SERGUIEV POSAD
ex-ZAGORSK


MOSTEIRO DE TRINITY-SERGIUS (1993)

Serguiev Posad (pronuncia-se Sérguiev Possad), anteriormente Zagorsk, é endereço do Mosteiro da Santíssima Trindade de São Sérgio – sede do seminário e da Academia Teológica – o maior centro espiritual e de peregrinação da Igreja Ordodoxa Russa.

A 70 quilômetros de Moscou, a cidade também é residência de verão do Patriarca Russo. No mosteiro vivem mais de 300 monjes e é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do país, ilustrando todo o desenvolvimento da arquitetura religiosa russa desde o início do século XV até o século XIX.

No monumento mais antigo do mosteiro – a Catedral de Santa Trindade (século XV), encontra-se embaixo de um baldaquim de pura prata (espécie de coroa de um altar, sustentado por colunas) um sarcófago precioso – onde estão os restos de seu fundador: São Sérgio.

Este é um exemplo notável de um mosteiro ortodoxo com funções militares, com características típicas dos séculos XV ao XVIII – período durante o qual se desenvolveu.

A igreja principal do mosteiro, a Catedral da Suposição (recordando a Catedral do Kremlin com o mesmo nome), contém a tumba de Boris Godunov (que eu não descobri ainda quem foi)... Entre os tesouros do mosteiro destaca-se o famoso ícone “A Trindade”, um quadro de Andrei Rublev.

Uma outra obra, não menos famosa, é a de Nicholas Roerich que retratou São Sérgio. O quadro, “São Sérgio, O Construtor”, retrata o santo e a capela que ele mesmo construíu no meio de uma floresta russa – onde se refugiou em meados do ano 1300 de nossa era... Tal capela se tornou a base de centros de educação espiritual fundados por toda a Rússia.

Na cidade, há o tal mosterio e outras construções que, juntos, formam o conjunto arqueológico da Trindade – considerado patrimônio da humanidade!

São Sérgio - O Construtor
São Sérgio – O Construtor, obra de Nicholas Roerich (1925-26)
Tempera sobre canvas (73,6x117 cm)
Bolling Collection, Miami, Flórida
Nicholas Roerich Museum, New York
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São Sérgio (Bartolomeu, 1314-1392)

Condensado de um artigo escrito pelo secretário particular de Nicholas Roerich e publicado no exemplar de junho/julho de 1935, da revista New Dawn, em Hyderabad, Índia.

Em 1314, o casal de nobres Cyril e Maria Rostov tiveram um filho que recebeu o nome de Bartolomeu e que bem mais tarde, ao entrar para o monastério e ser ordenado, teve seu nome trocado para Sérgio.

Segundo a tradição, Bartolomeu estava sempre defasado em relação a seus irmãos no estudo das letras, e uma vez, ao ser severamente censurado por seu professor e seus pais, por aquilo que eles julgavam como preguiça, ele, desolado, fugiu para os campos.

Lá, inesperadamente, encontrou à entrada da floresta, um velho sábio, a quem confessou sua grande tristeza. O velho eremita ajoelhou-se com ele em prece e abençoou-o. A partir de então, Bartolomeu se tornou bem sucedido nos estudos.

Ele reverentemente pediu ao sábio homem que fosse até sua casa e lá, o ancião (até então desconhecido de todos e que nunca mais seria visto após aquele dia) profetizou aos pais do menino que este se tornaria “um grande instrutor espiritual, em nome da Santíssima Trindade e que ele atrairia muitos seguidores para o entendimento da Sabedoria divina”.

Desde esta visita, Bartolomeu progrediu nos estudos. Ele ansiava por se ligar a um dos monastérios, que naqueles tempos eram os únicos lugares para se obter conhecimento, onde um homem poderia aprender a “revelar a sabedoria de Deus dentro de si mesmo”.

Porém seu irmão já estava em um mosteiro, então ele teve de ficar em casa com seus pais até a idade de 23 anos. Quando seus pais morreram, ele doou tudo o que eles tinham e foi se juntar a seu irmão no mosteiro.

Mas, o coração ardente do jovem buscador da verdade não estava satisfeito com aquela vida e decidiu ir para uma floresta selvagem, em um eremitério. Ele convenceu seu irmão a ir com ele e construíram uma capelinha a mais ou menos 20 milhas de Radonega, na floresta de Makovetz.

Esta capela – tão encantadoramente visualizada por Nicholas Roerich em sua famosa pintura “São Sérgio, o Construtor” – tornou-se a base de centros de educação espiritual fundados por toda a Rússia.

