TRÍADE PESQUEIRA ATRAVÉS DA FILATELIA
Por Sérgio Sakall
Pensando em coisas além da pesca, além de peixes, além de pesqueiros, além da água, lazer e turismo, quisemos encontrar uma maneira diferente, inovadora e diversificada de falar sobre as mesmas coisas.
Então, descobrimos na filatelia (estudo ou arte de colecionar selos) o que procurávamos.
Falar sobre selos significa arte, cultura, aprendizado, dinheiro, entre muitas outras coisas. A filatelia nos ensina sobre vários assuntos: ecologia, datas importantes e comemorativas, personagens célebres etc.
Buscar nos selos do Brasil a nossa temática – PEIXES – não foi difícil.
O correio brasileiro já emitiu várias séries de selos sobre “peixaria” (como os filatelistas se referem ao tema). Assim como já emitiu selos sobre os nossos rios, nossas praias, nossa fauna e flora.
Da mesma forma que emitiu selos sobre a água – nosso instrumento principal seja na PESCA, no LAZER ou no TURISMO.
Abaixo, série em folha “EXPO'98 – Oceanos: Um Patrimônio Para o Futuro” – Conscientização e Preservação dos Oceanos. Emitida em 22/05/1998 (RHM: C-2089/C-2112), os 24 selos, com valor facial de R$0,31 centavos de Real cada, compõem uma cena do fundo do mar e foram emitidos para comemorar o Ano Internacional dos Oceanos – 1998.
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Primeiro selo brasileiro ilustrado com um peixe (número do catálogo RHM: C-575), o selo foi emitido em 01/08/1967, por motivo de comemoração do Segundo Centenário de Piracicaba (SP).
O rio Piracicaba que desde sempre, tanto contribuiu com o desenvolvimento da região, atualmente sofre a degradação humana, sofre a poluição, sofre a falta de oxigênio em suas águas.
Recentemente, morreram milhares e milhares de peixes, curimbatás, dourados, entre outras espécies.
Isso foi um grande pesar, uma lástima, sobretudo porque os peixes morreram antes da época de reprodução. Em virtude disto e, uma vez afetada a piracema da Cachoeira das Emas, por exemplo, logo, logo não haverá peixes naquela região...
Esta tríade: pesca, lazer e turismo, que chamaremos de TRÍADE PESQUEIRA, remete-nos aos nossos primórdios que, para a sobrevivência, o homem compunha uma tríade com a água e o peixe.
Hoje, na contemporânea forma de pescar, o homem também entra na composição de uma outra trilogia: peixe, pescador e pesqueiro – uma pescaria que os apóstolos não conheceram.
Nesta área, podemos encontrar outras formas de trindade. Os sujeitos podem até variar entre si, mas, sobretudo são a vara, a linha e o anzol. Entretanto o predicado principal, sempre, sempre é o peixe.
Há quem diga, neste caso, que o verbo de ligação entre sujeito/predicado seja a água. A água como verbo, a água como meio, a água como companhia, a água como vida.
A água como meio de transporte, de lazer e de turismo. A água como meio de subsistência para produzir alimentos. A água como meio de renda para gerar energia ou para sustentar os nossos pesqueiros. A água como meio de tudo, pois sem água não há vida!
Talvez, a água esteja presente em todas as ações do homem. São inúmeros os aspectos que comprovam a importância da água para a sobrevivência do planeta.
Bem, encontramos na filatelia, vários aspectos relacionados com os principais temas da Revista Além da Pesca: a água como meio de sobrevivência de nossos PEIXES, a água como elemento facilitador de transporte para o LAZER de nossas pescarias, a água como recurso natural de incremento para o nosso TURISMO.
Pensando sobre a água visitamos algumas casas especializadas em selos e conversamos com comerciantes e colecionadores.
Conhecemos tantos assuntos que a filatelia abrange sobre os nossos temas – TRÍADE PESQUEIRA – que ficaria impossível retratar tudo o que aprendemos apenas nesta matéria, portanto selecionamos alguns selos para você.
TRANSPORTE
Em selos sobre transporte encontramos que nas águas do mundo inteiro, circulam as riquezas dos povos. Para esta matéria, selecionamos a série abaixo que lembra bem o lazer, o não fazer nada. Afinal, nas férias que se aproximam, quem não gostaria de relaxar em uma embarcação num ponto qualquer do imenso litoral brasileiro?
