OURO PRETO

Texto de Sérgio Sakall (11/1998)

O nome da cidade, de fato, foi dado por causa de uma fina camada de óxido de ferro, que tornava o metal mais escuro. E Patrimônio da Humanidade, foi o título dado pela UNESCO, em 1980.

Abaixo, emissão de 08/03/1949, Selo e Bloco Bicentenário de Ouro Fino – Minas Gerais (MG). Selo RHM: C-244. Valor facial: Cr$ 0,60. Bloco RHM: B-11. Yvert Bf: 10. Valor facial: Cr$ 0,60. Igreja e as datas 1749-1949...

Envolvida pela bruma matutina, uma das principais marcas da cidade...

As três igrejas principais de Ouro Preto que levam as marcas de Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa) e do pintor Manoel da Costa Athayde são:

– Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

Localizada na Praça Monsenhor Castilho Barbosa, foi construída entre 1711 a 1733, é uma das mais ricas em ouro e prata do Brasil e a mais bela igreja de expressão do barroco mineiro. É a primeira em arte e a segunda em riqueza no Brasil! Os retábulos laterais e o altar-mor, trabalhados e folheados a ouro, mostram o auge do barroco e da mineração no século XVIII. O esplendor dos 472 anjos e dos 434 quilos de ouro que recobrem as talhas é reforçado pela música barroca que ecoa na igreja. No teto de caixotão em baixo-relevo, a pintura ilusionista da época: da porta principal vê-se um cordeiro sobre a cruz; da capela principal, ele se esconde embaixo dela. As obras são de Francisco Xavier de Brito, suposto mestre de Aleijadinho. A imagem de Nosso Senhor dos Passos foi doada pela Espanha. Em anexo, Museu de Arte Sacra.

– Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência

Localizada no largo de Coimbra ou largo de São Francisco, foi construída entre 1771 e 1794 – projeto e construção de Aleijadinho. Na porta há dois medalhões em pedra-sabão: um com a imagem de N. S. da Conceição, o outro com S. Francisco recebendo as cinco chagas de Cristo no monte Alverne. Todos os santos e imagens transmitem a aceitação do sofrimento através da imagem da paixão de Cristo e dos votos franciscanos. Também de Aleijadinho o retábulo do altar-mor e o púlpito. No forro da nave, pintura tridimensional de Athayde apresenta N. S. do Conceição cercada de anjos, todos com feições de mulatos. A mais alta expressão do estilo rococó. Abriga em anexo, parte do acervo do Museu Aleijadinho, na sacristia e no Consistório. Na frente da igreja tem uma feira permanente de artesanato em pedra-sabão...

– Igreja de Nossa Senhora da Conceição ou Matriz de Antônio Dias (praça Antônio Dias)

Substituiu a capela erguida em 1699, pelo bandeirante Antônio Dias, fundador de Vila Rica. Construída entre 1727 a 1760, com projeto e construção de Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, é a maior da cidade, rica em trabalhos barrocos. Abriga, em anexo, na sacristia e na cripta, parte do acervo do Museu Aleijadinho, obras de Aleijadinho: mesa funerária de jacarandá e busto de pedra-sabão de S. Francisco de Paula. No altar de N. S. da Boa Morte está sepultado o artista, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Nesta igreja, também encontra-se o túmulo de seu pai...

Outras igrejas:

Igreja de Nossa Senhora do Carmo – Construída entre 1766 a 1776, com projeto do pai de Aleijadinho, Manoel Francisco Lisboa, que morreu e foi substituído pelo filho. Além de modificar a obra, Aleijadinho fez o trabalho de pedra-sabão na portada, o lavabo da sacristia e as talhas dos altares de S. João Batista e N. S. da Piedade. A pintura do forro e o dourado do altar-mór são de Athayde. É a igreja mais central, onde se encontram as últimas obras de Aleijadinho e do mestre Athayde. Os azulejos de faiança portuguesa, do século XVIII, da capela-mor sobre N. S. do Carmo são os únicos em igrejas mineiras.

