VICTOR HUGO (1802-1885)
a “girafa literária”


Novelista, poeta e dramaturgo, foi o mais importante escritor romântico francês.

Hugo developed his own version of the historical novel, combining concrete, historical details with vivid, melodramatic, even feverish imagination. Among his best-known works are O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame) e Os Miseráveis (Les Misérables).

Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon, filho de Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo e Sophie Trébuchet. Seu pai foi um oficial da armada de Napoleão, an enthusiastic republican, who loved dangers e aventuras.

After the marriage of his parents had collapsed, he was raised by his mother.

Em 1807, Sophie took her family for two years from Paris to Italy, where Léopold served as a governor of a province near Naples.

When General Hugo took charge of three Spanish provinces, Sophie again joined her husband. Sophie's lover, General Victor Lahorie, her husband's former Commandin Officer, was shot in 1812 by a firing-squad for plotting against Napoleon.

From 1815 to 1818 Hugo spend in the Pension Cordier in Paris, but most of the classes of the school were held at the Collège Louis-le Grand. He began in early adolescence to write verse tragedies and poetry, and translated Virgil.

Hugo morreu em Paris, no dia 22 de maio de 1885. He was given a national funeral, attended por dois milhões de pessoas e foi enterrado no Panthéon.

At the age of sixteen he noted: "Many a great poet is often / Nothing but a literary giraffe: / How great he seems in front, / How small he is behind!"

Many a great poet is often (Muitos dos grandes poetas são frequentemente)
Nothing but a literary giraffe: (Nada mais que uma girafa literária:)
How great he seems in front, (Quão grande ele parece à frente,)
How small he is behind! (Quão pequeno ele está ao lado!)
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Emissões Filatélicas

Selo da França emitido em 11/12/1933, com valor facial de 1,25 Franco.

Do lado esquerdo, selo emitido em 16/11/1936, com valor facial de 50 c. Do lado direito, selo emitido em 9/05/1938, também com valor facial de 50 c. Ambos tem uma adição no valor da taxa paga de "+10c", a qual foi destinada ao benefício de intelectuais desempregados...

Selo emitido em 25/02/1985, com valor facial de 2,10 Franco, mais adição de 0,50F, destinada ao benefício da Cruz Vermelha francesa.

Série de 2 selos emitida em 01/07/2002, por Mônaco: Aniversário de 200 Anos do Nascimento de Victor Hugo (1802-1885), com valores faciais de 0,50 € e 0,57 € centavos de Euro.

Abaixo, emitida por Guernsey, em 2002, uma folhinha com 6 selos (Yvert Bloco: 46, série: 923/928) que comemora o bicentenário de Victor Hugo. A peça "Les Misérables" (Os Miseráveis) foi baseada na novela original escrita em Guernsey, por Victor Hugo, em 1862.

Outras emissões:
Albânia 1972 ou 1997 – Victor Hugo (autor francês), Galileo Galilei (filósofo e matemático italiano), Charles Robert Darwin (biologista inglês) e Miguel Cervantes (novelista espanhol).

PÁGINA DA FRANÇACOLEÇÃO LITERATURA

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JOAQUÍN TORRES GARCÍA (1874-1949)
e o brinquedo pedagógico: girafa

Em 1934, depois de passar quarenta anos na Europa, o uruguaio Torres García regressou à sua cidade natal, Montevidéu – Uruguai. A partir daí, realizou mais de 500 conferências sobre arte construtivista, uma das correntes abstratas.

Desses encontros, 150 foram reunidos no livro Universalismo Construtivo, organizado por ele. Para a edição, ele criou 253 desenhos que representam técnicas e temas pioneiros na América Latina, baseados em regras matemáticas e formas geométricas.

Joaquín Torres García pintou “Locomotora con casa constructiva” (Locomotiva com casa construtiva), óleo sobre tela (72,8 x 59,3 cm), em 1934.

Nesse mesmo ano, voltou a Montevidéu depois de passar décadas no exterior, um evento que influiria sobre a produção plástica de toda a América Latina.

Esse quadro (foto abaixo) resume as idéias que o artista expressaria no seu manifesto La escuela del sur, de 1935, que promoveu uma arte unicamente sul-americana.

Inspirando-se no seu ambiente, Torres-García desenvolveu obras esquemáticas e simbólicas que evocavam o desenho e o ritmo da cidade. Esta composição abstrata registra as formas e as cores das casas estreitas e das ruas vertiginosas de Montevidéu.

