Colecionar é aprender, é ensinar,
é agregar, é zelar, é sobretudo “viajar”!
Dentro de minha coleção de objetos
sobre girafas, tenho várias coleções. Uma delas
– minha paixão – é uma coleção de selos
postais sobre girafas.
Falar sobre o 1º selo
do mundo emitido com a imagem de uma girafa, por exemplo, remete-nos
à história mundial... à época de nossa própria colonização, pois esse
selo é uma emissão de Niassa (hoje,
República de Moçambique), datado
de 1901.
Ex-colônia de Portugal (assim
como nós), localizava-se no extremo sudeste da África, fronteira com Niassalândia
(atual Malauí) e ao norte com Tanganica
(atual Tanzânia).
E por falar do Continente
Africano, também falo sobre a Argélia,
de suas emissões filatélicas, das girafas
rupestres da região do Deserto
do Saara, falo de sua arquitetura, sua Mesquita e o Zoológico de Argel
– ambos projetos do famoso arquiteto Oscar
Niemeyer – o que me faz voltar (dessa “viagem”) ao Brasil,
ao Rio de Janeiro, a São Paulo, ao Museu de Curitiba, particularmente
à Brasília...
Enfim, falar sobre Niemeyer, sobre a África, a Argélia, o Brasil, Brasília,
sobre as girafas do Zoológico
de Brasília, tudo isso, é falar da minha coleção
temática sobre girafas!
SEMPRE APRENDI COM AS GIRAFAS!
— VEJA SE NÃO:
A idéia da coleção é mostrar as histórias e lendas do Mundo, desde as
teorias criacionistas até os protegidos Parques
e Reservas Nacionais do Continente Africano. O ponto de partida é
a Bíblia, cujo Antigo Testamento relata a criação do mundo na visão judaico-cristã.
Por séculos os homens acreditaram piamente na versão bíblica para a criação
do mundo, até que Charles Darwin
retratou a evolução das espécies e a Ciência comprovou a existência dos
dinossauros e outros animais pré-históricos até então desconhecidos...
Poderia chamar a coleção de “Contos
Curtos” – uma espécie de Antologia Girafídea desde a criação do animal
até a emissão do primeiro
selo postal brasileiro que mostra através de uma fotografia (de minha
autoria) o animal que mais amo: GIRAFA.
A origem da girafa
é bíblica ou científica?
Na teoria bíblica,
sua origem é narrada no Gênese (primeiro livro do Pentateuco, atribuído
a Moisés), no qual se descrevem as origens do Universo... Para os que
têm fé, Deus é um artista. Durante cinco dias, Ele inventou tudo
o que existe, sobretudo o que há na face da Terra.
No sexto dia, criou Adão e Eva, também todos os animais – inclusive as
GIRAFAS! No sétimo dia, o Senhor
descansou...
Noé,
supostamente, salvou duas girafas de uma gigantesca inundação denominada
Dilúvio...
No capítulo XIV
do Deuteronômio, Animais puros e impuros, a Bíblia cita a girafa sob o
nome de “Zemer” que foi
traduzido como “camelo-pantera” pelos autores antigos ou “camelo-pardo”
(camelo pardal) pelos autores mais recentes...
Assim, estaria a girafa colocada entre os ruminantes de unhas
fendidas, cuja carne era pura e, portanto podia, como a dos bois,
carneiros, cabritos e veados, ser comida sem cometer um ato impuro segundo
as Leis de Moisés...
Já na teoria
científica a origem da família
dos girafídeos é contada através do tempo, da paleontologia.
Também através de estudos arqueológicos, na maravilhosa forma da arte
rupestre.
Essa família
se diferenciou de outros artiodátilos
há 25 milhões de anos atrás, aproximadamente... Seus numerosos representantes
povoaram o mundo antigo até o final do Terciário...
Há 20 milhões
de anos, os gêneros Palaeotragus
e Giraffokeryx
eram girafídeos típicos... Há 10 milhões de anos, existiram várias subfamílias,
entre a elas, a dos Sivatérios.