Igreja de Santa Efigênia ou Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Alto da Cruz) – Há quem diga que foi um projeto do pai de Aleijadinho, outros dizem que foi erguida por Chico Rei e os escravos de sua tribo africana, entre 1733 a 1762, com pó de ouro trazido pelas escravas nos cabelos... (Chico Rei, personagem heróico dos escravos em Vila Rica, foi um rei africano que veio como escravo para o Brasil; com o ouro, ele comprava a alforria de seus súditos). As imagens dos santos, desta igreja, são todas negras. Na pintura do forro, um papa negro, que nunca existiu e, entalhes de anjos, pelicanos, búzios e cascos de tartaruga, decoram seu interior. Possui o relógio mais antigo da cidade, 1762, originalmente construído com apenas um ponteiro.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no largo do Rosário, é de 1785. A rara fachada circular contrasta com o interior simples. A imagem de Santa Helena é atribuída a Aleijadinho.

Igreja de São Francisco de Paula, localiza-se no Morro do Pascoal, próximo ao Terminal Rodoviário. Construída entre 1804 a 1904, é a mais nova da cidade, com excelente vista panorâmica. A imagem principal de São Francisco de Paula é obra de Aleijadinho.

Capela Nossa Senhora do Parto ou Capela do Padre Faria (localizada na rua Padre Faria), sua construção deu-se entre 1701 a 1710 e, portanto, a mais antiga de Ouro Preto. Com uma fachada simples, porém, de rico interior de talha dourada, com estilos barroco e rococó. Possui a única cruz papal da cidade, bem como o sino, na torre ao lado desta igreja, o qual tocou na inauguração de Brasília, atual capital do Brasil... Esta torre, lembra um templo chinês.

A Capela de Santo Antônio, embora seja simples, é a mais antiga da cidade. Nesta região, garimpo Santo Antônio, encontram-se hoje, inúmeras minas abandonadas...

Nesta mesma rua, mais em frente, no bairro Alto da Cruz, há o chafariz do Padre Faria, fonte de 1750, com um busto de mulher atribuído a Aleijadinho.

A Praça Tiradentes, do final do século XVIII, a principal da cidade, rodeada de casarões, lojas e calçada com pedras. Aqui, no número 41, localiza-se o Posto de Informações Turísticas da Secretaria de Turismo, telefone: (31) 551-2655, Caixa Postal 240. Ouro preto/MG, CEP.: 35400-000.

Local onde o mártir Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, teve um dos pedaços de seu corpo pregado num poste. Para se lembrar o fato, no centro, desde 1894, há um Monumento ao Mártir da Inconfidência, estátua de bronze e granito, marca o lugar em que ficou exposta a cabeça do alferes, enforcado no Rio em 1792.

Abaixo, emissão de 12/11/1948, Selo e Folhinha Bicentenário de Nascimento do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, “O Tiradentes” (1748-1792). RHM: C-240 + FA-13. O selo com valor facial de Cr$ 0,40 mostra Tiradentes. A folhinha: Sulbrapex com selo de 01/09/1949.

Aqui também localiza-se o Museu da Inconfidência, antigo Passo Municipal, antiga casa da Cadeia e Câmara da cidade. Com estilo neoclássico, cercado por uma balaustrada de pedra-sabão, reúne documentos e objetos sobre a Inconfidência Mineira (1789), móveis e objetos sacros do século XVIII e XIX.

No Panteon dos Inconfidentes, estão os restos mortais dos inconfidentes, com a bandeira do movimento, “Libertas quae sera tamen” – Liberdade ainda que tardia. Guarda os autos da Devassa, pedaços da forca de Tiradentes e uma imagem de São Jorge, feita por Aleijadinho em cedro, que ficou anos na prisão - sua lança matou um escravo durante uma procissão...