Nota: parece que 73 pinturas e murais de sua autoria foram destruídos no incêndio do Museu de Arte Moderna carioca, em 1978.

Fonte: MON – Museu Oscar Niemeyer

Joaquín Torres García, o construtivista da América Latina

Idealista e realista ao mesmo tempo, Torres García lutou ao longo da sua vida por estabelecer na América Latina o ideal de uma arte própria, inédita e orgulhosa das suas raízes.

Com esta idéia, este pintor nascido em Montevidéu, Uruguai, em 1874 se converteu no principal ícone do construtivismo na região e dedicou os últimos anos da sua vida a difundir no seu país essa concepção universal da arte que o converteu num pintor especial.

De pai catalão e mãe uruguaia, Torres García mostrou desde muito jovem a sua inclinação pelas artes plásticas. Com 17 anos abandona Uruguai junto à sua família, para instalar-se em Barcelona, Espanha.

Ali começará a sua trajetória pictórica através de diferentes centros de aprendizagem. Primeiro na Academia Baixa, e posteriormente na Escola Oficial de Belas Artes. Durante estes anos de grande agitação artística na capital catalã, o pintor conhece Picasso e colabora com Gaudí na catedral da Sagrada Família.

Nesta primeira etapa, a sua obra foi evoluindo para o planismo, passando posteriormente por uma etapa de afastamento de tudo o superficial, tendo como base da sua inspiração a arte grega.

Entre 1900 e 1910 começa o seu trabalho pedagógico e docente na escola Mont d'Or, onde introduz, de forma pioneira na Espanha, o desenho ao Natural, baseado em copiar exatamente o modelo exposto.

Rapidamente Torres García consegue um reconhecimento que lhe permite realizar os seus primeiros trabalhos como a decoração mural da capela do Santíssimo Sacramento da Igreja de Santo Agustín, de Barcelona, e a decoração da abside da Igreja da Divina Pastora, no bairro de Sarriá (Barcelona), as duas em 1904.

Em 1909, o artista casa-se com Manolita Piña de Rubiés, com quem teve quatro filhos.

Um ano mais tarde, pintou dois grandes painéis para a decoração do pavilhão do Uruguai na exposição Universal de Bruxelas, com duas alegorias da agricultura e da pecuária.

Sempre inquieto, em 1913 publicou o seu primeiro livro Notes sobre Art, e em junho desse mesmo ano começou o primeiro fresco para o Salão São Jorge, chamado A Cataluña eterna.

Estes foram anos muito prolíficos na vida de Torres García, já que no final de 1913 fundou a Escola de Decoração em Sarriá com o objetivo de formar uma canteira de muralistas e decoradores que pusessem em prática as suas teorias.

Entre as principais obras deste período destacam La Colada (1903), La casa del lavadero (1903) e El pintor com su familia (1917).

Saída de Barcelona

Apesar do seu sucesso como artista, as dificuldades econômicas o obrigaram a partir, em 1920, com a sua família para Nova York, e nunca mais regressou a Barcelona.

Na cidade norte-americana apesar de conhecer a personagens como Edgar Varèse, Max Weber e Marcel Duchamp, não conseguiu resolver os seus problemas econômicos.

Em 1924, Torres García retornou à Europa, a Livorno (Itália), e começou a pintar um quadro animado por Charles Logasa. As boas críticas que procediam de Paris, levaram-no a transladar-se à capital francesa em 1926.

Em Paris, junto a artistas como Daura, Hellion e Aberdan, realizou a exposição "Cinq refusés par le jury du salon d'Automne". Ali conhecerá ao pintor e arquiteto holandês Theo Van Doesburg, com quem inicia uma grande amizade e uma enorme colaboração artística.

Torres García se incorporou na capital francesa ao nascimento do movimento construtivista, contribuindo a esta corrente o ordem e a lógica na composição mediante regras como o número áureo e a inclusão de figuras simbólicas que representam ao homem, ao saber, à ciência e às cidades.

Em 1932, chega a Madri, em plena II República, e um ano mais tarde configura o Grupo Construtivo e organiza exposições no Salão de Outono.

Esta época, a mais instável em quanto ao seu domicílio, ficou marcada por obras como Paisaje de ciudad (1928), Nueva York (1929), Constructivo (1928) e Pintura Constructiva (1929), entre outras.