Os gêneros atuais, Giraffa e Okapia, surgiram mais ou
menos na época do Sivatério, e são os únicos sobreviventes dessa diversificada
família de ruminantes.
– Como a girafa é chamada por outros povos, na história
da escrita, é um estudo muito interessante dos inúmeros idiomas
falados em nosso planeta!
– Antigas culturas na África veneravam a girafa, assim como algumas culturas
modernas, e representavam-na frequentemente em pinturas
nas rochas e cavernas pré-históricas...
– A região da Mesopotâmia, em tempos passados, aproximadamente 3.000
anos, era uma região fértil, com diversos tipos de animais inclusive leões
e girafas, entretanto, hoje, é um imenso deserto. As paisagens mudam muito,
mesmo quando o homem não as modifica...
– Encontrei na “Linguística”,
por exemplo, que o verbo “prever” escreve-se com o desenho de uma girafa...
Será que se grafa a palavra girafa
em hieróglifo assim?
– Assim como fósseis de sivatério-asiático
que ocorrem na Ásia, existem evidências de esculturas feitas pelos Sumérios
que datam de 5 mil anos atrás muito semelhantes a este animal, o que demonstra
que o sivatério foi um dos últimos parentes da girafa a desaparecer...
– Mais importante ainda do que tudo isso é descobrir que as girafas estão
representadas em diferentes expressões artísticas, nos maiores
e melhores museus do mundo!
A girafa e o homem: uma história longa, longa... – La giraffa e l’uomo:
una storia lunga lunga... – Giraffes and humans: a long long story...
– A primeira notícia que se tem conhecimento é do tempo dos antigos egípcios,
quando eu fui apresentada a rainha Hatshepsut, em Alexandria... – Le
prime notizie che mi riguardano risalgono a tantissimo tempo fa quando
fui portata ad Alessandria d’Egitto dalla faraona Hatshepsut. – I
first came to notice in ancient Egyptian times, when I was presented to
the Queen Hatshepsut in Alexandria.
– Aliás, na história dos zoológicos,
a primeira coleção de animais data de 1490 antes de Cristo, ordenada pela
rainha egípcia Hatshepsut (a única mulher que governou o Egito). Deir
El-Bahri é, atualmente, o imponente monumento construído na montanha
para abrigar os restos dessa rainha.
– Aristóteles
(384-322 antes de Cristo), instituiu o que podemos chamar de zoológico
experimental, privativo de sua observação (parece que ele não conheceu
uma girafa)... Em sua obra História dos Animais – principal estudo de
Zoologia da Antiguidade – legou aos sucessores princípios fundamentais
de classificação...
A classificação Aristotélica dividiu os animais em duas categorias: superiores
– animais com sangue, e inferiores – animais sem sangue, o grau de perfeição
de cada animal está ligado à quantidade de calor que ele possui. Também
caracterizou os animais em duas categorias sistemáticas: genos (corresponde
a todas as combinações de um grau superior) e eidos (diz respeito à forma
individual do animal: cão, cavalo, girafa etc.). De seus escritos outros
esboçaram duas classificações: vertebrados (com sangue vermelho) e invertebrados
(sem sangue vermelho).
– Alexandre, o Grande,
Rei da Macedônia (356-323 antes de Cristo) e aluno de Aristóteles, teve
uma coleção de animais exposta perto do porto de Alexandria. Provavelmente,
sua coleção deu origem ao primeiro zoológico público...
– Chamo de “girafas helenísticas” aquelas que integraram o período que
compreende desde a morte de Alexandre Magno até a conquista do Egito por
Roma, no qual a cultura helênica conheceu grande expansão e florescimento
a leste do Mediterrâneo e no Oriente Médio... Os gregos foram específicos
em nomear as girafas “camelopard”
– o que literalmente descreve um corpo de camelo coberto com pele de leopardo,
contribuindo assim, posteriormente, com o seu nome científico...