As durezas da vida na floresta foram, entretanto, demais para seu irmão e ele então logo retornou. Aqui começaram os anos de absoluta solidão, pois Bartolomeu foi visitado muito raramente e somente por um velho sacerdote, Mitrofan, que posteriormente o ordenou monge e deu-lhe o nome de Sérgio.

Durante esses anos difíceis, através da paciência, fortaleza e da rejeição ao medo, Sérgio transformou em cristal seu puro, ativo e poderoso espírito, que mais tarde o levou à consumação de suas heróicas realizações.

Nas regiões selvagens ele teve de lutar contra a fome, a depressão do espírito, o medo de animais selvagens e as forças invisíveis das trevas.

Segundo os Anais de Nikonov, Sérgio perdeu até o medo dos ursos – reis das florestas selvagens da Rússia. Certa vez, vendo um imenso urso com fome que se aproximava de sua choupana, ele o alimentou com os restos de sua própria e escassa comida, e este urso tornou-se um amigo que o visitava pacificamente de vez em quando.

Então, em total solitude, os primeiros milagres aconteceram. Registrou-se que uma vez, enquanto lia sobre a vida da Mãe de Cristo, sua lâmpada a óleo apagou-se e Sérgio estava tão imbuído da força de seu espírito que o livro irradiava uma luz celestial e ele pôde então ler.

As notícias sobre o grande eremita se espalham pelo país e logo os primeiros peregrinos começam a aparecer, desejando imitar sua vida e pedindo ser aceitos como discípulos.

A comunidade cresceu rapidamente. No início havia uma escassez de tudo. “Eles vivem como pobres órfãos”, relatou um camponês que visitara a comunidade. E, no meio desta vida difícil, Sérgio era, ele próprio, a verdadeira encarnação do mandamento de Cristo, que determinara “Aquele dentre vós que quiser ser o primeiro, seja um servo de todos.” (Marcos,10,44)

Sérgio estava sempre vigilante, um professor observador, que vigiava e ajudava continuamente cada um de seus irmãos, especialmente os neófitos.

Apesar de sua ternura, ele nunca permitia qualquer desvio das regras estabelecidas. A disciplina severa que ele introduzira, demandava dos discípulos uma constante vigilância e observação das palavras, ações e pensamentos.

Tal disciplina fez daquela comunidade uma organização educacional que produziu homens valorosos, destemidos, treinados no auto-esquecimento, livres de desejos egoístas, tornando-se assim cooperadores do bem comum e criadores de uma nova consciência para a nação.

A comunidade, muito respeitada e amada por toda a vizinhança, logo recebeu doações e até grandes heranças, tendo assim se expandido grandemente.

Todavia, embora a comunidade já não mais passasse privações, Sérgio ainda continuou a levar uma vida o mais simples possível, jejuando freqüentemente e usando os tecidos mais rústicos.

Seus sermões eram sempre curtos, cheios de energia e convincentes. Em seu ensino ele atribuía a maior importância ao trabalho ativo.

Ele próprio conhecia o valor interior desse trabalho e portanto via o trabalho como condição e meio para a realização espiritual.

Sabia por sua própria experiência que, pelo aperfeiçoamento da qualidade do trabalho, o mais elevado podia ser atingido, ao passo que a preguiça, a indolência e o descanso não levariam a lugar nenhum – quaisquer que fossem as aspirações espirituais – pois no último caso, elas simplesmente permanecem intenções e não se tornam realidade.

Assim, na pessoa de Sérgio, a comunidade inteira tinha um exemplo real de um verdadeiro líder, que estabelecia bases firmes de cooperação verdadeira.

A Comunidade da Santíssima Trindade (como foi chamada) cresceu e prosperou. Ao mesmo tempo Sérgio iniciou a grande tarefa de disseminar esta forma de construtiva educação espiritual através de mosteiros ativos em todo o mundo.

Ele enviou seus discípulos para inaugurar novos centros, o que trouxe vida nova e força às atormentadas pessoas que se assustavam e temiam até o nome dos tártaros.

Sabe-se que Sérgio e seus discípulos mais próximos fundaram mais de 40 mosteiros deste tipo. Esse número aumentou para uma centena, com os discípulos que os seguiram mais tarde.

Em 1337, Alexis, o Arcebispo, que estava em avançada idade, desejou conferir a Sérgio o mais alto posto da Igreja em seu país – o Arcebispado. Porém, ele não aceitou, dizendo:

– “Por favor, perdoe-me, Senhor, mas desde a infância, nunca fui afeito à riqueza ou glória, e me convém então permanecer na mesma pobreza.”

– “Eu sei disso”, replicou o Arcebispo Alexis, “mas, convém também a ti manifestar obediência e, portanto, aceitar este posto, com minha bênção”.