Série de quatro selos emitida em 30/11/1973 (RHM: C-819/C-822), para a divulgação das embarcações típicas brasileiras (dois deles ilustram nossa capa).
TURISMO
Em selos sobre turismo encontramos muitos exemplares. Selecionamos a série abaixo que, na seqüência, ilustra a Selva Amazônica; o Pantanal que desperta ainda sonhos de uma grande pescaria; as jangadas, as quais retratam tão bem o nosso litoral que, aliás, oferece um potencial turístico invejável; o Pão de Açúcar e as Cataratas do Iguaçu – eternos cartões postais do Brasil – são pólos de atração turística que despertam a curiosidade de gente do mundo inteiro em os conhecer.
Série de cinco selos regulares, auto-adesivos, emitida em 24/04/1996 (RHM: 719/723), para a divulgação do turismo no Brasil.
PEIXES
Em selos sobre peixes encontramos uma infinidade de material. Há coleções inteiras sobre peixes de água doce, assim como as que retratam somente peixes de água salgada.
Há colecionadores que só adquirem séries novas, isto é, selos que jamais foram usados. Outros agregam em suas coleções selos circulados – aqueles que já foram usados em carta. Há filatelistas que juntam os dois tipos.
Esses colecionadores (assim como nós), adoram e entendem tudo sobre a temática – PEIXE, entretanto, por incrível que pareça, muitos deles jamais pescaram!
Pescar na Era de Aquário, em pleno século XXI, no qual os homens estão constantemente estressados, significa preocupação com bem estar da família, diversão, turismo e lazer.
Lazer em meio aos arranha-céus e tanta poluição das grandes capitais como São Paulo, por exemplo, é algo que, por incrível que pareça, ainda existe!
Excetuando-se os parques públicos e, particularmente, enfatizando a proliferação dos pesqueiros, podemos dizer que esta forma de pescaria é a nova multiplicação dos peixes!
A habilidade de alguns colecionadores chama a atenção. Há histórias de alguns que ficaram conhecidos no meio como “senhor peixe”, simplesmente por colecionarem apenas selos que ilustram peixes. Ao contrário de nossas histórias, nas quais alguns são conhecidos em nosso meio como “reis da pesca”.
Bloco : “Peixes do Pantanal – Aquário de Água Doce”. Emitido em 20/08/1999, China 99 – Ano do Coelho. RHM: B-113. Os 8 selos destacados do bloco (RHM: C-2212/C-2219) mostram: R$0,22 (Dourado), R$0,31 (Piraputanga), R$0,36 (Dourado-cachorro), R$0,51 (Mato-grosso), R$0,80 (Cascadu-chicote), R$0,90 (Piaçu), R$1,05 (Abramites) e R$1,20 (Ancistrus), respectivamente.
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CONCLUSÃO
Percebemos uma peculiar igualdade entre pescadores e colecionadores: ambos seguem a mesma receita – paciência, silêncio e observação.
Quanto a “tralha” toda que nós usamos em uma pescaria, embora bem diferente, eles também as usam em suas coleções. São pinças de diferentes tamanhos para manusear os selos, são classificadores (álbuns) para selecionar e guardar os selos, são catálogos e mais catálogos para se pesquisar os selos, são porta selos etc.
Enfim, deve existir alguma explicação mais profunda entre pescar e colecionar. Vocês não acham?
Os pesqueiros – um contemporâneo meio de preservação da natureza – retratam aquela pescaria de sobrevivência por uma outra pescaria: a piscicultura como lazer e preservação do meio ambiente.
Geralmente, em grandes propriedades, eles oferecem atrações para todos os gostos e idades. Conquistam quem busca a paz e o lazer ou os de sempre – aqueles que preferem a cesta cheia de peixe fresco.
Além dos lagos para pesca, o visitante pode desfrutar de playground, piscinas, quadras desportivas, andar a cavalo por trilhas ou fazer caminhadas ecológicas. No entanto, o destaque principal sempre, sempre fica para os lagos, muitos preparados apenas com uma só espécie de peixe.
Sabem aquela história que a gente escuta sobre pescador que tenta “catequizar” alguém para o mundo da pescaria ou a outra sobre os “mandamentos” da pesca?
Pois então, fazendo esta matéria, encontramos colecionadores e comerciantes que nos tentaram “catequizar” para o mundo dos selos. Também nos ensinar alguns mandamentos básicos da filatelia. Aprendemos muito com todos eles, é claro.