Poderiam ser “magnas girafas” dos períodos: helenístico, romano e bizantino
(análogas a fatos que ocorreram entre 395 a 1453, ou Idade Média), com
Carlos Magno (Rei dos francos), Alexandre Magno (o Grande), Julio César
(quem presenteou Cleópatra), Plínio (com “Naturalis Historia”), Alberto
Magno e Tomás de Aquino, Marco Pólo, São Francisco de Assis, entre outros...
Quando Ptolomeu
II se tornou rei do Egito (285
a.C.), houve uma maravilhosa procissão em Alexandria.
Athenaeus descreveu o grande espetáculo ocorrido e detalhou a coleção
real de animais: 130 ruminantes etíopes, 26 bovinos indianos, 1 CAMELOPARDALIS
e um rinoceronte-etíope,
além de outras criaturas estranhas...
Em Alexandria,
quase no final da Dinastia dos Ptolomeus (48 anos antes de Cristo), Júlio
César presenteou Cleópatra
com um animal chamado “camelopardus”...
Outra versão diz ao contrário:
– Em 46 antes de Cristo fui levada para Roma como um presente de Cleópatra
a Júlio César. Naquela época eu valia 300 escravos! – Nel 46 a. C.
fui per la prima volta a Roma, dono de Cleopatra a Cesare. In quell'epoca
valevo ben 360 schiavi! – In 46 B.C. I was taken to Rome as a gift
from Cleopatra to Julius Caesar. In that time I was worth 360 slaves!
(deve estar errado, pois foi ao contrário o presente)
No ano de 46
antes de Cristo, quando a primeira girafa chegou em Roma (Itália),
ela foi descrita: “tão grande
como um camelo e com manchas
como um leopardo” –
um corpo de camelo coberto com pele de leopardo. Por esses motivos, CAMELO-LEOPARDO
foi o nome que os romanos deram à girafa.
Cesare, dieci anni dopo, dedicando il suo Foro e il tempio di Venere
Genitrice, volle superare il suo emulo nella grandiosità delle cacce offerte
al popolo e – come afferma Svetonio – mostrava allora un animale che destava
l'universale meraviglia: un cameleopardalis, cioè la giraffa, chiamata
così dalle caratteristiche del suo pelame.
– ... e para saber o quanto eu era forte, fui colocada com outros animais
ferozes... Que medo! – ... e per stabilire la mia indole mi facevano
combattere con gli animali più feroci... Che paura! – ... and to
see what strength I had, I was made fight with other fierce animals...
How frightening!
– O povo árabe inicialmente achou que eu era um cruzamento entre o leopardo
e o camelo. – Gli arabi pensavano che fossi nata dall’incrocio di
un leopardo con una cammella! – Arabic people at first thought that
I was a hybrid between a leopard and a camel.
– Gaius Plinius Secundus, oficial militar do Império Romano (por volta
dos anos 23 a 79 depois de Cristo), voltou-se para o conhecimento do mundo
e da natureza. “Naturalis Historia” (História Natural) escrita pelo naturalista
Plínio (o Velho), parece que no ano de 77, em 37 volumes, é o mais completo
tratado zoológico e botânico conhecido do velho mundo. Essa obra é o melhor
meio de se conhecer sobre a zoologia e a botânica do mundo antigo. Um
homem de intensa curiosidade, parece que ele conta sobre a primeira girafa
de Roma, dada a Cleópatra... Ele morreu depois de aventurar-se muito próximo
ao vulcão do Monte Vesúvio... A edição de Martin Lechler (Frankfurt, 1582),
com desenhos de Jost Amman e Hans Weidlitz, é uma das poucas versões ilustradas
dentre as 15 edições publicadas entre 1469 a 1800, as quais estão guardadas
na Livrarias Smithsonian (Smithsonian Libraries Exhibition, http://www.sil.si.edu/).
