O Grande Navegador da Dinastia Ming
Em caracteres chineses, o nome de Zheng He grafado em chinês simples (abaixo, lado esquerdo) e nome de Zheng He grafado em chinês tradicional (abaixo, lado direito, também na imagem acima).
Foto-imagem de Zheng He Institut
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Zheng He foi nomeado originalmente como Ma Sanbao ou ainda Ma He (seu apelido Ma vem do árabe Mohamed). Também é conhecido por Zhèng Hé (Hanyu Pinyin) ou Cheng Ho (Wade-Giles).
O nome de Zheng He grafado em chinês na forma tradicional e na simplificada (abaixo, lado esquerdo) e o nome Ma Sambao (abaixo, lado direito).
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Zheng He nasceu em 1371, na região da Prefeitura de Kunyang (hoje, conhecido por Jinning County, em Kunming), na Província de Yunnan, de uma família muçulmana, cuja história remonta a Dinastia Song (960-1279).
De nacionalidade Hui? (minoria na China), pertenceu a minoria Semur que era originalmente da Ásia Central. Seu pai e seu avô tinham viajado em perigrinação à Meca. Aos dez anos, foi capturado em uma campanha militar e feito eunuco.
Trazido à Corte em Pequim, participou de várias campanhas militares, sobretudo na guerra de sucessão de Jinnan, ao lado de Zhu Di, Príncipe de Yan, que veio a ser o imperador Yongle. Tornado um valido do Imperador, foi-lhe dado em 1404 o apelido – Zheng, quando passou a denominar Zheng He.
Sete expedições navais ocorreram durante 28 anos, entre 1405 a 1433. Juntas, totalizam 50 mil quilômetros, entre mais de 30 antigos reinados e territórios, aproximadamente. Elas narram um período particular de prosperidade durante a antiga Dinastia Ming (1368-1644). Essas viagens são chamadas de "Eunuch Sanbao to the Western Ocean" ou "Zheng He to the Western Ocean".
"O Oceano Ocidental" é uma referência aos lugares africanos e asiáticos que Zheng He explorou, incluindo Cochin e Calicute, na costa oeste da Índia, o Estreito de Hormuz, a Pérsia e Jidá, na Arábia. Também visitou as Ilhas Maldivas, Java, Sumatra e Bornéo, assim como a costa da África.
O portulano de Zheng He forma expedições que mobilizaram meios consideráveis. Ele navegava com dezenas de barcos "carregados de tesouros" – mais de sessenta, em uma das viagens – e até 28 mil soldados e tripulantes a bordo...
Observação: a frota de Pedro Álvares Cabral leva 1.500...
Nos anos de 1930, um pilar de pedra foi descoberto em Changle, uma cidade da Provínca de Fujian. Ele contém inscrições que descrevem as incríveis viagens de um chinês chamado Zheng He. Quinhentos anos antes, em 1431, Zheng He tinha escolhido esse lugar para construir um pilar, no Templo da Esposa Celestial, uma deusa taoista. Zheng He descreveu como o Imperador da Dinasta Ming o ordenou a navegar para "os países ao longo do horizonte, todos os caminhos que levam ao fim do mundo". Sua missão foi mostrar o poder chinês e adquirir respeito dos povos "bárbaros através dos mares". O pilar contém os nomes em chinês, dos países que Zheng He visitou. Num todo, ele visitou 30 nações da Ásia até a África.
Estátua de Zheng He construída em 1930, na Província de Fujian (sudeste da China).
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Em 1985, durante o aniversário de 580 anos das viagens de Zheng He, sua tumba foi restaurada. A nova tumba foi construída no lugar do tumba original em Nanjing e reconstruída de acordo com os custumes e ensinamentos Islãmicos, pois Zheng He era muçulmano. As palavras árabes "Allah (Deus) é Grande" estão escritas no topo da tumba.
Zheng He morreu em Calecute (Índia), no ano de 1433, após 28 árduos anos de viagens marítimas. Os seus restos mortais trazidos para a China repousam em Niushoushan, na cidade de Nanjing (leste do país, próxima a Xangai).
Zheng He construíu vários navios de madeira, alguns dos quais são os maiores da história da humanidade. Três dos estaleiros ainda existem atualmente, em Nanjing, China. Do lado esquerdo, 2/3 oz moeda de prata comemorativa de Zheng He. Do lado direito, foto da tumba de Zheng He.
