— Tríptico: “O Jardim das Delícias”
Pintura Medieval / Óleo sobre painel de madeira / Arte Flamenga
Local de realização: Flandres – Bélgica / França / Holanda
Data: início do século XVI (1504, provavelmente)
Artista: Hieronymus Bosch ou “El Bosco” (1450-1516)
Dimensões: mais de 2 metros de altura por quase 4 metros de comprimento
Local de exposição atual: Museu Nacional do Prado, Madri – Reino da Espanha
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Sua obra insólita, original e brilhante retrata a vulnerabilidade do homem diante das tentações – idéia dominante na Idade Média. O pintor é apreciado por seus contemporâneos e exerce, séculos depois, influência sobre os surrealistas...
O artista flamengo pinta a sua obra-prima “O Jardim das Delícias” (The Garden of Delights) entre 1500 a 1510, provavelmente 1504. Em uma visão geral, a obra reflete uma Idade Média filtrada por um humor perspicaz e expõe os vícios da sociedade que rodeia o artista...
Considerado seu trabalho mais maduro, o “Jardim de Encanto” (como também é conhecido o grande retábulo central), descreve a criação da mulher, já os retábulos laterais da obra narram: “O Inferno” (à direita) e o “Jardim do Éden” (painel lateral esquerdo da obra, onde a girafa foi pintada).
Neste, também chamado de “A Criação do Paraíso”, supõe-se que os animais híbridos e as rochas compósitas visíveis no tríptico, relacionam-se com a Índia mítica descrita por Eusébio em sua carta 'Alexandre a Aristóteles', e os animais e vegetais exóticos alí figurados, como o elefante, a girafa e a árvore-dragão, têm como fonte as xilogravuras do livro que ornam a “Reise ins Heilige Land”, de Breydenbach (1486).
A concepção pessimista de um mundo dominado pela idéia do pecado e da fragilidade da natureza humana, típica do pensamento medieval, encontrou expressão plástica na pintura de Hieronimus Van Aeken Bosch.
Firmemente aparentada, pela simbologia, com a fantasia popular e a cultura da época, sua insólita obra, cáustica e imaginativa, prenunciou as grandes realizações da pintura flamenga e holandesa dos séculos XVI e XVII.
Trata-se de um tríptico, óleo sobre painel, sendo que o grande retábulo central – cuja execução situa-se nos anos iniciais do século XVI –, mede 2,20 x 1,95 centímetros e os laterais medem 2,20 x 97 centímetros. A obra está em exposição no Museu do Prado, em Madri – Espanha.
Abaixo, reprodução do quadro “O Jardim das Delícias” (Tipo: Fine-Art Print), o qual tive a oportunidade de contemplar em 07/2003. Ao lado, o “Jardim do Éden” – retábulo lateral esquerdo, onde se encontra a girafa (pouco ampliado para melhor visualização).
Nota: o único selo postal conhecido que mostra a obra inteira do artista foi emitido por Antígua, em 1980, o qual eu penso ser o único igualmente que mostra a girafa!
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Abaixo (ampliado), o “Jardim do Éden”, parte da obra-prima onde a girafa foi pintada – retábulo lateral esquerdo da obra “O Jardim das Delícias”, pintado na década de 1510, por Hyeronimus Bosch.
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Bax, um famoso estudioso holandês, foi um dos que mais interpretou as obras de Bosch, especialmente “O Jardim das Delícias”. Devido ao seu conhecimento da literatura holandesa mais antiga, conseguiu identificar muitas das formas do painel central: frutos, animais ou as estruturas minerais exóticas, assim como símbolos eróticos e obscenidades daquele tempo de Bosch. Os peixes que aparecem no primeiro plano, por exemplo, constituem o símbolo fálico de antigos provérbios holandeses.
Segundo Bax, Bosch concebeu sua visão dos prazeres carnais como a de um grande parque ou uma paisagem de jardim. A visão do mestre, traduzida através daquela obra, mostrou um cenário para que os amantes pudessem desfrutar de momentos agradáveis entre belas flores, ouvindo o canto dos pássaros e divertindo-se na fonte.
Além disso, Bosch agregou novos elementos aos comumente apresentados em outras obras. As casas de prazeres dominando o lago do fundo da obra é um exemplo. Neste mesmo lago é que notamos homens e mulheres banhando-se em conjunto, o que não ocorre no plano do meio, pois os mesmos estão cuidadosamente separados uns dos outros.
Bosch também retrata temas eróticos variados, como na parte direita da obra, em que expôs uma visão violenta de sua interpretação do inferno. No primeiro plano esquerdo está a luxúria, o mundo dos prazeres carnais, cercados por instrumentos musicais gigantescos.
Segundo vários estudiosos, esta obra teve um peso importante na carreira de Bosch pela complexidade das situações registradas. Foi pintada depois de 1500 e pertenceu a Henrique III de Nassau, um colecionador de arte e dos seus maiores admiradores.
“O Jardim das Delícias” (retábulo central da obra), pintado na década de 1510, por Hyeronimus Bosch.
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Abaixo (lado esquerdo da tela), capa do livro espanhol “BOSCH, Realidad, símbolo y fantasía”, de Isidro Bango Torviso e Fernando Marías, com 234 páginas, da editora Silex. Adquirido em 5/07, de Kelson Marques (crismarques03@yahoo.com.br), em São Bernardo do Campo (SP).
Do lado direito, revista “Mestres da Pintura BOSCH”, editora On Line, grátis um superposter, medindo 82 x 55 centímetros, com a obra “O JARDIM DAS DELÍCIAS”. Mestres da Pintura é uma publicação do IBC – Instituto Brasileiro de Cultura Ltda., São Paulo. Adquirido em 8/08.
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Última atualização: 05/09/2008. |