Così gran numero di animali era tratto dalle più lontane regioni. Da
Plinio sappiamo (L. VIII) che traevansi gli orsi dai boschi della Pannonia
e della Calidonia: le pantere e i leoni dall'Africa e specialmente dalla
Numidia, scrivendo Plinio che quella regione non produceva che belve e
marmo numidico; dall'Egitto venivano i coccodrilli e gli ippopotami; dalla
Persia le tigri; dall'India il cracuta e il rinoceronte. Gli elefanti
si traevano dall'Africa e dall'Asia, e dall'Africa si traevano giraffe
e rinoceronti. (“Il Vivarium Imperiale”, história no site BIOPARCO
– Centro di Conservazione e di Educazione Ambientale – Il Giardino Zoologico
di Roma – Itália)
– “Vivarium di Commodo” (180-193): 100 leões, 100 ursos, 5 hipopótamos,
1 girafa, 1 tigre, 1 rinoceronte, elefante e avestruz. – BIOPARCO.
– Muitas girafas foram para o “Vivarium Imperiale” (100 delas!), em 237
de nossa era. “Vivarium di Gordiano I”, veramente imponente continha:
1.000 ursos, 100 tigres, 100 girafas, 100 toro de Cipro, 10 alces, entre
muitos outros animais. – BIOPARCO.
– “Vivarium di Gordiano II” (238-244): 60 leões domesticados, 10 leões
ferozes, 30 leopardos domesticados, 10 tigres, 10 hienas, 32 elefantes,
10 alces, 40 cavalos selvagens, 10 girafas, 1 rinoceronte, 1 hipopótamo.
– BIOPARCO.
– “Vivarium di Probo” (276-283), questi sopratutto ripopolò il Vivarium.
Vi erano ai suoi tempi 1.000 avestruzes, 1.000 cervos, 1.000 cinghiali,
100 leões, 100 leoas, 200 leopardos, 300 ursos, girafa etc. – BIOPARCO.
Monstros fantásticos
eram comuns nos bestiários medievais, os quais derivavam de textos clássicos
entre os séculos II a IV. O bestiário incorporava tradições orais, histórias
de viajantes, simbolismo cristão e alegorias dentro de um compêndio de
histórias moralistas baseado em animais domésticos, exóticos e, às vezes,
imaginários. Copiado e recopilado na forma de manuscrito por centenas
de anos, tais textos tornaram-se mais elaborados e variados quando proliferaram
no final de 1400...
Século IV (380)
– “Esses presentes recebidos, dentre outras coisas, uma certa espécie
de animal da natureza. Em tamanho era como um camelo,
mas a superfície de sua pele marcada com manchas como flores. Seus flancos
traseiros eram baixos, como dos leões,
mas os ombros e as patas dianteiras e o seu peito são muito altos. O pescoço
era pequeno em largura comparado com a altura (fino), como se fosse um
pescoço de um cisne. A cabeça tem o formato de um camelo, mas em tamanho
é duas vezes maior do que um avestruz
da Líbia. Suas pernas não se moviam
alternadamente, mas em pares,
primeiro de um lado depois do outro. Quando esta criatura apareceu, toda
a multidão ficou espantada. Sua forma e sua aparência sugeriram um nome
que veio da população, proveniente de seu corpo, um nome improvisado de
CAMELOPARD.” – Heliodorus,
Aethiopica, X. 27.
No ano de 424
depois de Cristo, leões,
elefantes,
girafas e búfalos
estavam entre as espécies expostas no Zoológico
de Constantinopla – atual Istambul, Turquia.
940 – “O mais
comum animal naqueles países é a ZARAFA.
Alguns consideram a sua origem uma variedade do camelo; outros dizem que
é uma união do camelo com a pantera; outros, em menor número, dizem que
é uma espécie particular e distinta, como o cavalo, o asno, e não o resultado
de um cruzamento.”
Foi usual enviar um presente da Núbia
para os reis da Pérsia – onde girafa
é chamada de USHTURGAO (camel-cow, camelo-vaca) – e, antigamente, eram
enviados para as princesas da Arábia
e aos primeiros califas da casa de Abbas...
A origem da girafa tem trazido enormes discussões... “Tem se falado que
a pantera da Núbia incorporou um grande tamanho, e que o camelo daquele
país tinha uma baixa estatura e pernas curtas.” – Mas’udi, III. 3-5.