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Entre 1405 a 1433 (na Dinastia Ming), Zheng He comandou 7 expedições aos "Oceanos do Oeste" sob ordens reais, visitando mais de 30 países e regiões na Ásia e África. As setes viagens foram sem comparação na história marítima do mundo.
A frota de Zheng He compreendia mais de 200 navios, com mais de 20.000 tripulantes. O navio de 100 metros, conhecido como "tesouro de navio" - "treasure ships", navegava em comboio com a frota de navios de batalha, navios de suprimentos de água e cavalos.
A frota, guiada pelas estrelas, obteve grande sucesso em alcançar a costa do leste africano, usando a astronomia náutica e a geonavegação. O tamanho dos navios, o equipamento usado e a distância alcançada, demonstraram a tecnologia náutica da China, durante a Dinastia Ming.
Esse grande acontecimento na história da navegação mundial demonstrou a avançada tecnologia de construção e navegação da China antiga, assim como a bravura do povo chinês na exploração, determinação e persistência diante das dificuldades e adversidades, também o amor tradicional pela paz e a amizade entre países vizinhos.
A comemoração dessas grandes viagens históricas para os mares do oeste é de extrema importância para a promoção do espírito nacional chinês e a construção de uma sociedade harmoniosa.
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| Primeira Expedição (1405-1407) |
Cantão, Málaca (cidade da Malásia) e Palembang (Ilha de Sumatra), na Indonésia
Em Julho de 1405, do porto de Liujia, próximo a Suzhou, uma vasta frota partiu... Formada por 62 navios manejados por mais de 27.800 homens, incluindo marinheiros, intérpretes, oficiais e soldados, artesãos, médicos e meteorologistas.
O ponto alto dessa expedição foi o confronto de Zheng com o pirata Cantonês Chen Zuyi, que agia há anos no Estreito de Málaca. As forças de Zheng lutaram em uma batalha sangrenta, capturando e trazendo o pirata para a China, onde foi executado em 1407. Tal ação liberou o Estreito de Málaca e conferiu à corte Ming grande reputação no Sudoeste da Ásia, como uma força honrosa.
| Segunda Expedição (1407-1409) |
Guli (Índia), a cidade de Ayuthia (no Sião, atual Tailândia) e Maja Pahit (na Ilha de Java), na Indonésia
Essa foi a primeira expedição chinesa em águas do Oceâno Índico. Guli (agora Calicute), um livre porto na costa oeste da Índia do século XV, já fazia comércio com a China muito tempo antes. Zheng He recebeu ordens para visitar o rei de Guli com presentes do Imperador. Em seu retorno à China, ele construíu um templo em agradecimento à deusa chinesa do mar.
| Terceira Expedição (1409-1411) |
Guli, Sião, Málaca e Singhala ou ex-Ceilão (atual Sirilanca)
Zheng He foi à Málaca e levou a princesa da China, Hang Li Po, a qual se casou com o rei de Málaca. A princesa levou 1.500 servas e estabeleceram-se em Bukit Cina, em Málaca. Hoje, os descendentes dessas pessoas são conhecidas como Baba (os homens) e Nyonya (as mulheres).
Na mesma época, a frota de Zheng foi atacada, à noite, pelo diregente local do Ceilão que, aparentemente, cobiçava os seus bens. Porém, o dirigente (rei Alagonakkara?) e sua famíla foram capturados por Zheng e levados à China. Outras principais atividades foram as cortesias diplomáticas.
| Quarta Expedição (1413-1415) |
Ilhas Maldivas, Estreito de Ormuz, no sul do Irã, Áden (cidade do Iêmen), norte da Somália e Sumatra
Essa expedição foi maior do que as anteriores e alcançou significativamente outros lugares, do que os 3 previstos anteriormente. No caminho de volta, as forças de Zheng se envolveram em uma guerra civil de Sumatra... Zheng capturou o guerrlheiro (levando-o para a China como prisioneiro) e escolheu um regente para ser coroado em Sumatra.
O mais extraordinário animal dos que Zheng He trouxe da África foi uma girafa.
O animal veio de onde é, atualmente, a Somália. Na língua Somali, o nome para girafa soa similar à palavra chinesa para o unicórnio - qilin - o qual representa um lendário animal, de grande reputação, uma vez que foi parte importante do nascimento de Confuciu.