Mas daí, com todo o nosso respeito aos filatelistas, saímos correndo de tudo isso. Afinal, o nosso negócio não é o da filatelia, é mesmo o da PESCARIA!
Lista (não completa) de selos postais brasileiros sobre a temática Peixe, ou Aquariofilia e Piscicultura:
01/08/1967 – RHM: C-575 (Piracicaba)
30/06/1969 – RHM: C-649 (Bienal)
21/07/1969 – RHM: C-639 e B-26 (abaixo)
02/05/1975 – RHM: C-887/C-890, Série Peixes Brasileiros de Água-doce, cujos
4 selos com valor facial de $0,50 centavos cada, mostram: Apaiari (Astronotus
ocellatus), Mamaiacu (Colomesus psitacus), Barrigudinho – macho
e fêmea (Phallocerus caudimaculatos) e Morerê (Symphysodon discus).
12/07/1976 – RHM: C-939/C-944, Série Peixes de Água-doce no Brasil, cujos 6
selos com valor facial de Cr$1,00 cada, mostram: Hyphessobrycon, Piratantã,
Jaraqui, Jacundá, Palmito e Sarro.
08/01/1988 – RHM: C-1575 (Peixe-boi)
29/11/1988 – RHM: C-1608/C-1613 (final desta página)
30/09/1995 – RHM: B-101 (Tietê)
22/05/1998 – RHM: C-2089/C-2112 (Oceano; acima)
05/03/1999 – RHM: C-2182/C-2187 (Arquipélago)
22/04/1999 – RHM: B-110 e selo C-2195 (Descobrimento)
20/08/1999 – RHM: C-2212/C-2219 e B-113 (acima)
2001 – Cartela Pantanal
2002 – RHM: B-125 (abaixo)
02/10/2002 – Mercosur
03/11/2005 – RHM: B-139 (abaixo)
Selo e bloco “Divulgação da Piscicultura e da Aquariofilia – ACAPI”, de 21 a 24/07/1969. O selo com valor facial de 20 centavos mostra o peixe Acará-bandeira, cujo nome científico é Pterophyllum Scalare. O bloco RHM: B-26 com 4 selos que mostram: Hyphessobrycon Vilmae (10 cts.), Pygocentrus Nattereri (15 cts.), Megalamphodus Megalopterus (20 cts.) e Gymnocorymbus Ternetzi (30 cts.), perfazendo um total de 75 centavos; nas margens aparecem cavalos-marinhos, caranguejo, conchas, estrela-do-mar...
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Abaixo (lado esquerdo), bloco emitido em 2002 (RHM: B-125): Recifes Coralíneos. Do lado direito, bloco emitido em 03/11/2005 (RHM: B-139): Piracema – processo de reprodução dos peixes (Pirassununga).
Edital nº 21: Bloco Piracema – Uma Estratégia de Sobrevivência, com valor facial de R$3,10 e com carimbo na cidade de lançamento: Campo Grande - Mato Grosso do Sul (MS).
O bloco representa significativo momento da piracema, focalizando a escalada dos cardumes em obstáculo natural – a queda d'água – contornada por uma moldura de mata que enfatiza a oxigenação no trajeto dos peixes às regiões de desova. Em destaque a espécie Salminus maxillosus (dourado), cujas escamas são formadas por micro letras, só vistas com o auxílio de lupa. O peixe do selo também foi feito em alto relevo, processo semelhante à logomarca da Estrada Real. Como contraponto à superfície verde predominante, uma arara vermelha é exibida (Ara macao). Na parte inferior, os rés da água são adornados com o aguapé (Eichornia crassipes) e o frango d'água azul (Porphyrula martinica) em continuidade à harmonia das cores frias no bloco, simbolizando a dinâmica da biodiversidade.
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| CURIOSIDADE |
1988 – Limpa-tudo ou Limpa-fundo?
Série Divulgação da Piscicultura e da Aquariofilia – Peixes de Água-doce (RHM: C-1608/C-1613, Yvert: 1896/1901, Scott: 2157, Michel: 2276/2281). Os 6 selos mostram várias espécies de peixe: Borboleta, Aruanã, Neon Verde, Cynolebia, Cascudo e Limpa Tudo (Limpa-fundo).
Aprendendo: na sextilha, o selo identifica a espécie (Brochis splendens) com o nome popular “Limpa-tudo”, o que está errado pois tal peixe é conhecido como “Limpa-fundo”...
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Página exposição: Onde estão os peixes?
Última atualização: 27/10/2008. |