ESCULTOR, ENTALHADOR E ARQUITETO MINEIRO – UM GÊNIO ESCULPIDO PELA DOR
Filho de escrava com um mestre-de-obras português, Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho – nasceu em 1730, na então capital de Minas Gerais: Vila Rica (hoje, Ouro Preto). Desde menino, seguindo os passos de seu pai, inicia-se nos trabalhos de entalhador, desenhando fachadas de igrejas e ajudando nos projetos.
ÉPOCA DE OURO
O artista teve o "privilégio" de ter vivido a idade do ouro, viu o apogeu da mineração (trabalho feito em sua maior parte por escravos) e, também, assistiu ao seu declínio. Foi contemporâneo de vários poetas, além de Tiradentes. Com a descoberta do ouro, no século XVIII, Minas Gerais torna-se o principal centro econômico do país. Nessa época, o barroco brasileiro atinge seu apogeu com o trabalho de muitos artistas mineiros.
Influenciado pelo barroco português, o movimento assume características próprias no Brasil, dando início efetivo à arte nacional. A principal produção, ligada à Igreja, foram esculturas de materiais tipicamente nacionais como madeira e pedra-sabão. O luxo daquela época ficou marcado através das construções religiosas, sobretudo na utilização de ouro para decoração interior.
Até a metade daquele século, esse tipo de arquitetura em Minas é considerada uma das mais pobres em relação ao restante do país. No entanto, movida pelo ouro e o gênio de muitos artistas, logo atingiu a vanguarda. Aleijadinho, então, viveu todo esse ambiente de intensa criação artística, agitação política e poderio econômico. Sendo assim, podemos assegurar que o lugar e a época contribuíram muito para que o artista esculpisse o seu nome para sempre na história artística do Brasil.
"MARCAS" NA MATÉRIA PRIMA
A madeira e a pedra-sabão foram a matéria prima para sua arte: profetas, imagens, crucifixos, fontes, pias, portas, púlpitos, brasões e igrejas. As "marcas" dos trabalhos de Aleijadinho são: olhos mongóis, maças do rosto salientes, queixo bipartido e cabelos em caracóis. Expressões que sugerem hipóteses: refletiriam o drama pessoal do artista ou o sentimento trágico dos inconfidentes mineiros. Sua obra é rica em detalhes e as esculturas sugerem um artista viajado, lido e muito estudado. Mas Aleijadinho nunca saiu de Minas, não leu mais que a Bíblia e outros pouquíssimos livros. Seus mestres foram seu pai, os frades e os artistas com quem trabalhou.
UM ARTISTA RECLUSO E TRISTE
Não há registro de sua imagem, embora se saiba que ele foi um mulato baixo, gordo e cabeçudo. Isto, numa época de terríveis preconceitos... Com mais de 40 anos de idade, suas pernas e mãos começam a se deformar em conseqüência da sífilis, assim passa a ter dificuldade nos movimentos. Mas a limitação não o impede de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais...
Quando se viu consumido pela doença, tanto o corpo quanto o temperamento, Aleijadinho se fechou: de alegre e extrovertido, passou a ser triste e recluso. Saía à rua somente quando necessário, coberto por uma capa e sob um chapéu de abas bem largas. E é claro, foi por causa de suas deformações físicas que recebeu o apelido, o mesmo que posteriormente, eternizou-o como o maior escultor barroco do Continente Americano. Talvez ele não fosse hoje o mesmo Aleijadinho que conhecemos através de anjos e profetas, livre da dor. É bem provável que a doença e o sofrimento tenham esculpido o seu gênio criador.
CONSAGRAÇÃO
O artista morreu em 1814, em Ouro Preto e, permaneceu esquecido até o início do século seguinte, quando foi reconhecido como o mais importante artista brasileiro do século XVIII. Hoje, Aleijadinho é um nome significativo em todo o mundo e figura ao lado de artistas como Bellini, Michelângelo e Rodin.
A OBRA-PRIMA DE ALEIJADINHO, EM CONGONHAS DO CAMPO, NASCEU DE UMA PROMESSA...
Ao curar-se de uma doença, o minerador Feliciano Mendes ergueu um santuário a Bom Jesus de Matosinhos, contratando os maiores artistas mineiros. Entre 1796 e 1805, portanto durante nove anos, com as mãos deformadas, Aleijadinho esculpiu o maior conjunto de esculturas barrocas, o mais importante de sua vida, considerado um dos mais representativos do período colonial brasileiro.