Volta ao Uruguai

Em 1934, o artista regressa com a sua família ao Uruguai, à sua Montevidéu natal, onde foi recebido como um membro da elite. Quando chegou, mostrou ao seu país as suas teorias artísticas de vanguarda.

A arte uruguaia, que até então estava concentrada num conservador gosto europeu, rapidamente converteu a Torres-García num personagem polêmico.

Em Montevidéu, fundou a Sociedade das Artes do Uruguai para integrar a todas as artes e servir de ponto de união entre artistas e público. Inaugurou a sala de exposições Estudo 1037, organizando mostras de arte com artistas nacionais como Gilberto Bellini, José Cúneo, Carlos Prevosti, e o seu próprio filho, Augusto Torres García.

Depois de ser nomeado professor honorário da Faculdade de Arquitetura de Montevidéu, publicou o seu livro Estrutura (1935) e funda a Associação de Arte Construtiva.

Já na última década da sua vida, começa a mostrar nas suas obras a influência da arte pré-colombina e indígena, como se observa em Monumento Cósmico.

Durante todos esses anos trata de implantar no Uruguai a arte construtiva, sobretudo através do uso da simbologia própria indígena do continente ibero-americano.

Em 1944, recebe o Prêmio Nacional de Pintura, com uma grande homenagem ao que foram Pablo Picasso, Gregorio Marañón e Pablo Neruda, entre outras personalidades da época.

Desta última etapa são as suas obras mais conhecidas e valorizadas mundialmente: Composición en rojo, blanco y negro (1938), Suburbio (1938) e Arte Universal (1943).

Durante os seus últimos anos, o pintor uruguaio fez uma chamada contínua aos artistas da região a não "deixar de ser latino-americanos", contribuindo uma nova dimensão à construção de uma linguagem pictórica, moderna e americana.

Um exemplo disto é a sua reconhecida obra "América investida", na que desenha um mapa do continente "de cabeça pra baixo". No seu livro Universalismo Construtivo de 1941, Torres García explica este desenho da seguinte maneira:

"Pomos o mapa de cabeça pra baixo e então temos a justa idéia da nossa posição, e não como quer o resto do mundo". "Em realidade nosso norte é o Sul, não deve existir mais norte para nós, senão como oposição ao sul."

"A ponta da América, desde agora, prolongando-se, assinala insistentemente ao Sul, nosso norte", conclui o artista.

Torres García simbolizou, sem dúvida, o ponto de partida das vanguardas da América Latina. García faleceu em Montevidéu, o seu lugar de nascimento, no dia 8 de agosto de 1949.

 

A exposição “Aladdin e Universalismo Constructivo”, ocorrida no primeiro semestre de 2007, no MON (http://www.pr.gov.br/mon/imp_passadas.htm), marcou o início do Museu Oscar Niemeyer no “Projeto Olhar Aprendiz”...

As coleções exibiram pela primeira vez no Brasil, os geniais brinquedos desmontáveis de madeira, pintados, criados pelo artista uruguaio...

Reuniu 130 obras, aproximadamente, divididas em duas coleções, pertencentes ao Museu Torres García, em Montevidéu. Foram apresentados 98 desenhos, 24 conjuntos de brinquedos e oito pinturas construtivistas de grande porte, criadas a partir de 1929, em Paris.

Aladdin” foi composta por brinquedos antigos como Avestruz (1925), Arlequin (1925), Carro com cavalo (1917/1919), Corvo verde (1921), Girafa (1917/1919), estudos e maquetes de cenários de teatro, e “Universalismo Construtivo”, considerada sua obra-prima, apresentou objetos, pinturas e esboços.

La creación de juguetes de madera pintada constituye uno del los capítulos más interesantes de la vida de Joaquín Torres García. Destinados a los niños, ya en su época eran ampliamente apreciados como obras de arte por su originalidad y lenguaje estético, que en muchos casos precedió la creación de obras de mayor formato.”

“Jirafa” (1917/1919)
(Girafa)
Joaquín Torres García
Aladdin Brinquedos (Itália)
Madeira pintada (72,8 x 59,3 cm)

Museu Torres García (Montevidéu – Uruguai)
Peatonal Sarandí 683, Montevideo I CP 11000 I
torresgarcia@montevideo.com.uy
http://www.torresgarcia.org.uy/

Com esta mostra, o museu iniciou também o Projeto Olhar Aprendiz, que prevê o lançamento de cadernos e cartilhas para professores e alunos – de 6 a 14 anos – como forma interativa e complementar às visitas feitas às exposições.

