado entre todos os candidatos. É que o Tribunal Eleitoral está sonegando ao público o número de votos, no que deve ter razão, pois Cacareco não obtivera em tempo hábil a sua inscrição regulamentar.

Mas, em paga aos cento e tantos mil sufrágios recebidos, já que não deixam Cacareco exercer o mandato, podiam pelo menos, como prêmio de consolação, fazer a sua inscrição “ex officio” na lista dos bichos do jôgo: quer aumentando os números da loteria zoológica para 26, ou, caso essa alteração perturbe a complexa matemática das dezenas, centenas e milhares, – retirar da lista dos vinte e cinco algum bicho indevido. A vaca, (25) por exemplo, que além de já ter o cabeça do casal que é touro (21) é hoje, neste País, animal pràticamente extinto. Pelo menos nos açougues.

Mas o que me irrita, especialmente neste caso da eleição de Cacareco, é a ignorância ou má-fé dos noticiaristas, que teimam em falar em Cacareco como se fôsse do gênero masculino. Cacareco, senhores, não é êle, é ela, não é homem, é mulher. Chama-se Cacareco por acaso de batismo, que acontece a muita gente. Eu mesma tive uma prima chamada Dido, e todos conhecem o jogador de futebol por nome Dida. Coisas. E assim, embora a má-vontade masculina tente esconder êsse fato relevante, fiquem todos sabendo que a eleição de Cacareco, além da suas implicações sociológicas e políticas, tem uma facêta que deve ser ressaltada acima de tôdas: representa mais uma vitória do feminismo.
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Almanaques “Cacareco e outros bichos”, Fevereiro/1974, da Taika HQ... Do lado esquerdo da tela gibi, nº 6 – Editora Continental, a revista está em ótimo estado e aparenta ser uma reedição ou cópia muito bem feita, ainda possui na capa um carimbo da editora... Do lado direito, exemplar “Confusão no Zoológico”...

Histórias: Cacareco, Teodoro e Orelhinhas, Pena e Pesado, Tique e Taque, Reco, Magriço, A Família Encrencada, Bigode e Montanha. Obs. capa com etiqueta do colecionador; fita mágica na parte interna da capa e em 3 pequenos pontos na lombada; pequeno ponto de fita mágica na 3ª, 4ª páginas e contra-capa (parte inferior, extremo direito).

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17/02/2008: “Folha de S.Paulo”, seção Cotidiano (Leia mais textos históricos: http://almanaque.folha.com.br), Há 50 anos do banco de dados com foto do Cacareco no Zoológico do Rio horas antes de embarcar para SP (Acervo UH – 13/02/1958 – “Folha Imagem”) e trecho da matéria “Rinoceronte Cacareco chega a São Paulo”: O rinoceronte Cacareco, 4, encontra-se desde ontem em São Paulo, hóspede do Zoológico da Água Funda, que deve ser inaugurado em poucos dias. O animal, de 900 kg, pertence ao Jardim Zoológico do Rio de Janeiro e deve ficar na cidade durante três meses. A viagem de Cacareco durou 48 horas e foi acompanhada pelo tratador do animal, Pacífico Soares, que é também grande amigo do bicho. O rinoceronte é o primeiro espécime nascido no Brasil, filho de Terezinha e Britador, e irmão de Patachoca. (“Folha da Manhã”, 16/02/1958)

17/02/08 (Bueno): Você disse que tem fotos do zoo do Rio, tem a foto da “Terezinha” e a “Pata Choca” ao pé? No Zoo do Rio vendia-se um postal da Therezinha junto com a Pata Choca recem nascida, não encontro para comprar. Tenho guardado esta poesia há tempo. É uma sátira quanto a eleição da “Cacareco” para vereador de São Paulo. Por poucos votos não foi anulado o pleito.

A Margem da Eleição de “Cacareco”, by Heitor P. Fróes

Alvoroça o Brasil, neste momento,
Episódio dos mais extraordinários
diferindo, no entanto, os comentários
que dão notícia do acontecimento.

Se “Incitatus” subiu a Senador
– façanha insuperável que fez eco;
se o “Cheiroso” foi quase vereador...
porque negar o voto a “Cacareco”?

Dos que se extremam contra a preferência
não me parece justa a indignação;
afinal, uma nova experiência
é indício de pujança da Nação!

Muita gente sustenta, com cinismo,
que a grande votação evidencia
uma vitória a mais do “feminismo”,
e, ao mesmo tempo, da democracia...

Mas para mim o fato estranho encerra
ma atitude nobre e sobranceira,
indicando que o povo desta terra
já começa a emergir da pasmaceira:

Hoje notamos, em cidades várias,
que os eleitores, no passado inermes,
já se não prestam mais, como alimárias,
às injunções de certos “paquidermes”.

O paulistano, outrora assás cordato,
com perfeição completa já não sonha:
aceita agora qualquer candidato
que, ao menos, tenha um pouco de vergonha:

E, num protesto irônico e formal,
parece argumentar, baixando a fronte:
bem pensado, animal por animal,
antes votarmos... no rinoceronte!

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21/02/08 (Bueno): Aí vai a imagem da “Terezinha”. Essa peça é em osso, unifacial, esculpida à mão, segundo foto que encontrei no livro “Mamíferos”. De vez em quando eu dou uma de “artista” e faço minhas “loucuras”, essa é uma delas. Gastei muito tempo com um canivete na mão até dar com ela pronta. Somente o chifre está fora de proporção e nunca encontrei tempo para reparar.

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Última atualização: 13/11/2008.
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