O trabalho, todo em tamanho natural, reúne 66 figuras esculpidas em madeira de cedro e 12 profetas feitos de pedra-sabão. As imagens de madeira ficam expostas nas 6 capelas dos Passos ou capelas da Via Crucis – que representam as cenas da Paixão – e "conduzem" ao topo de uma colina onde estão os profetas ao ar livre. Das figuras de madeira, destacam-se 7 Cristos, que Aleijadinho esculpiu em cada imagem um vigor especial ao sofrimento. Mas em todas elas, a estrutura física é a de um homem atlético.
OBRAS EM MARIANA
A Basílica de Nossa Senhora da Assunção ou Catedral da Sé (praça Cláudio Manoel) foi construída entre 1711 a 1760. Mais rica de Mariana, além de retábulos das 3 fases do barroco, possui um órgão alemão. O lavabo da sacristia é de Aleijadinho. Anexo à Igreja da Sé, localiza-se o Museu de Arte Sacra ou Museu Arquidiocesano. Antiga Casa Capitular – um casarão rococó do século XVIII, construído em 1770. O museu foi fundado em 1962, tendo como destaques: relicários e imagens de santos de Aleijadinho, fonte de pedra-sabão atribuída também a ele e a tela de Athayde: "Queda de Jesus".
A Igreja de São Francisco de Assis, construída entre 1762 a 1794, encontra-se pinturas de Athayde no teto da sacristia, além do túmulo do pintor. Há uma imagem de São Roque vinda da França. O medalhão da portada é atribuído a Aleijadinho.
OBRAS EM OURO PRETO
A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência, localizada no largo de Coimbra ou largo de São Francisco, construída entre 1771 e 1794, foi projeto e construção de Aleijadinho. Na porta há dois medalhões em pedra-sabão: um com a imagem de N. S. da Conceição e o outro com S. Francisco recebendo as cinco chagas de Cristo no monte Alverne. Todos os santos e imagens transmitem a aceitação do sofrimento através da imagem da paixão de Cristo e dos votos franciscanos. Também de Aleijadinho é o retábulo do altar-mor e o púlpito. No forro da nave, pintura tridimensional de Mestre Athayde, apresenta N. S. da Conceição cercada de anjos, todos com feições de mulatos. Tal igreja, abriga parte do acervo do Museu Aleijadinho, na sacristia e no Consistório; em frente há uma feira permanente de artesanato em pedra-sabão.
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição ou Matriz de Antônio Dias (praça Antônio Dias), substituiu a capela erguida em 1699 pelo bandeirante Antônio Dias – fundador de Vila Rica. Construída entre 1727 a 1760, com projeto e construção de Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, é a maior da cidade, rica em trabalhos barrocos. Abriga, na sacristia e na cripta, parte do acervo do Museu Aleijadinho como: mesa funerária de jacarandá e busto de pedra-sabão de S. Francisco de Paula. No altar de N. S. da Boa Morte está sepultado o Aleijadinho e, na mesma igreja, também encontra-se o túmulo de seu pai.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída entre 1766 a 1776, com projeto do pai de Aleijadinho, que morreu e foi substituído pelo filho. Além de modificar a obra, Aleijadinho fez o trabalho de pedra-sabão na portada, o lavabo da sacristia e as talhas dos altares de S. João Batista e N. S. da Piedade. A pintura do forro e o dourado do altar-mór são de Athayde. É a igreja mais central, onde se encontram as últimas obras de Aleijadinho e do mestre Athayde. Os azulejos de faiança portuguesa, do século XVIII, da capela-mor sobre N. S. do Carmo são os únicos em igrejas mineiras.
Para entender a história e uma das riquezas deste país, mais especificamente, a história de um famoso escultor chamado "Aleijadinho", voltei no tempo e comecei a estudar a época da Colonização no Brasil e a história do ouro, na região de Minas Gerais...
No processo de Colonização, se deu a ocupação, administração e exploração econômica do Brasil por Portugal entre os séculos XVI e XIX, do descobrimento em 1500 à independência em 1822...
Iniciada com a expedição de Martim Afonso de Souza em 1530, a ocupação das terras brasileiras foi lenta e dispersa. Logo depois, ele fundou a cidade de São Vicente em 1532, a primeira vila brasileira...