Brinquedos – O pintor inicia seu projeto de fabricação e distribuição de brinquedos desmontáveis de madeira, aos 44 anos, ao final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando morava na Europa. Chegou a trabalhar com Gaudí na produção dos vitrais da Catedral de Palma de Mallorca e da Sagrada Família (Barcelona).

Ele exibiu os brinquedos pela primeira vez em Barcelona, na exposição Brinquedos de Arte, em 1918. A recepção foi muito boa, mas o retorno financeiro não ocorreu na mesma proporção. Dois anos depois, pressionado por sucessivas crises econômicas, Torres García começou uma vida itinerante, de cidade em cidade. Ao todo foram 13 locais diferentes, entre 1916 e 1926. Retornou em 1934 para Montevidéu, já aos 60 anos de idade.

Suas iniciativas contaram com a ajuda de amigos, comerciantes, políticos e intelectuais. Os brinquedos, desenhos, artigos, pinturas e conferências sobre arte chegaram a atrair a atenção de artistas de vanguarda, como Miró. Em 1924, constituiu a Aladdin Companhia de Brinquedos, em Nova York, destruída por um incêndio no ano seguinte.

Apesar de os brinquedos terem sido exportados para vários países e serem apreciados em toda a Europa como obras de arte, pela originalidade e linguagem estética, os negócios não prosperaram e a fabricação em grande escala foi interrompida.

Torres García manteve apenas a empresa Aladdin Brinquedos, com escritório comercial em Florença (Itália). Já a Aladdin Companhia de Brinquedos, de Nova York, era a empresa que emitia ações e possuía uma fábrica para a produção de brinquedos, sobretudo "cavalos mecânicos", dos quais chegaram a ser fabricados cerca de 100 por dia. Com a extinção dela, a produção de brinquedos retorna ao processo artesanal, apenas como auxílio financeiro, e a pintura volta a ser prioridade.

Pinturas Construtivistas – A partir de 1926, Torres Garcia passou a morar em Paris. Artisticamente é o período mais rico para ele, porque teve a oportunidade de expor em diferentes galerias. Vendia tudo o que produzia e o seu trabalho obteve reconhecimento. Nos dois anos seguintes foi influenciado pela arte primitiva e pela arte negra, quando conheceu Mondrian. Em 1929, pintou as primeiras obras construtivas e sua pintura tende à abstração.

Nesta época criou o movimento artístico "Cercle et Carré" (círculo e quadrado) junto com o escritor e pintor Michel Seuphor e outros artistas de vanguarda. O "Movimento Círculo e Quadrado" surge com tendência construtivista e abstrata, como resposta ao surrealismo. Mais tarde, em Madri, desenvolveu os conceitos do Universalismo, transformado em publicação em 1944.

Na imagem abaixo você vê bichos iguais em três tamanhos (grande, médio e pequeno). Escolha 3 bichos para cada tamanho e recorte-os, pelo retângulo verde... Foto: MON EDUCATIVA 13...

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Fonte: ITAÚ CULTURAL – http://www.itaucultural.org.br/

Definição de Universalismo Construtivo

O termo remete diretamente à produção do grupo Cercle et Carré [Círculo e Quadrado], criado em Paris, no ano de 1929, pelo pintor uruguaio Joaquín Torres-García (1874-1949) e pelo crítico e artista gráfico belga Michel Seuphor (1901-1999). A Associação e o Jornal de mesmo nome têm como objetivo primeiro instaurar um debate sobre as idéias construtivistas e divulgar a arte abstrata, como revela a exposição realizada em 1930 na Galeria 23, em Paris, reunindo Jean Arp (1887-1966), Wassily Kandinsky (1866-1944), Fernand Léger (1881-1955), Le Corbusier (1887-1965), Piet Mondrian (1872-1944), entre outros. Ao colocar a ênfase das pesquisas nas idéias de estrutura e construção, o grupo recusa o irracionalismo e as motivações inconscientes preconizados pelo surrealismo, de forte penetração na época. Ainda que conectado ao abstracionismo geométrico e às tendências construtivas da arte moderna – sobretudo ao neoplasticismo de Mondrian, Theo van Doesburg (1883-1931) e Vantongerloo (1886-1965) –, o universalismo construtivo, sistematizado por Torres-García em diversos escritos e testado em toda a sua obra, adquire caráter próprio ao sublinhar o valor simbólico da forma. O lugar e a dimensão dos símbolos no interior da estrutura do quadro definem-se em função da tentativa do pintor em obter uma síntese entre idéia e forma.

