Considerado Patrimônio Mundial no Brasil, tombado pela UNESCO, em 2001!
Com uma incrível variedade de fauna e flora, o local é considerado um dos santuários ecológicos do planeta, além de ser um parque modelo. Com visitação controlada, o turismo serve de aliado na preservação da região.
Só pode ser visto com um guia credenciado pela Associação dos Condutores de Visitantes (ACVCV).
Texto de Sérgio Sakall (05/2002)
A porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros fica no distrito de São Jorge.
Para se chegar nesse vilarejo é necessário percorrer mais ou menos uns 30 quilômetros em uma estrada de terra, desde o município de Alto Paraíso de Goiás, o ponto mais alto do Estado, localizado a 241 quilômetros de Brasília.
Criado em 1961, pelo presidente Juscelino Kubitschek, com o nome de Parque Nacional do Tocantins. Possui uma área de 65.514 hectares. Foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, em dezembro de 2001.
No início do século XIX, o povoado de São Jorge foi fundado, quando ganhou importância com a descoberta dos cristais...
Ocorreu tanto garimpo por lá que o local está "marcado" com buracos de até 5 metros de diâmetro, cavados na terra para a extração do cristal.
Mas com a construção da Capital Federal nos anos 60, a atenção do país se voltou ao Planalto Central, surgindo a idéia de criar uma área para preservar a fauna e a flora local.
Nas últimas décadas, o misticismo que envolve os cristais atraiu grupos esotéricos para toda a região. Sendo a Chapada o ponto mais alto do Planalto Central e, sobretudo, por estar assentada em uma grande reserva de cristal de quartzo, segundo os esotéricos, o terreno emana uma poderosa energia cósmica.
Por isso, tanto em Alto Paraíso de Goiás como em São Jorge há várias pousadas agradáveis e restaurantes decorados com motivos místicos.
CONHECENDO O PARQUE
São muitas suas atrações: cachoeiras (principalmente no Rio Preto), antigas formações rochosas, cânions, quedas d’água, corredeiras e várias piscinas naturais.
Os animais são difíceis de serem vistos, porém o parque abriga aves como arara, papagaio, carcará, ema, urubu-rei, siriema; também vivem cachorro-do-mato, ariranha, raposinha, lobo-guará, onça-pintada, tamanduá-bandeira, cervo-do-pantanal e veado-campeiro.
Aliás, a origem do nome desse parque vem da abundância de veados-campeiros na região, que atualmente, estão ameaçados de extinção...
São duas as principais trilhas, com cerca de 6 quilômetros cada. Uma leva aos Cânions 1 e 2, também à Cachoeira das Cariocas. A outra segue até as Pedreiras, onde existem várias corredeiras e ao Salto 1 e 2 do rio Preto.
CÂNION 1 — É um dos vários cânions formados pelo afunilamento do rio Preto, que só pode ser visitado em época de seca.
CÂNION 2 — É o mais bonito desfiladeiro do parque. Consiste de um paredão de 20 metros de altura, onde o rio Preto afunila.
CACHOEIRA CARIOCAS — Cachoeira do rio Preto onde os visitantes podem tomar banho. Possui quedas de até 10 metros, praias de areia grossa e piscinas naturais. Para chegar nela, é necessário enfrentar uma descida em um paredão de quartzo, bastante trabalhosa.
PEDREIRAS — Como o nome já diz, a região é uma antiga pedreira, que abriga várias piscinas naturais e lagos entre pequenos saltos do rio Preto.
CACHOEIRA DO GARIMPÃO ou SALTO 1 — É um dos pontos mais procurados pelos visitantes que gostam de nadar. Suas águas escuras (devido ao óxido de ferro) caem do alto de seus 80 metros, em uma piscina natural (300 metros de diâmetro), formando a maior piscina da Chapada.
SALTO DO RIO PRETO ou SALTO 2 — No final de uma antiga trilha de garimpo, avista-se um paredão rochoso com uma queda de 120 metros. Para chegar lá, há um declive bem acentuado, porém nessa cachoeira os banhos não são permitidos.
Os selos postais (abaixo) foram emitidos em 2003 sobre cachoeiras. Um deles mostra o Salto do Rio Preto (em Alto Paraíso) e, o outro selo, mostra o Salto do Itiquira (em Formosa), ambas no Estado de Goiás.