Neste mesmo ano, o rei português dom João III anuncia sua intenção de dividir a colônia em 15 amplas faixas de terra e entregá-las a nobres do reino, os capitães donatários, para povoá-las, explorá-las com recursos próprios e governá-las em nome da Coroa. Essas faixas estendem-se do litoral para o interior até a linha imaginária de Tordesilhas. Entre 1534 e 1536, o rei implanta 14 capitanias, concedidas a 12 donatários...
A base econômica da colonização é a produção extrativista, agrícola ou mineral sustentada no trabalho escravo e voltada essencialmente para o comércio com a própria metrópole. O culto religioso, a educação e o controle moral da população, além da catequese indígena, cabem à Igreja Católica e às suas ordens religiosas.
Capitanias hereditárias, foi a primeira estrutura de governo colonial, extremamente descentralizada, implantada pela metrópole para funcionar em todo o território brasileiro.
Porém, em sua maior parte, as capitanias brasileiras não conseguem desenvolver-se por falta de recursos ou por desinteresse de seus donatários. Permanecem limitadas à estreita faixa litorânea, onde se concentram a exploração do pau-brasil e a produção açucareira. No final do século XVI, apenas as capitanias de Pernambuco (de Duarte Coelho) e de São Vicente (de Martim Afonso de Souza) alcançam certa prosperidade com o cultivo da cana-de-açúcar...
Diante das dificuldades apresentadas pela maior parte das capitanias, que leva a Coroa portuguesa a instituir um governo mais centralizado e capaz de uma ação mais direta, é estabelecido em 1548 o Governo Geral. Este governo, pretende reforçar o apoio da Coroa aos donatários e colonos, principalmente no combate aos índios hostis, no desenvolvimento da agricultura e na defesa do território. Assim, o governador geral é o representante do poder real na colônia.
Contudo, os donatários e colonos, vêem a nomeação do governador geral como uma ingerência indevida em suas capitanias. O conflito entre o poder real e o local se dá em torno de questões como a escravização indígena, a cobrança dos tributos reais e o controle das operações militares.
O Governo Geral, foi a forma de governo que vigorou no país de 1548 até a chegada da família real ao Rio de Janeiro em 1808...
A estrutura político-administrativa da colônia é constituída pelas capitanias hereditárias e pelo governo geral, estando o governo local de vilas e cidades a cargo das câmaras municipais e, daí por diante se estende para o interior, estimulada pela pecuária, pela mineração e pela atividade missionária...
Cada vez mais enfraquecidas e progressivamente retomadas pela Coroa, as capitanias acabam extintas em 1759. Mas deixam sua marca na ocupação do território, sobretudo da faixa litorânea, e na formação política do país. Além de fixar o nome de muitos dos atuais estados brasileiros, as capitanias dão origem a uma estrutura de poder regional que ainda se mantém atuante...
O primeiro governador geral nomeado por dom João III é o português Tomé de Sousa. Em 1549, ele funda a cidade de São Salvador, na capitania da Bahia de Todos os Santos, para servir como sede do governo. Cria também os órgãos necessários à cobrança dos tributos, à aplicação da justiça e à organização militar. Com a intenção de atrair novos colonos, distribui sesmarias, terras incultas ou abandonadas, e consegue expandir a atividade açucareira e a criação de rebanhos.
Em 1553, Duarte da Costa substitui Tomé de Sousa, assim, torna-se o segundo governador geral do Brasil. Este, envolve-se nos conflitos entre donatários e jesuítas em torno da escravização indígena. Com isso termina por se incompatibilizar com as autoridades locais e é obrigado a retornar a Portugal em 1557.
José de Anchieta, jesuíta e escritor espanhol, nasce nas ilhas Canárias e estuda em Coimbra, Portugal. Entra para a Companhia de Jesus em 1551. Dois anos depois emigra para o Brasil na comitiva de Duarte da Costa, com o intuito de catequizar os índios...
Em 25 de janeiro de 1554, procurando um local para fundar um colégio jesuíta, (hoje, o que resta dele é o Pátio do Colégio, entre edifícios e viadutos de São Paulo), funda um colégio às margens dos rios Tamanduateí e Anhangabaú.
O sucessor, Mem de Sá, terceiro governador geral, resolve as disputas políticas, dedica-se à pacificação dos índios e combate os franceses no Rio de Janeiro. Com a ajuda dos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, neutraliza a aliança formada por índios tamoios e franceses e, com seu sobrinho Estácio de Sá, expulsa os invasores da Baía de Guanabara. Em 1565, Estácio de Sá funda no local a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Mem de Sá permanece no cargo até 1572, quando morre.