Os oficiais pensaram que deveria ser um sinal dos céus para o reinado do Imperador... Quando a girafa chegou, em 1415, o próprio Imperador foi ao portão do palácio para receber "o auspicioso animal".
| Quinta Expedição (1417-1419) |
O propósito dessa expedição foi de enviar para casa os mensageiros que tinham ido à China na Quarta Expedição. Quando esses chegaram em casa e relataram a reação dos chineses ao verem uma girafa, o povo juntou mais animais exóticos locais e Zheng He os levou como presentes; entre eles um "celestial cavalo" (zebra) e um "celestial antílope" (orix).
| Sexta Expedição (1421-1422) |
Cochin e Calicute (na costa oeste da Índia), Lambri?, a cidade de Chittagong (da extinta Bengala, atual Bangladeche), Bornéo (Indonésia), Mogadíscio, capital da Somália e Zanzibar (Tanzânia)
Em sua sexta expedição, Zheng pode ter navegado através do Estreito de Moçambique, entre as modernas nações de Moçambique e Madagáscar. Essa viagem parece ter sido amplamente diplomática. Mais girafas foram levaras para a China...
| Sétima Expedição (1432-1433) |
Em 1424, o Imperador Yongle morreu. Seu sucessor, Hongxi (1424-1425), já decidiu cortar a influência dos eunucos na corte... Mas Zheng He fez sua última viagem no reinado do Imperador seguinte, Xuande (1399-1435) que reinou entre 1426 a 1435. Depois disso, a China ficou isolada do mundo, fechou-se em si mesma e sumiu dos mares...
Guli foi o lugar em que Zheng He morreu, em 1433. Dizem que o lugar era muito especial para Zheng He, pois ele visitou a cdade varias vezes... Sessenta e cinco anos após a morte de Zheng He, uma frota portuguesa atracou no porto de Guli pela primeira vez e a renomeou como Calicute.
A burocracia fechou os estaleiros, cortou o orçamento naval, proibiu novos contatos com o exterior, mandou destruir a frota e até os registros das viagens do almirante eunuco. O comércio, para eles, era uma atividade baixa e indigna e a expansão marítima representava um risco para a integridade do império.
Não fosse isso, talvez os espanhóis e os portugueses não tivessem tido a chance de conquistar o Novo Mundo... Malinde é o último porto africano que a frota de Vasco da Gama vai tocar apenas em 1498, antes de cruzar o Índico e chegar no porto de Calecute, na Índia...
Recaptulando o Caminho de Zheng He, com os países em ordem alfabética...
– Arábia Saudita – cidade de Jidá, no Mar Vermelho, no oeste do Reino da Arábia Saudita
– Bangladeche – cidade de Chittagong, localizada na extinta Bengala, hoje, República Popular de Bangladeche
– China – Hangchow ou Guangzou, cidade localizada na região de Xangai, na região leste do país (com emissão postal)
– Cingapura – atual República de Cingapura (com emissão postal)
– Hong Kong – Cantão (Guangdong) que representa o Sul da China (com emissão postal)
– Iêmen – Áden, uma grande cidade da República do Iêmen, no Golfo de Áden
– Índia – cidades de Guli (agora Calicute) e Cochin, ambas localizadas na costa oeste da República Federal da Índia
– Indonésia – Palembang (na Ilha de Sumatra), Maja Pahit (na Ilha de Java) e incluindo Bornéu, todas na República da Indonésia (com emissão postal)
– Irã – Bandar Abbas, localizada no Estreito de Ormuz, entre os Golfos de Omã e o Pérsico, ou entre a Península Munsandam, de Omã, e o sul do Irã, na República Islãmica do Irã (ex-Pérsia)
– Macao – Cantão (Guangdong) que representa a região Sul da China (com emissão postal)
– Malásia – cidade de Málaca, na Federação da Malásia (com emissão postal)
– Maldivas – Ilhas da atual República das Maldivas
– Moçambique – o Canal de Moçambique, localizado entre a República de Moçambique (ex-Colônia Portuguesa) e a República de Madagascar (ex-Colônia Francesa), com emissão postal
– Omã – o Estreito de Ormuz, entre os Golfos de Omã e o Pérsico, ou entre a Península Munsandam, de Omã, e o sul do Irã, no Sultanato de Omã
– Quênia – as cidades de Malindi e Mombaça, localizadas na costa da República do Quênia
– Sirilanca – Singhala ou "Ilha do Leão", a qual foi batizada pelos portugueses como Ceilão, atual República Social Democrática do Sirilanca
– Somália – cidade de Mogadíscio, capital da República Democrática da Somália (país no "Chifre da África", que margeia o Golfo de Áden e o Oceano Índico); a girafa era chamada na língua da antiga Somalilândia de Girin (com emissão numismata)
– Tailândia – cidade de Ayuthia, no ex-Sião, atual Reino da Tailândia
– Tanzânia – a Ilha de Zanzibar, na atual República Unida da Tanzânia
– Vietnã – antiga cidade de Saigon (atual Ho Chi Minh), na República Socialista do Vietnã
Veja a matéria de quando a China regeu os mares: Do Rio de Juncos aos Navios Tesouros!