Abaixo, Série Bicentenário da Inconfidência Mineira, emitida em 21/041989 (RHM: C-1627/C-1629), em se-tenant composto de 3 selos, os quais mostram: mão e símbolo (NCz$ 0,30), perfil/vulto (NCz$ 0,30) e cenário barroco (NCz$ 0,40).

Em algumas igrejas de Ouro Preto, encontram-se imagens de santos feitas de madeira não maciças (ocas), denominadas como “santo do pau oco”... Foram assim chamadas por serem cavadas nas costas para ficarem mais leves no transporte em procissões...

As de menor porte, às vezes, eram usadas para esconder contrabando de pedras preciosas. O termo popular “santo do pau oco”, refere-se à pessoa que dissimula algo aparentando inocência...

Museu de Minerologia, localiza-se no antigo Palácio dos Governadores, de 1760. A construção foi do pai de Aleijadinho. Abriga o Museu e a Escola de Minas, criada por Dom Pedro II, em 1876. Considerado o segundo Museu de Mineralogia do mundo, possui uma coleção de minérios com aproximadamente 20 mil amostras.

Chafarizes, são 19 que abastecem a cidade e ainda fornecem água limpa. O mais famoso é o de Marília de Dirceu, na praça Dirceu. É de 1758, de granito, com quatro carrancas feitas pelo pai de Aleijadinho. Aqui também encontra-se o local da Casa e a Ponte de Marília.

Oratórios, eram muitos, sobraram dois: o de N. S. do Bom Despacho, rua Bernardo de Vasconcelos e o de Santa Cruz, rua Barão de Ouro Branco. Construídos para afugentar maus espíritos.

Casa de Cláudio Manoel da Costa, poeta, empresta seu nome a uma das principais ruas de Ouro Preto, que desce a praça Tiradentes em direção ao Largo de Coimbra.

Nesta rua, no número 61, também está localizada a Casa de Tomás Antonio Gonzaga, residência em que viveu outro poeta e inconfidente, autor do poema de amor “Marília de Dirceu”. Ele é o Dirceu e, a Marília é a sua amante, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. Hoje, aqui é a Secretaria de Cultura.

Passeie pela rua Conde de Bobadela para entender o significado do tal “Coração de Estudante”, que o cantor Milton Nascimento se refere na música. A noite é ponto dos estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto. Nesta rua, fica a casa com a menor fachada do mundo, com menos de um metro.

Na rua Direita 110, fica o Museu Guignard. Na antiga casa do pintor Alberto da Veiga Guignard, pinturas, desenhos e objetos do artista.

Antiga Casa da Ópera, atual Teatro Municipal, rua Brigadeiro Mosqueiro. De 1770, a Casa da Ópera de Vila Rica, com frontão triangular, lembra uma construção grega. Tem 400 lugares e acústica perfeita. É o teatro mais antigo do país, comprovado pelo Livro Guiness Book. Em 1994, sediou reunião do Mercosul.

Na rua São José, 12, localiza-se a Casa dos Contos, antiga Casa da Moeda, com fachada de 9 janelões e sacadas. O casarão foi construído entre 1782 a 1784, é um dos mais belos de Ouro Preto, com alta expressão da arquitetura barroca colonial residencial em Minas Gerais.

Foi construído para servir de residência ao rico e influente João Rodrigues de Macedo, espécie de banqueiro do Brasil colonial, foi um coletor de impostos. Sendo ele arrematante dos contratos de arrecadação dos Dízimos e Entradas, o prédio foi também sede da Casa dos Contratos, Casa de fundição do ouro, prisão dos inconfidentes e senzala de escravos.

O ano de 1789 marca para o casarão o fim de uma época. Os saraus literários e reuniões sociais que animavam as noites da cidade, deram lugar a outras atividades.