Seu eficiente desempenho contribui para firmar a posição do governo geral no conjunto da vida colonial. No entanto, a resistência dos donatários à ingerência dos funcionários reais nas capitanias e vilas permanece ao longo do tempo...
Buscando adequar-se a essa realidade, o governo geral oscila entre a centralização e a descentralização. Em 1572, o governo geral fica dividido entre Salvador e Rio de Janeiro. Volta a se unir em 1578, na Bahia, mas é novamente repartido em 1621: são formados o estado do Brasil, com sede em Salvador, e o estado do Maranhão, sediado em São Luís do Maranhão, com o objetivo de melhorar a defesa militar na Região Norte e estimular as atividades econômicas e o comércio regional com a metrópole.
Chamadas de "entradas", expedições de desbravamento no interior do Brasil na época da colônia, têm seu centro principal de irradiação no litoral nordestino, saindo da Bahia e de Pernambuco para o interior em missão geralmente oficial. Seus principais objetivos são o reconhecimento territorial, a captação de mão-de-obra indígena, a submissão ou eliminação de tribos hostis e a procura de metais preciosos.
Também combatem os grupos indígenas que ameaçam ou impedem o avanço da colonização, como os caetés, os potiguares, os cariris, os aimorés e os tupinambás. A atuação das entradas estende-se do Nordeste à Amazônia e ao Centro-Oeste, abrangendo ainda áreas próximas do Rio de Janeiro.
E não distante, as "bandeiras", em sua maioria, saem de São Vicente e de São Paulo para o Sul, Centro-Oeste e região mineira. São quase sempre expedições organizadas por paulistas e formadas por familiares, agregados, brancos pobres e muitos mamelucos que têm como objetivo atacar as missões jesuíticas e trazer índios cativos para ir em busca de minas de ouro e pedras preciosas.
Entre as principais bandeiras destacam-se as de Bartolomeu Bueno da Silva, mais conhecido como "Anhanguera" (apelido que significa "diabo velho" na língua tupi), Antônio Raposo Tavares, Fernão Dias Pais Leme, Antônio Dias de Oliveira e Domingos Jorge Velho.
Esta expansão territorial, oficiais ou particulares, as entradas e bandeiras têm importância fundamental para a expansão territorial e o desenvolvimento da economia colonial. São essas expedições que devassam a Amazônia e ali dão início ao extrativismo das "drogas do sertão" (ervas, resinas, condimentos e madeiras nobres).
Entram pelo rio São Francisco, abrindo caminho para o gado, chegam às serras mineiras e descobrem ouro e diamante. Os sertanistas também são usados no combate a escravos negros aquilombados e índios que se opõem à colonização branca.
Então, nas primeiras décadas do século XVII, os paulistas avançam pelo sertão em busca de escravos indígenas, minas de ouro e pedras preciosas. Para isso, caçavam os índios aldeados pelos jesuítas nas missões. E na última década desse século, os bandeirantes paulistas descobrem ouro na região de Minas Gerais...
Em pouco tempo a região enche-se de colonos portugueses e escravos africanos, levados pelas lavras de ouro e diamante. À medida que cresce a produção, aumentam a fiscalização por parte da Coroa e os conflitos pelo direito de exploração das minas...
Para ser mais exato, a corrida pelo filão do ouro, foi descoberto pelos bandeirantes paulistas em 16 de Julho de 1696, na região central de Minas Gerais, local onde está uma das áreas mais ricas do Brasil em recursos minerais, principalmente ferro, bauxita e ouro.
Hoje, maior estado da Região Sudeste, Minas Gerais tem paisagem rica em montanhas, grutas e vales. A principal atração turística, no entanto, é o patrimônio de arquitetura e arte colonial, o maior do Brasil.
As mais importantes cidades históricas de Minas Gerais são Ouro Preto (antiga Vila Rica, que foi fundada no dia 24 de junho de 1698, pelos bandeirantes chefiados por Antônio Dias de Oliveira), Mariana, Tiradentes, Sabará, Diamantina e São João del Rei, que prosperaram em função do ciclo do ouro no século XVIII.