Os persas a chamam de “ushtur gâw palank” porque “ushtur” é um camelo,
“gâw” é uma vaca e “palank” uma hiena. Mas eles nunca sabiam ao certo
quanto a sua cor...
De qualquer forma, os primeiros registos escritos descrevem a girafa
como “um animal de aspecto magnífico, de forma bizarra, com andar único,
altura colossal e de caráter inofensivo”...
ZARAFA
como verbo, significa pular, correr. Como substantivo, aquele que anda
correndo. De origem etíope a palavra significa graciosa. Mas a sua derivação
primária tem origem no árabe ZURAFA: a graciosa. No longo tempo em que
os árabes dominaram a Espanha, a
língua foi muito influenciada... A palavra girafa provém de outra arábica
ZIRAFAH ou XIRAPHA, a qual significa “o mais alto de todos”.
“Menageries”
foram estabelecidos em Constantinopla no século XI, quando Constantinus
IX recebeu um elefante e uma girafa do Sultão do Egito.
No século XIII,
Albertus
Magnus (alemão canonizado), escreve De Animabilis – um estudo
sobre a obra de Aristóteles
– nesse livro ele descreve a girafa usando as palavras ANABULA, CAMELOPARDULUS
e ORAFLUS. Anabula, provavelmente, tem sua origem entre os etíopes que
a chamavam de NABIN; e ORAFLE
foi usado no velho francês.
No sul do continente
europeu, Frederick II (1212–1250),
rei da Sicília, estabeleceu
grandes “Menageries” em Palermo e outras cidades
da Itália. Ele teve um elefante que
veio da Índia, também uma girafa.
– Em 1215 eu fui presenteada a outro país, pelo sultão do Egito ao rei
Frederico II em troca por um urso-polar. – Nel 1215 feci ancora la
parte di un “dono”: quello che il Sultano d’Egitto fece a Federico II
che ricambiò con un orso polare! – In 1215 I was presented as a gift
to another country by the Sultan of Egypt to King Fredrik II in exchange
for a polar bear.
1253 – “Entre
os outros objetos que ele (o velho da montanha) enviou ao rei, mandou
um elefante de cristal muito bem feito,
e um animal (besta) que as pessoas chamavam de ORAFLE,
de cristal também.” – Entre les autres joiaus que il (le Vieil
de la Montagne) envoia au Roy, li envoia un oliphant de cristal mout bien
fait, et une beste que l’on appelle ORAFLE, de cristal aussi. – Joinville,
ed. de Wailly, 250.
1271 – “No
mês de Jumada II, uma girafa fêmea do Castelo de Hill, na capital do Egito
– Cairo, deu à luz a
um filhote, o qual foi criado por uma vaca.” – Makrizi, by Quatremère,
I. pt. 2, 106.
Em 1298, Marco
Pólo dita a crônica de suas viagens e comenta sobre girafas: “Sabemos
bem que as girafas nascem naqueles países.” – Mais bien ont giraffes
assez qui naissent en leur pays. – Pauthier’s ed., p. 701.
1384 – “Ora racconteremo
della GIRAFFA che bestia
ella è. La giraffa è fatta quasi come lo struzzolo, salvo che l’imbusto
suo non ha penne anzi ha lana branchissima... ella è veramente a vedere
una cosa molto contraffatta.” – Simone Sigoli, V. al Monte Sinai, 182.
1404 – Quando
os senhores chegaram na cidade de Khoi, eles encontraram nela um embaixador,
de quem o sultão da Babilônia tinha
enviado para... ele tinha também 6 pássaros raros e uma besta chamada
JORNUFA... (then follows a very good description). – Clavijo, by Markham,
pp. 86-87.
Em 1415, o Imperador
da China, Yongle, conquistou muito
prestígio através de espetaculares viagens aos mares do oeste, durante
a Dinastia Ming. Quando seu
comandante e explorador Zheng
He retornou à Beijing, trouxe duas
girafas a seu imperador – presentes do sultão da cidade de Malindi
(Quênia) – um importante centro
comercial na costa leste da África.