Formado em Barcelona, onde trabalha com Gaudí (1852-1928) e conhece Julio González (1876-1942), Torres-García percorre diversos países europeus e passa por Nova York até chegar a Paris, em 1926. O acervo do Museu do Prado, o contato com Joan Miró em 1918, o simbolismo de Puvis de Chavannes (1824-1898), o muralismo de Siqueiros (1896-1974) e, sobretudo, o contato com o ideal de harmonia universal postulado por Mondrian (a quem, não por acaso, dedica o livro Universalismo Construtivo), em 1928 e 1929, são fontes fundamentais para o construtivismo de Torres-García, que começa a se esboçar nas cenas de ruas, casas e portos projetadas em 1916 (por exemplo, Rua de Barcelona) e nos brinquedos construídos a partir de 1918. Mas é no período parisiense que sua pintura adquire conotação arquitetônica e as tendências construtivas se evidenciam. Aí também o pintor começa a fazer uso de símbolos bem delineados, situados em campos de pouca profundidade que tomam o quadro. As cores variam: ora, apresentam-se reduzidas ao negro, branco e cinza, ora resumem-se às cores primárias (amarelo, azul e vermelho), algumas vezes ainda aproximam-se dos tons terra empregados pela cerâmica pré-colombiana, que tanto impressiona o pintor. O princípio construtivo da obra de Torres-García possui claro sentido metafísico, como ele mesmo indica no livro Razão e natureza (1932). Unificar o tempo, o espaço e a cultura, alcançar um sentido de harmonia, assim como representar visualmente o homem universal (com sua dimensão física, intelectual e espiritual), seriam as ambições maiores de Torres-García.

Totalidade, ordem e unidade são termos empregados por Torres-García para definir o seu projeto pictórico, que conhecerá desdobramentos no período uruguaio, a partir de 1935. Na Associação de Arte Construtiva, criada em Montevidéu – e na qual são lançados dez números da revista Círculo e Quadrado (entre 1936 e 1938) –, o artista amplia e divulga os ideais plásticos do universalismo construtivo, já definidos no período anterior. As diversas obras criadas entre 1930 e 1940 (por exemplo, Composição Cósmica com Homem Abstrato, 1933, Construção com Signos Estruturados, 1932, Porto com Quatro Figuras Universais, 1942 e Ritmo Construtivo na Cidade, 1943) evidenciam as linhas mestras de seu programa. O espírito de síntese, a imagem a comandar a representação do essencial, a unidade da composição, o equilíbrio e a idéia filosófica de totalidade (compreendendo a unidade entre o artista construtor e a ordem cósmica do universo) são transpostas para a tela ou para a pedra (no caso do Monumento Cósmico, Parque Rodó, 1935) com o auxílio de um vocabulário extremamente variado. Grafismos primitivos, formas tiradas da natureza, elementos do cotidiano, números, palavras, signos fenícios e outros, retirados de civilizações variadas, compõem o alfabeto pessoal e simbólico de Torres-García. Peixes, sol, lua, relógios, âncoras, chaves, flechas, casas, barcos etc, cada uma dessas formas remete a uma idéia precisa: seja à vida moderna, ao universo cósmico, à dualidade masculino/ feminino, à idéia de transcendência. A inclusão de números alude às formas geométricas: quadrado, triângulo, pentagrama. As palavras – vida, terra, emoção, magia etc. – definem os planos físico, espiritual e intelectual da vida e do homem universal.

Na França, o Cercle et Carré dá origem, em 1931, ao grupo Abstraction-Création. Em Montevidéu, por sua vez, a Associação de Arte Construtiva (1935-1942) e o Taller Torres-García (1943-1962) formam uma série de artistas no léxico do universalismo construtivo (por exemplo, Gonzalo Fonseca, José Gurvich, Héctor Ragni, Augusto Torres, Rosa Acle etc.).

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Última atualização: 28/01/2008.
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