Ele colocou a santa cruz sobre Sérgio. Mas este se manteve inflexível e decidiu continuar seu trabalho de sacrifício, que ele iniciara. Há uma linda passagem sobre este episódio de sua vida em “O Livro do Sacrifício”, que faz parte de Folhas do Jardim de Morya:

Ícone de São Sérgio

Através de que poder serás afirmado?
Como realizarás o cumprimento de Nosso trabalho?
Pelo Poder dado por nós.
Deverei falar de Poder quando toda insensatez, toda
Ignorância, toda vaidade se esforçam pelo poder?
Mas Eu digo e atesto, Nosso Poder é diferente.
Nosso Poder é sacrifício!

Quando Sérgio de Radonega declinou do trono do Metropolita,
Quando ele estava aprendendo a conversar com os animais,
Ele ainda permaneceu para construir monastérios,
E manteve ao seu redor seus discípulos.

Sabendo em que está a realização espiritual,
Sabendo que o poder é sacrifício,
Enquanto afirmas a vitória, dirás:
“Senhor, que este cálice se afaste de mim.”
Então já tens o direito de criar,
E teu espírito já é inconquistável.
(Livro um, 353)

A maior de todas as virtudes humanas – o sacrifício – foi o traço fundamental do caráter de Sérgio. Ele viveu e trabalhou somente para o bem-estar espiritual daqueles que lutavam para melhorar.

Sérgio faleceu em 25/09/1392, aos 78 anos de idade... (o dia de São Sérgio é 20/09)... Milagres continuaram a ser atribuídos a seu espírito, mesmo agora, pois tem havido inúmeros casos de visões nos quais ele aparece para aconselhar e guiar seu povo...

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MONUMENTOS BRANCOS DE VLADIMIR E SUZDAL (1992)

Estes dois centros de arte na Rússia central, Vladimir e Suzdal, possuem magníficos edifícios públicos e religiosos dos séculos XII e XIII. Destacam-se, acima de todos, as obras-primas da Igreja de São Demétrio e a Catedral da Suposição da Virgem, que lhes asseguram um lugar importante na história arquitetônica russa.

Considerada a pérola da arquitetura russa, Vladimir está localizada a 170 quilômetros de Moscou, a cidade integra a famosa rota “Anel de Ouro”, da Rússia. Antiga capital medieval, conserva três catedrais do século XII, consideradas as mais perfeitas realizações da arquitetura medieval russa.

A catedral de São Demétrio tem fama mundial por suas esculturas. A catedral da Dormição da Virgem, decorada com painéis do início do século XV, de autoria do maior pintor de ícones da Rússia: Andrei Rublyov, serviu de modelo para a construção da catedral de Moscou.

Suzdal, a 35 quilômetros de distância, é uma cidade única em seu gênero. Foi sede de um poderoso principado na Idade Média e, hoje, é uma cidadezinha rural de 12 mil habitantes que conserva o testemunho histórico de sua grandeza: o Kremlin, o palácio do bispo, inúmeras igrejas e mosteiros, o museu da arquitetura de madeira e a praça do Mercado.

Suzdal surgiu no começo do século XI como um povoado de comerciantes artesãos. Em 1225, foi construída a catedral da Natividade, cujas portas de auro não há igual na arte medieval da Rússia.

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FERROVIA TRANSIBERIANA

A Rússia é tão grande (tem mais de duas vezes a área do Brasil) que se pode permitir mandar os “indesejáveis” para muito longe, sem transpor as fronteiras nacionais, através da Ferrovia Transiberiana... Na última década do século XIX, em 1891, o czar Alexander II iniciou a construção dos primeiros trechos da ferrovia entre Moscou até Vladivostok.

Quando ele morreu, 3 anos mais tarde, Nicholas II continuou seu projeto, terminado em 1901, cruzando a Mandchúria até Vladivostok. Antes, em 1900, o czar deu à sua esposa um Ovo Imperial Fabergé que mostra a rota dessa Ferrovia.

Têm 7.371 quilômetros de trilhos, desde Moscou até a costa do Pacífico, abrangem oito fusos horários e atravessam taigas, estepes e desertos, fazendo o passageiro saborear de modo gradativo a transição cultural entre a Europa e a Ásia.

Na verdade, a Transiberiana não é uma linha única, mas um coplexo de ramais ferroviários que derivam para diferentes regiões como o Turquestão, a Mongólia e a Mandchúria. De grande importância econômica e militar, é a maior ferrovia do mundo!

Abaixo, uma série de dois valores foi emitida pelo Congo em 1991 (Yvert: 903/904), ela comemora o Centenário da Ferrovia Transiberiana (1891-1991).

O bloco da Federação Russa, abaixo, foi emitido em 2002 (Scott: 6683).

GIRAFAMANIA
Última atualização: 29/03/2008.
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