Outra atração são as estâncias hidrominerais da região sul, como São Lourenço, Caxambu e Poços de Caldas... Grande também é a atração da culinária mineira, marcada por fartura de carnes, feijão-tropeiro, couve e farofa. Na sobremesa há numerosa variedade de doces de leite e compotas de frutas, acompanhadas com freqüência por um pedaço de queijo-de-minas...
Seguiram-se várias outras descobertas na mesma região, mas teve seu início numa região que foi batizada de Vila Rica, hoje Ouro Preto, nome, de fato, dado por causa duma fina camada de óxido de ferro, que tornava o metal mais escuro... A cidade de Ouro Preto, pelo seu valor histórico, arquitetura e riquezas, alcançou o título de Patrimônio da Humanidade, dado pela UNESCO em 1980.
Neste mesmo século, a mineração está no auge de sua capacidade produtiva e a sociedade mineira vive o esplendor do Barroco...
Com a descoberta do ouro, no século XVIII, Minas Gerais torna-se o principal centro econômico do país. Nessa época, o barroco brasileiro atinge seu apogeu com o trabalho de artistas mineiros. Influenciado pelo barroco português, o movimento assume características próprias no Brasil, dando início efetivo à arte nacional.
A principal produção, ligada à Igreja, onde predominam esculturas de materiais típicos nacionais, como madeira e pedra-sabão, Aleijadinho, é o grande expoente... As construções ostentam a riqueza colonial, com a utilização de ouro na decoração interior. Um exemplo é a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto...
Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência, foi construída entre 1771 e 1794. Com projeto e construção de Aleijadinho. Na porta há dois medalhões em pedra-sabão: um com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, o outro com a imagem de São Francisco recebendo as cinco chagas de Cristo no monte Alverne... Todos os santos e imagens transmitem a aceitação do sofrimento através da imagem da paixão de Cristo e dos votos franciscanos.
Também de Aleijadinho é o retábulo do altar-mor e o púlpito. No forro da nave, pintura tridimensional de Athayde apresenta N. S. do Conceição cercada de anjos, todos com feições de mulatos. Abriga em anexo, parte do acervo do Museu Aleijadinho, na sacristia e no Consistório. Na frente da igreja há uma feira permanente de artesanato em pedra-sabão...
Outros artistas importantes são o escultor carioca Mestre Valentim (1750-1813) e o pintor mineiro Manuel da Costa Athayde (1762?-1830). Na Bahia, destaca-se a decoração de algumas igrejas em Salvador, como a de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco. No Rio de Janeiro, um exemplo é o interior da Igreja do Mosteiro de São Bento.
Aleijadinho, escultor, entalhador e arquiteto mineiro (1730-1814), nasce em Vila Rica, filho de um mestre-de-obras português e de uma escrava. Seguindo os passos do pai, também entalhador, inicia-se na arte ainda criança.
Por volta dos 40 anos, suas pernas e mãos começam a se deformar em conseqüência da sífilis e passa a ter dificuldade nos movimentos. Ganha, então, o apelido de Aleijadinho. A limitação não o impede, porém, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais...
Entre 1796 e 1805, executa um conjunto de obras, o mais importante de sua vida, no santuário de Bom Jesus de Matozinhos, cidade de Congonhas do Campo. O trabalho, que reúne 66 imagens esculpidas em madeira e 12 profetas feitos de pedra-sabão, é considerado um dos mais representativos do período colonial brasileiro.
Morre em Ouro Preto e permanece esquecido até o início deste século, quando é reconhecido como o mais importante artista brasileiro do século XVIII...
Depois de ter estudado, a nossa história, verifiquei que Aleijadinho trabalhou em diversas igrejas de Ouro Preto e, sem antes ter conhecido esta cidade, resolvi aprontar a viagem...
Mais tarde, descobri que diversas são as atrações em Ouro Preto... Aqui há museus, chafarizes, oratórios, antigas minas de ouro, cachoeiras e maravilhosas vistas panorâmicas com suas igrejas ao fundo... E como não poderia faltar, também uma boa infra-estrutura com hóteis e excelentes restaurantes.
Todos os dias, ao nascer do sol, esta cidade é envolvida por uma inesquecível bruma matinal... E com o passar das horas, estando eu desbravando as ruas da cidade e encantado com as suas riquezas, não percebia que a bruma cedia o lugar para a sua arquitetura...