– Em 1415, cheguei a China pelo mar, onde fui considerada pelos chineses
um sinal de boa sorte. – Nel 1415 mi sono spinta addirittura in Cina!
Arrivai via mare e fui considerata dai Cinesi un presagio positivo.
– In 1415 the next epic was to arrive by the sea into China, where I was
thought to be a lucky symbol.
No ano seguinte,
Shen Du, artista plástico da corte
Ming, pintou sobre seda a girafa do Imperador.
1430 – “Eu também
estive em Lesser, na Índia, o qual
é um bom reinado... Neste país há vários elefantes e animais chamados
SURNASA (de 'surnafa'), o qual
é como um veado, mas é um animal alto e tem um longo pescoço, 6 pés em
altura ou comprimento.” – Schiltberger, Hak. Soc. 47.
1453 – Fim do
domínio cristão em Constantinopla,
a cidade cai sob o poder dos turcos e, rebatizada Istambul, torna-se capital
do Império Otomano... Hoje, podemos encontrar a Rua Zürafa
(girafa em turco), local de numerosos prédios com vitrines, onde se exibem
as prostitutas de Istambul.
Em 1457, um genovês
desenhou um Mapa do Mundo,
no qual existe uma girafa presente no mapa da Etiópia.
Em abril de 1483,
Bernhard von Breydenbach
iniciou uma viagem sagrada à “Holy Land”... Nessa jornada, da Alemanha
até Jerusalém, um artista chamado Erhard Reuwich, acompanhou-o... Então,
por ele eu fui pintada no primeiro livro de viagem ilustrado do mundo
“Peregrinatio in Terram Sanctam”, Alemanha.
Ainda no século
XV, Ferrante, Duque de Nápoles, e Lorenzo di Medici foram os maiores proprietários
de “Menageries” naquele tempo. Ambos tinham girafas.
– Em 1486 fui presenteada para Lorenzo
de Médici, em Florença... Eu me lembro de ser alimentada com frutas
pelos moradores através das sacadas e balcões da cidade. – Nel 1500
fui portata a Firenze da Lorenzo de’ Medici. Ricordo che le donne mi davano
la frutta addirittura dai balconi! – In 1500 I was seen
in Florence in company of Lorenzo de’ Medici, a wealthy nobleman. I remember
being fed fruit from the balconies of the city.
1494 – Theobaldus
Episcopus escreve Physiologus de naturis duodecim animalium...
1500 a 1510 –
Hieronymus Bosch, mais
conhecido na Espanha como “El
Bosco”, pinta a sua obra prima “O Jardim das Delícias”.
Entre 1516 a
1519, Raphael Sanzio
realiza dois afrescos com girafas no Palácio Pontífice, da Cidade
do Vaticano – um deles mostra Deus no sexto dia, quando ocorreu “A
Criação dos Animais”. – Bloco emitido por Granada.
1553/54 – Xilogravura
de Pierre Belon, um dos primeiros
naturalista-exploradores da França.
– Por causa da particular posição de algumas estrelas, desde o início
do século XVII (talvez 1624), meu nome foi dedicado à uma constelação!
– Per la particolare posizione di alcune stelle mi hanno anche dedicato
una costellazione! – A group of stars have been named after me.
– Eu sou representada como símbolo de um importante bairro da cidade
de Siena, com o lema: “Quanto mais
alta a cabeça, maior a glória”. – A Siena sono il simbolo di un'importante
contrada il cui motto è: “Più alta la testa, maggiore la gloria”!
– I am represented as a mascot in one particular quarter of Siena, with
the motto “The higher the head, the greater the glory”.
– Em 1685 cheguei pela primeira vez na Inglaterra. – Nel 1685 per
la prima volta giunsi in Inghilterra. – The first time in England
was in 1685...
O livro “As Viagens
de Gulliver”, foi publicado por Jonathan
Swift, em 1726 (Irlanda). Através
dele se conheceu o fascinante mundo “Liliputiano” ou mundo
do miniaturismo!
