A antiga cidade de Zimbábue é a sede de uma desenvolvida civilização (Império de Monomotapa) que floresce no sudeste africano entre os séculos IX e XIII.
Portugueses traficantes de escravos adentram a região no século XVI. Tentam ocupá-la para unir os territórios lusitanos de Moçambique (vizinho de Zimbábue) e Angola.
Exploradores britânicos frustram o plano de Portugal. No século XIX, o britânico Cecil John Rhodes obtém concessão para a exploração mineral do território. Tropas do Reino Unido esmagam a resistência das tribos nativas mashona e matabele e em 1888 transformam a região em seu protetorado.
A Rodésia é entregue à administração da Companhia Britânica da África do Sul, fundada por Rhodes, que a controla até 1923, quando passa à tutela direta das autoridades britânicas.
A região é dividida em Rodésia do Norte e Rodésia do Sul (atual Zimbábue). Colonos brancos instalam-se na Rodésia do Sul, onde formam um governo autônomo que exclui a população negra.
Em 1953, as duas Rodésias e Niassalândia (atual Malauí) formam uma federação sob tutela britânica. Em 1961, a Rodésia do Sul adota uma Constituição que garante o domínio dos brancos, em termos semelhantes aos do apartheid sul-africano.
A federação é dissolvida em 1963. O Reino Unido concede independência da Rodésia do Norte (atual Zâmbia) e da Niassalândia (Malauí) em 1964, mas recusa-se a dá-la à Rodésia do Sul.
O conflito favorece a ascensão da Frente Rodesiana, partido racista branco. Seu líder, Ian Smith, torna-se primeiro-ministro e proclama a independência da Rodésia em 1965. A iniciativa não é aceita pelo Reino Unido...
O nome Rodésia deriva do nome do britânico Rhodes. A antiga colônia passou a designar-se simplesmente Rodésia após a independência dos outros dois países e da declaração unilateral de independência pela minoria branca.
A ONU condena o governo racista de Smith e lhe impõe sanções econômicas em 1968. O regime rodesiano recebe o apoio da África do Sul e de Moçambique, na época sob domínio português.
Nos anos 70, movimentos guerrilheiros aumentam a pressão sobre o governo. Apesar disso, a Rodésia obtém um dos mais elevados padrões de vida do continente.
Em 1978 é assinado o Acordo de Lancaster House. Ele marca o início da transição pacífica para um governo democrático, com direito a voto para todos os habitantes. Também garante à minoria branca o direito de propriedade e o de cidadania.
Mas é rejeitado pela Frente Patriótica (PF), organização guerrilheira que une a União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu), de Robert Mugabe, e a União Africana do Povo do Zimbábue (Zapu), de Joshua Nkomo.
Eleições são realizadas em abril de 1979 com a vitória do Congresso Nacional da África Unida, do bispo Abel Muzorewa. Ele se torna primeiro-ministro do Zimbábue-Rodésia, nome com o qual o país passa a se intitular.
Mas o resultado é contestado pela PF. Em dezembro, o Parlamento eleito se dissolve. Muzorewa renuncia e o país volta a ser colônia britânica.
É estabelecido um período de transição para a independência, com base em uma Constituição democrática. A PF endossa o Acordo de Lancaster House.
As eleições realizam-se em fevereiro de 1980, dando maioria à Zanu, de Robert Mugabe que, assume o cargo de primeiro-ministro. A independência é proclamada em abril e o país é admitido na ONU.
Nkomo passa para a oposição. Guerrilheiros ligados a seu partido atacam o governo de Mugabe, com o apoio da África do Sul. As eleições de 1985 ampliam a maioria da Zanu no Parlamento.
Em 1987, a Constituição é emendada, eliminando as vagas reservadas aos brancos no Parlamento. Naquele ano, Mugabe e Nkomo decidem fundir a Zanu e a Zapu em um mesmo partido, que adquire o controle político de Zimbábue. Em 1988, Mugabe amplia seu poder e acumula os cargos de presidente e primeiro-ministro.
A oposição rearticula-se em 1990, quando o Movimento pela Unidade de Zimbábue (ZUM), formado por dissidentes da Zanu, estabelece uma coligação com a Aliança Conservadora, do ex-primeiro-ministro Ian Smith, apoiados pela elite branca.
Mugabe é reeleito em 1990 e a Zanu-Zapu mantém folgada maioria parlamentar. Fortalecido, Mugabe desapropria terras de fazendeiros brancos e os indeniza em moeda local, violando o Acordo de Lancaster House.
Em 1991, Mugabe muda sua política e adota o plano de ajuste econômico exigido pelo FMI, com privatização de estatais, liberalização de preços e estímulo a investimentos estrangeiros. A aplicação do plano provoca vários protestos em 1992. O conflito com os fazendeiros de origem européia ressurge em 1993.
Mugabe ameaça deportar os brancos que resistam à distribuição de suas terras aos negros, prevista pela Lei da Reforma Agrária de 1992. Em maio de 1994, denúncias de que membros do governo haviam adquirido terras destinadas à reforma agrária levam à suspensão do plano.
Em novembro, os fazendeiros que entraram na justiça contra a desapropriação perdem a causa. A reforma agrária continua em 1995, apesar da falta de financiamento para os novos proprietários. A dívida do setor público, maior que o PIB, e a inflação de 22% ao ano criam insatisfação popular.
Em 1995, a coligação Zanu-Zapu obtém 118 das 120 cadeiras do Parlamento. Em março de 1996, Mugabe é reeleito presidente. Em junho ameaça não indenizar os fazendeiros brancos, caso o Reino Unido não forneça empréstimo para pagá-los. O governo britânico oferece US$ 47 milhões e propõe uma conferência para discutir o assunto. Mugabe rejeita.