Tudo era tão passado e ao mesmo tempo, tudo era tão presente... As igrejas repletas de ornamentos... O silêncio envolvente de uma cidade que me parecia ter parado no tempo, tão distante da moderna cidade de qual eu procedia... O suor do corpo, produzido pelo caminhar em suas ladeiras, que fazia lembrar a sofridão dos escravos... Tudo era-me um bálsamo que consolava às vistas e os pensamentos...
Quisera eu poder abrumar esta cidade, fenômeno sem igual, que lhe caia tão bem...
VEJA A PÁGINA SOBRE OURO PRETO!
Não distante daqui, numa cidadezinha chamada Mariana, acredito ser o local onde foi a primeira vila, a primeira cidade e a primeira capital do ouro... Pois, descobri que neste lugar encontra-se a mais antiga mina de ouro do Brasil... Mariana fica a 12 quilômetros de Ouro Preto e algumas de suas curiosidades são:
Mina de Ouro "Passagem", data de 1719. É a primeira mina de ouro aberta a visitação no mundo. Na entrada, a imagem de Santa Bárbara protege os turistas de trovões e explosões. Tem 315 metros de extensão, descendo num trole à 120 metros de profundidade. O ar é fresco nos 30 quilômetros de túneis escavados na rocha. Desativada há dez anos, ela rendeu 35 toneladas de ouro aos portugueses e ingleses. Ainda se vêem veios de ouro nas colunas de pedra que sustentam salões de até 8 metros de altura. O túnel acaba num lago cristalino azul de 2 quilômetros de extensão, sua cor é derivada por causa da existência de sulfato de cobre.
Basílica de Nossa Senhora da Assunção ou Catedral da Sé, foi construída entre 1711 a 1760, a mais rica de Mariana, além de retábulos das 3 fases do barroco, possui um órgão alemão. O lavabo da sacristia é de Aleijadinho. A pintura do batismo de Jesus é de mestre Athayde, filho da cidade, maior pintor barroco mineiro. De sextas e domingos, a Sé revive o século XVIII, pois o som do barroco invade sua nave através dos 964 tubos (o maior com 2,4 metros) do órgão alemão Arp. Shnitger, famoso em todo o mundo. Fabricado em 1701 e doado em 1752 por dom João V, cruzou o oceano e viajou num lombo de burro até Mariana. O órgão é decorado com motivos chineses e esculturas de anjos...
Na praça Minas Gerais encontram-se duas igrejas e o pelourinho, local onde castigava-se os escravos. Uma coluna com dois braços de ferro que sustentam uma balança e uma espada, a justiça e a força; acima, está a coroa portuguesa. Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Convento das Carmelitas, construída entre 1784 a 1810, com características da terceira fase do barroco mineiro. Na fachada, um sol e uma lua de pedra-sabão indicam que os escravos trabalhavam dia e noite na obra; a pintura do forro tem perspectiva rococó. E a Igreja de São Francisco de Assis, construída entre 1762 a 1794. Aqui encontra-se pinturas de Athayde no teto da sacristia, além do túmulo do pintor. No altar há uma imagem de São Roque vinda da França, e o medalhão da portada é atribuído a Aleijadinho.
Bem, depois deste "banho" de cultura e de histórias, cheguei em Congonhas do Campo, cidade onde encontra-se a obra-prima de Antonio Francisco Lisboa. Fiquei completamente abismado com apenas um lance de vista... Eu, que já contemplei tantas obras no mundo, não acreditava em que estava vendo... E muito confortável foi-me saber que, de certa forma, era minha toda aquela riqueza...
VEJA A PÁGINA SOBRE CONGONHAS DO CAMPO!
Bem, continuando aquela velha história, onde tudo se inciou, após os choques com os emboabas (Guerra dos Emboabas), os bandeirantes, saem de Minas Gerais e vão para o Centro-Oeste, encontrando minas de ouro em Goiás e em Mato Grosso nas décadas de 1720 e 1730. Essa intensa atividade dos bandeirantes contribui para a expansão territorial da colônia.
Nas últimas décadas do século XVIII, a mineração entra em declínio provocado
pelo esgotamento dos veios e pela pesada tributação. Também desestimula o trabalho
a pesada tributação dos quintos, que correspondem a um quinto da produção.
Desde 1740, essa cota está fixada em 100 arrobas (1.500 kg) de ouro anuais,
qualquer que seja a produção efetiva.
