(também em árabe Mohamad-Ali ou Mohammed-Ali, ou ainda Muhammad)
A palavra Maomé é uma corruptela hispânica de Mohammed – nome próprio derivado do verbo hâmada e que significa “digno de louvor”, na religião Islâmica...
Paxá (título dos governadores de províncias do Império Otomano) ou Vice-rei Otomano do Egito, Mohammed Ali, é considerado o fundador do Egito moderno...
Ele conquista o Sudão e funda, em 1824, a cidade de Cartum – atual capital daquele país... Governou o Egito entre 1805 até 1848.
Mohammed Ali presenteou seus aliados pela Europa distribuindo girafas: uma para Charles X da França (Paris 1826), outra para George IV do Reino Unido (Londres 1827) e outra para Francis II (Imperador Franz II, Holy Roman Emperor), na Áustria (Viena 1828)...
Nota: Das três, apenas a “Zarafa” de Paris sobreviveu por mais de dois anos...
Mohammad nasceu no ano de 1769, em Kavala – norte da Grécia (veja página). Quando jovem foi militar e casou com uma mulher divorciada e rica, tendo 3 filhos: Ibrahim, Tosson e Ismail.
Mohammad tornou-se um negociante de tabaco e fez fortuna... Morreu em Alexandria, na data de meu aniversário, 02/08 – só que 115 anos antes de meu nascimento, em 1849.
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A ocupação francesa do Egito em 1798, levada a cabo por Napoleão Bonaparte, interrompeu por um curto intervalo de tempo a hegemonia mameluca.
Prestando serviço militar, Mohammad foi para o Egito como parte de uma força expedicionária opôr-se à França, em 1801 – força britânico-otomana que expulsou os franceses.
Com 30 anos, ele era um general albanês impressionado com a organização e a eficácia do exército francês. Inteligente e muito, muito ambicioso, ele foi promovido várias vezes, e quando a França deixou o Egito, ele estava bem relacionado com o dirigente egípcio Paxá Khurasan.
Mohammad Ali assumiu o poder e, em 1805, o sultão otomano o reconheceu como governador do Egito. Destruiu todos os seus oponentes até se tornar a única autoridade no país. Para poder controlar todas as rotas comerciais, realizou uma série de guerras expansionistas.
O Egito, daquela época, depois de 16 séculos sob a dominação dos paxás turcos e mamelucos (uma dinastia de velhos escravos-mercenários que governaram o Egito), o país foi progressivamente se afundando...
O admirável sistema de irrigação estava degradado, constatando-se a ruína da agricultura e do comércio. As instituições políticas, por causa da lutas internas da dinastia mameluca, estavam em plena decadência.
A invasão francesa marca uma mudança na história do país e, paradoxalmente, faz o Egito entrar na modernidade. Mohammad Ali vai ser o artesão dessa metamorfose. Ele decidiu constituir um Estado e uma armada moderna.
O processo da apreensão de Mohammad Ali do poder no Egito era uma longa guerra civil de três maneiras entre os turcos otomanos, os mamelucos egípcios e os mercenários albanêses. A guerra era um resultado da invasão francesa ao Egito, por Napoleão.
Após a derrota francesa pelos Ingleses, um vácuo no poder foi criado. O Egito era oficialmente uma parte do Império Otomano.
Contou com tropas turcas que foram enviadas para lutar contra os franceses. Também muitas das melhores tropas eram da Albânia, então uma província do império otomano...
Mohammad Ali Pasha – Foto Governo do Egito
http://www.presidency.gov.eg/index.html
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No início do século XIX, depois de examinar o equilíbrio mundial do poder econômico e militar, Mohammed Ali decretou que o Egito precisava se industrializar rapidamente. Ele temia que, a menos que os egípcios pudessem dominar as tecnologias industriais modernas e desenvolver uma economia suficientemente próspera para dar sustentação a exércitos modernos dotados de equipamentos providos pela indústria, seus descendentes seriam meros fantoches dos reis britânicos e franceses.