Na metade do ano, cerca de 65 mil famílias negras haviam sido beneficiadas com a reforma agrária. Em agosto, uma greve dos funcionários públicos por aumento salarial deixa o país paralisado. O governo a considera ilegal, demite os grevistas, mas recua e concede aumento de 20% - parte de uma elevação de 60%, a ser implementada em três anos.
Em junho de 1997, Harare recebe uma cúpula de chefes de Estado que cria a Comunidade Econômica Africana, área de livre comércio abrangendo grande parte do continente. Em julho, o Zimbábue, com Namíbia e Botsuana, consegue derrubar parcialmente a proibição do comércio de marfim na África, em vigor desde 1990 para evitar a extinção dos elefantes...
Resumo Histórico
– Sinais de uma cultura paleolítica datando de 500.000 anos antes de Cristo foram descobertos na Rodésia e há indícios de que os bosquímanos do deserto do Kalahari são seus descendentes.
– A partir do século V começaram a chegar os primeiros grupos bantos que se misturaram com os bosquímanos ou os deslocaram. As migrações se prolongaram até o século XI.
– Os primeiros europeus a chegarem foram os exploradores portuqueses - traficantes de escravos - que adentram a região no século XVI. Tentam ocupá-la para unir os territórios lusitanos de Moçambique (vizinho) e Angola. Entretanto, exploradores britânicos frustram o plano de Portugal.
– Em 1889/97, o britânico Cecil Rhodes obtém concessão para a exploração mineral do território. A Rodésia é entregue à administração da Companhia Britânica da África do Sul, fundada por Rhodes, adquiriu o autogoverno dentro da Comunidade Britânica por não querer se anexar a União Sul-Africana. A Companhia Britânica da África do Sul é controla até 1923, quando passa à tutela direta das autoridades britânicas.
– Foi dividida em Northern e Southern Rhodesia em 1911. Uma parte (acima do Rio Zambezi) virou o Protetorado da Rodésia do Norte (abaixo de Angola), e a parte sul (que ia até o lado leste e fazia fronteira com Moçambique) passou a ser Rodésia do Sul que depois, no início da 2 Guerra (1940), foi incorporada a África do Sul.
– Em 1953, a Inglaterra estabeleceu a Federação da Rodésia e Niassalândia, dominada pelos colonos europeus da Rodésia, unindo as duas Rodésias a do Norte, a do Sul e Niassalândia (atual Malauí), formando uma federação sob tutela britânica.
– Em 1964, a Federação foi dissolvida e a Inglaterra concedeu a independência aos dois territórios do norte, mas negou-se a Rodésia (sem o apêndice "do Sul", retirado pelo governo rodesiano após a dissolução), pois a minoria branca se negou a transmitir o poder à maioria negra.
– Em 11/11/1965 há a separação do Império Britânico, numa independência proclamada unilateralmente por Ian Smith, então primeiro-ministro. Homem mais poderoso da antiga Rodésia do Sul, se negou a transferir o poder à maioria negra, rebelando-se contra a determinação do Império Britânico.
– Na verdade, premido pelas sanções econômicas britânicas e outras mais recomendadas pelo próprio Conselho de Segurança da ONU (com a abstenção de Portugal e África do Sul), o governo rodesiano lançou as bases de uma campanha de diversificação de culturas, racionalização da indústria e acelerou a produção de minérios.
– Os resultados foram de tal maneira eficientes que, cinco anos mais tarde (1970), ninguém duvidava do sucesso dos empreendimentos. Por outro lado, entretanto, a frustração da maioria negra, em ver negada sua independência, intensificou maciçamente os movimentos de guerrilhas, daí para frente sempre mais eficientes, mais atuantes e muito mais coordenados. Assim Smith, que resistira altaneiramente às pressões externas, teve que ceder aos movimentos internos.
– Em 1974 um acordo entre o governo de Ian Smith e líderes dos movimentos nacionalistas estabeleceu o fim da luta no norte da Rodésia, dando aos negros perspectivas de melhores dias...
– Mas só em março de 1978 as guerrilhas realmente diminuíram, com a criação do Conselho Executivo da Rodésia, em face de acordo entre Smith e líderes negros moderados. O Conselho de Segurança da ONU vetou o acordo por dele não terem participado os dirigentes guerrilheiros.
– Em 1979 um plebiscito aprovou o texto de uma nova Constituição e foram realizadas eleições para formação de um Parlamento: Abel Muzoreva foi indicado primeiro-ministro e Jazia Gumene foi elito presidente da República (28-05-79).
Embaixada do Brasil:
Old Mutual Centre, 9 th Floor
CNR Third Street and Jason Moyo Avenue
P.O. Box 2530 – Harare – Zimbábue
Outras emissões:
SOUTHHERN RHODESIA
1932 – Scott: 31/32 Vitória Falls. NT
1940 – Scott: 56/63 50th aniversário da fundação de Southern Rhodesia por Cecil
John Rhodes. NT
1953 – Scott: 74/79 Centenário de Rhodes.
RHODESIA
Conferir no tema David Livingstone: Rhodesia 299.
Conferir no tema David Livingstone: Rhodesia and Nyasaland 157.
Conferir: Rodésia 1978 - Michel nº. 214 da série 206/220.
O FDC abaixo que não sei o ano de emissão da série: pássaros e animais (parece que são 10 selos). Não há girafa na série, apenas no FDC. NT
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Última atualização: 17/06/2008. |