Outro texto encontrado:
From around 800 until 1368 (the end of Yuan dynasty, the beginning of Ming dynasty) Chinese merchant vessels began to visit Southeast Asia and travel as far as India. Srivijaya was the main port of call for the Chinese junks. During this period, Chinese diaspora settlements developed in the existing ports or they formed new settlements in coastal regions of Southeast Asia.
Islam entered Southeast Asia through two different routes: northern and southern. The northern route was through the ancient Silk Road which connected Europe, Arabia, Persia, central Asia, and China. The southern route was from Arabia through India, then to Aceh at the tip of Sumatra. A Muslim explorer, Ibn Battuta, arrived at the city of Quanzhou in Fujian province, southern China in 14th century, and he called it Zaitun. Chinese Muslim communities lived in southern China, especially in Yunnan province. Most of them adopted "Ma" family name, which means "horse" and associated with "Muhammad".
Zheng He (or Ma He) was born as a second son of a Muslim family in Kunyang, central Yunnan in southern China. His father and his grand father were both Haji, and their family name is Ma. Ma He’s father was killed in 1381 by a Ming Dynasty military expedition; he was captured and turned into a eunuch for the Nanjing palace. He became a close friend of prince Zhu Di – who later became Emperor Yangle or Ming Cheng Zu – and Ma He was promoted into the Grand Eunuch rank and received a new family name, Zheng.
Emperor Yangle appointed Zheng He as Admiral to lead a Ming Dynasty’s armada to extend friendship and trade relations into the Indian Ocean. Zheng He had a personal intention to make the pilgrimage to Arabia too. Zheng He expeditions (1405-1433) planted seeds of new settlements and consolidated all overseas Chinese settlements under Ming’s authority.
The first expedition (1405-1407) was from Nanjing to Calicut, also visiting Champa, Java, Srivijaya, other places in Sumatra, and Ceylon. The second expedition (1407-1409) was a voyage to India and to install the new king of Calicut. The third expedition (1409-1411) was to Champa, Temasek, Malaka, Sumatra (Samudera and Tamiang), and Ceylon. The fourth expedition (1413-1415) was a voyage to Champa, Java, Sumatra, Malaya, Maldives, Ceylon, India, and Hormuz. The fifth expedition (1417-1419) was to Champa, Java, Palembang, Aden, Mogadishu, Brawa, and Malindi on the west coast of Africa. The sixth expedition (1421-1422) was to Africa – and all over the world. This 6th expedition is particularly important after new research and evidences have pointed out a strong possibility that Zheng He armadas were successfully mapping the whole globe and leaving a lot of traces all over the world. Finally the seventh expedition (1431-1433) was to southern Vietnam, Surabaya, Palembang, Malaka, Samudera, Ceylon, Calicut, Africa, and Jeddah.
Zheng He himself had never made a visit to Mecca. He died on board at 62 and was buried in the Indian Ocean according to Muslim custom. In July 1433 the fleet arrived in China. A tomb in Niu Shou Shan hill close to Nanjing was built to honor him, and is believed to contain some of his relics. His death was also the end of the great maritime age of China. He was commonly called San Bao Gong (Sam Po Kong, in Fujianese), or San Bao Da Ren (Sam Po Tay Jin, in Fujianese), and many temples were erected all over coastal settlements in Southeast Asia to worship him, as the founding father of their cities.
After the end of the Zheng He's voyages and the gradual decline of tributary trade with China, some sailors and officers of Zheng He's fleet left China secretly with their families and settled down throughout Southeast Asia to find a better life for them. By the end of the 16th century there were tens of thousands of Chinese settled in such places as Luzon in the Philippines. Most of the Chinese colonies in Southeast Asia in the 16th century consisted of illegal traders or pirates, who tried to make profits from the failing tributary system during the end of Ming dynasty period.
Última atualização: 27/03/2008. |