Em plena época
dos czares, São Petersburgo
de 1744, foi estabelecida pela Imperatriz Elizabete (irmã de Pedro – “O
Grande”), a fábrica de Porcelana Lomonosov.
Em 30/07/1752,
o imperador austríaco Francisco Estevão levou convidados para um passeio
por sua coleção pessoal de animais. Após o fim da monarquia, a Ménagerie
de Schönbrunn (o zoo mais antigo do mundo) passou seu controle à República
da Áustria.
Carl
von Linné, em 1758, “batiza” as girafas com nome e sobrenome:
Giraffa camelopardalis.
Ele também batizou o pássaro que
vive em cima das girafas, entre tantos outros animais.
Aberto ao público
depois da Revolução Francesa (1789), o primeiro Jardim
Zoológico de Paris foi criado para alojar os quatro animais sobreviventes
do Viveiro de Versalhes – palácio onde viviam os reis da França antes
de serem tirados do poder pelos revolucionários...
Lamarck
publicou, em 1809, um livro chamado Filosofia Zoológica, em que explicava
a teoria criada por ele, a qual ficou conhecida como “Lei do Uso e Desuso”.
Fui enviada por
Mohammad Ali,
vice-rei e paxá do Egito, como presente diplomático para os reis da França
(1826), Inglaterra (1827)
e Áustria (1828)...
– O último Bourbon da França, o rei Charles
X, recebeu uma girafa-presente. Proveniente do Sudão,
a girafa viajou do porto de Alexandria até Marselha, chegando em outubro
de 1826, depois Geoffrey St. Hilaire, um renomado francês naturalista,
à pé, acompanhou-a até Paris,
onde chegou em 30/06/1827. Hoje, a girafa está preservada no Museu
de História Natural em La Rochelle, França.
– Em 11/08/1827, chega a girafa-núbia
no “Royal Menagerie” – presente ao rei George IV. Um ano mais tarde, a
Sociedade Zoológica de Londres funda o primeiro zoológico da cidade, o
Regent’s Park.
– O ano de 1828, marca a chegada da primeira girafa no Zoológico
de Viena, Áustria – durante
o reinado do Imperador Franz II.
1839 – A segunda
girafa chega a Paris, 13 anos mais tarde, como companhia...
Em plena “Era
Vitoriana”, exatamente no dia 6 de maio de 1840, foi criado o primeiro
selo postal do mundo! Neste mesmo ano, o movimento de defesa dos Direitos
dos Animais teve influência direta da Rainha
Vitória, ganhou a designação de Sociedade
Real para a Prevenção da Crueldade Contra os Animais.
1858 – Ocorreu o primeiro
nascimento de uma girafa em um zoológico da Europa, no Zoológico
de Viena.
1878 – Chegada
da primeira girafa no Zoológico
de São Petersburgo, na antiga União Soviética, hoje, Federação
Russa.
1889 – A Torre
Eiffel é construída para a Exposição Universal de Paris, em comemoração
ao centenário da Revolução Francesa de 1789. As pessoas daquele tempo
se referiam à torre como “La Girafe”...
Em 1892, Daniel
Swarovski que nasceu na Bohemia (atual Alemanha),
no período em que a Áustria e a
Hungria formavam o Império Austro-Húngaro,
fundou uma das mais importantes fábricas de vidro e cristal do mundo!
Como não poderia ser diferente, existem girafas em cristais Swarovski!
1901 – O primeiro
selo postal do mundo impresso com a imagem de uma girafa foi emitido por
Niassa, uma ex-colônia portuguesa da
época do rei D. Carlos
I (atual Moçambique). Notas:
o mesmo ano marca a morte da Rainha Vitória e Eduardo VII, rei da Inglaterra;
com um dirigível, Santos Dumont circunda a Torre Eiffel.
No mesmo ano,
também foi descoberto o ocapi – o único
parente das girafas! Ambos endêmicos do Continente Africano, o ocapi
vive apenas nas densas florestas da República
Democrática do Congo.