Neste ano, parte do edifício foi alugado para aquartelar a companhia do Esquadrão do Vice-Rei, presente na então Vila Rica para reprimir a Inconfidência Mineira.

Alguns aposentos do primeiro pavimento serviram de cárcere para os réus ilustres da conspiração, dentre eles, Álvares Maciel, Luiz Vieira da Silva, Padre Rolim e Cláudio Manoel da Costa, que foi encontrado morto em um dos aposentos.

João Rodrigues de Macedo, em dívida com o Erário, alugou em 1793 o piso térreo de sua residência para o governo. Foram assim instalados a Junta da Real Fazenda e a Intendência do Ouro. A partir desta época, o prédio passou a ser denominado Casa dos Contos.

Com a insolvência do contratador o edifício foi penhorado em 1797 e incorporado definitivamente ao Real Erário em 1803. A Casa dos Contos sofreu acréscimos por volta de 1820, para abrigar A Casa de Fundição do Ouro.

Em 1844, novos acréscimos permitiram a instalação da Secretaria da Fazendo Provincial junto à Delegacia do Tesouro do Império. Com a mudança da capital para Belo Horizonte, em 1897 o prédio passou a ser ocupado pelos Correios e Caixa Econômica e, posteriormente, pela Prefeitura de Ouro Preto.

O então, Ministério da Fazenda retomou o prédio em 1973 quando inaugurou o Museu, o Centro de Estudos do Ciclo do Ouro e instalou a Agência da receita federal de Ouro Preto.

A tradição da Casa dos Contos de estar sempre vinculada às atividades tributárias se manteve e o Ministério da Econômia, Fazendo e Planejamento – através da Escola de Administração Fazendária – afirma assim seu interesse no esforço de preservação do patrimônio artístico cultural.

Abriga o Centro de Estudo do Ciclo do Ouro e Museu do Fisco, com réplicas de antigas moedas do Brasil dos séculos XVIII e XIX. Fazem parte do acervo, mobiliário dos séculos XVIII e XIX e exposição de documentos antigos, entre eles, uma procuração assinada por Tiradentes e a lista dos países de destino dos inconfidentes degredados.

No número 187, fica o Café & Cia, na mesma rua no número 167, fica a casa que pertenceu ao poeta Alphonsus de Guimaraens, hoje ela abriga o restaurante de melhor exemplo da culinária mineira, o Chafariz. Nesta rua, fiéis montam tapetes de flores no chão e foi aqui, antes do restaurante Chafariz e depois da Casa dos Contos, local em que Tiradentes viveu.


Para conhecer:

Mina de Ouro do Chico Rei, rua Doutor Silvério, 108. No quintal de Maria Bárbara, as galerias da mina da Encardideira, encontradas por acaso em 1946 por um de seus filhos. Esta mina é do século XVIII, segundo a tradição, pertenceu e foi explorada por Chico Rei, personagem heróico dos escravos em Vila Rica, um rei africano que veio como escravo para o Brasil. Com o ouro, ele comprava a alforria de seus súditos.

Mirante do Morro São Sebastião, vista panorâmica da cidade.

Mosteiro Zen Budista Pico dos Raios, morro São Sebastião, santuário de pedra, cercado de jardins a 1.500 metros de altitude.

Cachoeira das Andorinhas, a 5 quilômetros do centro, a nascente do rio das Velhas mergulha dentro de uma gruta e cai como uma ducha de 10 metros. Rochas curiosas, como a pedra do Jacaré.

Lavras Novas, a 17 quilômetros, pela BR-040. Vestígios da estrada real que ligava Minas ao Rio, tendo como paisagem um mar de montanhas. Artesanato de taquara e as cachoeiras Pingo d'Água, Pingo de Cristal e Cachoeira do Falcão.

Nota: Outro lugar muito lindo é Minas Novas, distrito de Ouro Preto. É a versão mais fiel que eu conheço para a expressão “mar de montanhas”...

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Última atualização: 17/07/2008.
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