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A melhor época para se conhecer a Chapada é entre abril e setembro, no período de estiagem. Nesse último mês, os ipês-amarelos colorem a paisagem dos campos, normalmente acastanhada.
Há uma planta bem interessante chamada Pepalantus que é muito comum por toda Chapada... A formação aberta dos campos, com sua vegetação baixa, muitas vezes com matas secas, facilita a visualização da fauna.
Nas áreas úmidas, associadas aos rios, aparecem paisagens distintas como campos úmidos e veredas de buriti – uma espécie de palmeira, cujo fruto é também chamado de buriti ou muriti (nomes de origem tupi-guarani)...
Buriti (Mauritia flexuosa) — Da família Palmae, o buriti é uma palmeira muito popular na região do Cerrado, também conhecido por: coqueiro-buriti, palmeira-do-brejo.
Buriti na língua indígena significa "a árvore que emite líquidos" ou "a árvore da vida". É considerada sagrada pelos índios porque dela se faz tudo o que é necessário para a sobrevivência: a casa, os objetos e a alimentação.
Dela se aproveita tudo: palha para cobertura de casas, fruto para confecção de doces, seiva para fazer um tipo de vinho. É tipico nas formações denominadas "veredas", onde acompanha um curso d'agua ao longo do Sertão. Só sobrevive em locais alagados...
Os buritizais (áreas alagadas onde predomina o buriti), são locais extremamente importantes para a manutenção da biodiversidade do ecossistema, uma vez que proporcionam refúgios para a fauna durante o período da seca.
"IPÊ-DO-CERRADO" — (Tabebuia ochracea), família Bignoniaceae
― by Sérgio Sakall, maio de 2002 (fundo
série)
Local da foto: Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no Município de São
Jorge, Alto Paraíso ― Goiás (GO)
A fotografia mostra, coalhado de flores amarelas, um ipê-do-cerrado, árvore nativa no Ecossistema de Cerrado, largamente utilizada em paisagismo. Sua diferença com outros ipês é seu porte menor e, geralmente, apresenta tronco e ramos tortuosos.
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São necessários dois dias para conhecer a região permitida do parque e só pode ser visitado com um guia credenciado pelo IBAMA – ambas situações são cobradas por dia e separadamente.
O forte calor e as trilhas longas pedem roupas leves e resistentes, tênis ou bota confortáveis, protetor solar, chapéu ou boné. Como no parque não existe infra-estrutura para alimentação, é recomendável levar água e alimentos leves.
Não se esqueça de levar roupa de banho, pois há piscinas naturais irresistíveis! E, lembre-se, você estará num Parque Nacional, portanto cumpra a sua parte respeitando a natureza!
Do lado esquerdo da tela, foto by Sérgio Sakall, Maio de 2002. Do lado direito, um dos selos postais de uma série em quadra emitida em 04/09/2006, sobre Parques e Reserva Nacionais, que mostra o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com lobo-guará, cerrado, vista da Serra da Baleia e veredas com buritizais...
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ATRAÇÕES AO REDOR DA REGIÃO
VALE DA LUA — No quilômetro 35 da estrada de São Jorge (GO-327), chega-se ao Vale da Lua: região com formações rochosas naturais esculpidas por milhares de anos pelas águas do rio São Miguel. O local é perigoso quando chove, mas vale a pena o conhecer, pois seu cenário é semelhante à superfície lunar.
SERRA DA BALEIA (ou Morro da Baleia) — Um dos picos da Chapada, possui 1.501 metros de altitude e fica localizado a 20km. da entrada do parque. Seu acesso está temporariamente desativado, embora possamos fotografá-lo de longe, "Ferro de Engomar".
JARDIM DE MAYTREA — Depois do Morro da Baleia, na mesma estrada (22Km.), há uma vereda e uma vista para os Morros do Chapéu Chinês e Peito de Moça, ao fundo.
Pouso Alto, pico de 1.800 metros de altitude.
Pousada Casa das Flores – São Jorge, Alto Paraíso, Goiás. Tel: (61) 9986-0603
Associação dos Condutores de Visitantes (ACVCV).
São Jorge, Alto Paraíso, Goiás. Tel: (61) 234-7493.
Pizzaria em São Jorge: Lua de São Jorge.
Para saber mais acesse: http://www.ibama.gov.br/
Ligue para 0800-618080 ou na sede do parque: (61) 646-1570
Última atualização: 13/10/2007. |