Carl Hagenbeck,
famoso caçador alemão, fundou no subúrbio de Stellingen, em 1907, o primeiro
zoo sem grades do mundo! No Zoológico de Hamburgo ou Tierpark
Hagenbeck, pela primeira vez, os animais puderam ser vistos em grandes
áreas abertas, separados por fossos e não mais através de uma grade. Desde
então, muitos zoológicos do mundo
inteiro adotaram tal sistema.
Fósseis
de Paleotragus foram encontrados em Azambuja, norte de Lisboa
– Portugal, segundo o trabalho
publicado por Roman, em 1907. Hoje, as duas peças estão expostas no Museu
de Geologia da cidade.
Na
Argentina, o Zoológico
de Buenos Aires, situado no bairro de Palermo,
recebeu sua primeira girafa em 1912. Há fotos nos arquivos do jornal “La
Nación” que ilustram sua caminhada a partir do bairro La Boca, onde está
localizado o porto da cidade.
Também o ano de 1912 marca a chegada da primeira girafa em Basel,
na Suíça.
No final do reinado
de Sua Majestade Menelik II, da antiga Abissínia (atual
Etiópia) e em plena Primeira Guerra Mundial, outra girafa chega ao
Zoológico de Paris...
Foi um presente do rei ao presidente da República
Francesa, em 1918. A girafa ficou conhecida como “La Girafe Ménélik”...
Os primeiros
selos postais sobre girafa impressos com diferenças de filigrana (marca
d'água) foram emitidos em 1922, pela ex-colônia britânica
de Tanganica – atual República
Unida da Tanzânia.
Até o Mickey
Mouse, criado em 1928 por Walt
Disney, já “brincou” com girafas...
Em Janeiro de 1929,
o escritor Hergé cria
os personagens “Tintin” e o seu cachorrinho “Milou”.
Um de seus títulos foi publicado dois anos depois, o qual no Brasil
foi alterado para “Tintim na África”. Tal livro narra, entre
outras coisas, uma criativa idéia do repórter para conseguir filmar as
girafas...
Em 1932, foi
emitido pelo Congo Belga (ex-colônia
da Bélgica, atual
Congo), o primeiro selo postal do mundo sobre o ocapi!
1935/1936 – Salvador
Dalí realiza a obra “Girafa em Chamas” ou “Girafa de Fogo”.
O I Congresso
Brasileiro de Folclore, realizado em 1951, decretou constituições sobre
fatos folclóricos... As expressões artísticas do povo brasileiro, assim
como de diversas nações, estão representadas em objetos que imitam
as girafas...
O filme “O Noivo
da Girafa”, de 1957, narra as confusões vividas por Aparício Boamorte
(personagem do ator Mazzaropi)
que trabalha no Jardim Zoológico do
Rio de Janeiro e tem uma girafa como confidente...
O zoológico de
minha cidade natal foi inaugurado em 1958, com muitos animais, dentre
eles o rinoceronte “Cacareco”
que acabou sendo o mais votado no concurso “vereador por São Paulo”...
No leste da Arábia
Saudita, em 1974, foram descobertos fósseis de antigas girafas datados
de 19 milhões de anos atrás. Saiba mais na página de Museus
da Inglaterra!
Carlos
Drummond de Andrade escreve, em 1981, a crônica “A Solidão do Girafo”.
Em 5 de outubro
de 2007, depois de muita “luta”, a Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos emitiu o primeiro selo
postal brasileiro com girafa – de minha autoria –, o qual compreende uma
série de seis selos intitulada “Zoológicos
do Brasil”!
Mas, bem antes
disso, o ano de 1964 (meu nascimento) foi marcado pela minha primeira
girafa... A qual deu início a essa fantástica “viagem”
que é o colecionismo temático!
Nota: Em muitos casos, clique na imagem e você a terá ampliada,
para melhor visualização. Em relação a filatelia, inúmeros
selos não têm o seu tamanho original, servindo, portanto, para ilustração
e sobretudo conhecimento.
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