Para a elite de mineradores, fazendeiros, comerciantes, contratadores (arrecadadores de impostos), padres e intelectuais, o empobrecimento das vilas é resultado da dominação portuguesa, da opressão fiscal e da corrupção das autoridades. A sociedade mineira reage contrabandeando diamante e ouro e promovendo amotinações e conspirações para justificar o atraso no pagamento dos quintos. A metrópole aumenta a vigilância nos caminhos e a fiscalização na arrecadação e ameaça fazer uma nova derrama, a cobrança forçada dos impostos atrasados.
Em 1789, a capitania deve à Coroa perto de 400 arrobas de ouro em quintos atrasados. Esse excesso de imposto alimenta movimentos favoráveis à independência, como a Inconfidência Mineira.
Neste mesmo ano, o governador de Minas, visconde de Barbacena, anuncia a derrama para arrecadar 596 arrobas (8.940 kg) de ouro. Esse anúncio revolta um grupo de conspiradores que se reunia clandestinamente em Vila Rica para discutir o futuro do Brasil. Entre eles estão intelectuais, advogados e poetas, como José Álvares Maciel, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa, os padres Luís Vieira, Rolim e Toledo, o tenente-coronel dos Dragões Francisco de Paula Freire de Andrade e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Também participam dos encontros os contratadores portugueses Joaquim Silvério dos Reis, Domingos de Abreu Vieira e João Rodrigues de Macedo. Baseados em teorias iluministas, idéias liberais e republicanas, eles defendem a independência da colônia. Além disso, pregam a adoção de moeda própria, a livre circulação de diamantes, a instalação de indústrias e a fundação de universidades.
A Inconfidência Mineira, foi uma revolta contra a dominação colonial ocorrida no final do século XVIII em Minas Gerais. Em sua maioria, os inconfidentes são membros da elite social e intelectual mineira. Mas quem se destaca no movimento é o alferes do Regimento dos Dragões das Minas Gerais. Chamado de Tiradentes por ter trabalhado como dentista antes de entrar para o quartel, ele torna-se conhecido como principal líder popular da luta pela independência.
O anúncio da derrama leva os conspiradores a acelerar os preparativos da revolta, dentro e fora da capitania. Mas o visconde de Barbacena sabe da conspiração pelos contratadores portugueses, que traem os companheiros em troca do perdão de suas dívidas fiscais. O governador de Minas suspende a cobrança geral e manda prender os conjurados. Quase todos são encontrados em Vila Rica. Tiradentes é preso no Rio de Janeiro, para onde são enviados os outros envolvidos no processo judicial.
A devassa arrasta-se até 1792. No início do ano são lidas as sentenças dos réus. Muitos são condenados à morte, mas têm a pena comutada por prisão ou degredo na África. Tiradentes, considerado por alguns historiadores um idealista ingênuo manipulado pela elite que comanda o movimento, é o único condenado à morte a não obter clemência. Diferentemente dos demais inconfidentes, ele é de origem pobre e tem pouca instrução. Esses fatores, acrescidos a seu empenho em defender os ideais do movimento durante o julgamento, transformam-no em alvo preferido das autoridades coloniais. A execução ocorre no Rio, em 21 de abril de 1792. Seu corpo é esquartejado e a cabeça, exposta no alto de um poste na praça central de Vila Rica.
Punindo severamente um homem do povo, o Estado português busca desencorajar qualquer outra rebelião contra o regime colonial. Ao tomar essa atitude, no entanto, ele fornece aos republicanos, na figura de Tiradentes, um mártir popular. Mais tarde, com a proclamação da República, o alferes torna-se o primeiro herói nacional...
Em fim, após a independência, Minas começa a recuperar-se graças à expansão cafeeira, sobretudo no sudoeste. A província, uma das mais populosas do país, participa ativamente da vida política do Império. Junto com Rio de Janeiro e São Paulo forma o núcleo do poder e a base de apoio do governo central contra as revoltas provinciais durante a Regência. E hoje, marcada pelo passado, faz-nos sentir vivos, com um sólido alicérce e ansiados por justiça e patriotismo...
Orgulho-me de que em meu país, exista um estado chamado Minas Gerais... Uma "terra" que tem muitas histórias para contar... Além de sua vida política, tem sua vida cultural e artística, pois, são muitos os políticos, presidentes, heróis, artistas, escultores, pintores, escritores e poetas que dela nasceram...
Última atualização: 24/09/2007. |