Paralelamente à construção interna de seu império, em 1811, as tropas de Mohammad Ali combatem os Wahabbites na Arábia e ocupam as vilas santas de Meca e de Medina, conferindo ao Paxá um grande prestígio dentro do mundo árabe e muçulmano.
Massacrou traiçoeiramente os líderes mamelucos e a monarquia holigárquica, no massacre da famosa Citadel, de 1811. Exilou os chefes religiosos muçulmanos que o ajudaram a tomar o poder. Foi aquele sultão obrigado a reconhecer a hereditariedade do paxalato do Egito. Para tanto, destruiu a milícia turca do Cairo. Vitorioso, organizou o Estado à maneira européia, principalmente a agricultura, as indústrias e o exército.
Ele introduziu duras reformas varrendo todo o Egito. Construiu um exército de camponeses egípcios, através de recrutamento, e usou essa força para expandir as fronteiras do Egito, adquirindo novos territórios. Construiu muita infraestrutura, tal como canais e estradas. Para financiar sua nova armada, ele decidiu empregar uma agricultura de exportação; estabeleceu o Egito como um dos maiores produtores de algodão do mundo.
Construiu canais de irrigação e de drenagem, uma barragem para estocar na entrada do delta, permitindo aos egípcios terem água o ano inteiro. Para integrar seu país no circuito do comércio internacional, il envisage de faire creuser um canal allant do Mar Vermelho ao Mediterrâneo - o futuro Canal de Suez - e de construir uma ferrovia entre o Cairo e o porto de Suez.
A partir de 1820, ele enviou seus soldados albanêses para conquistar o Sudão. Ele fundou a capital, Khartoum, em 1824. Com a expansão turco-egípcia, a estrutura escravista tornou-se bastante complexa, na medida em que o Vice-Rei Mohammed Ali intensificou a exploração do marfim e dinamizou o tráfico de escravos, dando abertura inclusive para a participação de traficantes de origem européia.
Mehemet Ali, Anonymous engraver, published about 1850.
Steel engraved print. Size 11 x 11 cms plus inscription and good margins.
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No último quarto do século XVIII, começou a surgir o nacionalismo grego, apoiado pela Rússia. A Revolução Francesa influenciou os nacionalistas gregos, que começaram a preparar um movimento emancipacionista. Na primeira etapa (1821-1824) da guerra da Independência grega (1821-1829), os gregos lutaram praticamente sozinhos.
Em 1824, o sultão otomano Mahmut II pediu a ajuda de Mohammed Ali, que a cedeu em troca do controle de Creta. As tropas egípcias se dirigiram para Peloponeso e, em 1826, todo o sul da península estava em suas mãos. As divergências entre os líderes gregos fragilizou-os política e militarmente. Apesar disso, uma nova Constituição republicana foi aprovada em 1827. Dada a importância estratégica da Grécia, as potências européias concordaram com a intervenção militar.
O Tratado de Adrianópolis (1829) pôs um fim às Guerras Turco-russas de 1828-1829. A França, a Grã-Bretanha e a Rússia declararam a independência da Grécia sob a sua proteção, mas a fronteira norte foi estabelecida perto do golfo de Corinto.
Época em que ele destribui as girafas...
Mohammad reformou a sociedade egípcia, criando uma das primeiras instituições educacionais modernas. Ele enviou também estudantes para a Europa (sobretudo na França e Inglaterra). Modernizou o Cairo, construindo largas avenidas e soberbos jardins. Decidiu também que, como na Europa, as ruas teriam nomes e os imóveis números (veja página Cairo).
Com a ajuda de seu filho Ibrahim, em 1830 conquistaram a Palestina e a Síria, em poucos dias marcham para Constantinopla. En dédommagement de la perte de sa marine, Mohammad Ali demande au Sultão de lui donner a Síria. O sultão refuse e, em 1831, o Paxá invade a Síria (com a ajuda de Soliman Pacha, nome turco do coronel francês de Sèves). Il remporte victoire sur victoire et le Sultão doit céder. Il donne à Méhémet-Ali toda a Síria, a Palestina e a região de Adana - no sul da atual Turquia.
Nota: Também em 1930 foi iniciada a construção da Mesquita de Mohamed Ali – a grande Mesquita de Alabastro localizada no Cairo...
Participou, ao lado do sultão, ao qual há uma alusão neste diálogo, da guerra greco-turca. Depois voltou-se contra o sultão, em duas guerras contra a Porta, em 1832 e 1839.
“Em 1838, Sir Moses Montefiore (ilustre judeu inglês), negocia com Mohammad Ali, Vice Rei do Egito, Palestina e Síria, a permissão para que os Judeus possam adquirir terras e viver na Terra Santa sem interferências...” (extraído de um texto da sociedade judáica)
Ali enviou seu exército para a cidade de Hijaz e a tomou. Ele também conquistou a Núbia, a ilha de Creta, a Palestina e o Levante. Suas vitórias militares, durante o Império Otomano, fizeram com que outros países europeus com interesse na região se voltassem contra ele. Uma intervenção européia conduzida, levou a uma solução negociada...
Os aliados obrigaram-no a evacuar a Arábia e a Síria, em diminuir sua frota marinha e em reduzir seu exército. Eles se encontraram em Londres, em julho de 1840, e assinaram o tratado de acordo, no qual seu poder foi limitado e muito de seus ganhos foram perdidos. Entretanto, teve como compensação o direito da hereditariedade sobre o Egito, também o governo do Sudão até a sua morte.
Em 1848, Mohammed Ali ficou doente e o seu filho, o paxá Ibrahim, tornou-se o governador do Egito. Ali foi sucedido por dois de seus filhos, mas ambos foram fracos, e se tornaram marionetes dos britânicos e franceses...
Durante os 44 anos do regime de Mohammad Ali, o Egito cresce e muda o curso de três séculos precedentes. Fundador do Egito moderno, Mohammed Ali é considerado como o precursor do “Nahda”, o renascimento árabe...
Méhémet-Ali, pacha d'Egypte.
Fonte: Safia ALLAG (http://www.omarlecheri.net/index.htm)
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Emissões filatélicas sobre Mohammed Ali e seu filho Ibrahim
O selo (lado esquerdo da tela) mostra Mohammed Ali e foi emitido em 1928 (Scott: 154), em uma série de 2 selos (Scott: 153/154, Yvert: 134/135), com valor facial de 10 milésimos (vermelho). Ele comemora o Centenário da Faculdade de Medicina do Cairo, também o Congresso Internacional de Medicina, ocorrido na mesma cidade, em 1928.
Do lado direito, emitido em 1949 (Scott: 280, Yvert: 269), com valor facial de 10 milésimos, o selo comemora o Centenário de Morte de Mohammed Ali e mostra um mapa da região do império egípcio, sob o reino do governador e general.
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Abaixo, selo emitido em 1948 (Scott: 272, SG: 351), com valor facial de 10 m, para marcar o centenário do novo governador do Egito, o General Ibrahim - filho do paxá Mohammed Ali. Além de sua efígie, o selo mostra também, ao fundo, a Batalha de Navarino (1827).
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“MÉHÉMET ALI – Le fondateur de l'Egypte moderne”
Livro publicado em 1996 (ISBN: 2-7384-4064-9), por Guy Fargette, com 232 páginas.
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PÁGINA DA FRANÇA – PÁGINA DA GRÉCIA
Página com
a localização de Cavalla
(local de nascimento de Mohammad Ali)
HISTÓRIA DO SUDÃO – PÁGINA DO EGITO
Última atualização: 24/06/2008. |