Fundada por Alexandre Magno – o Grande, em 332 antes de Cristo, um dia a cidade foi a capital do Egito e recentemente descobriu mais uma de suas antigas histórias...
Texto de Sérgio Sakall
Quase todas as pessoas já ouviram falar sobre as dinastias do Antigo Egito... Especificamente na Dinastia dos Ptolomeus (abaixo), o Egito foi dominado pelos gregos. Isso ocorreu entre 332 a 32 antes de Cristo, época em que a cidade de Alexandria reinava absoluta. Alexandria (em árabe Al-Iskandariya) manteve o nome até hoje...
A Biblioteca de Alexandria foi fundada em 306 antes de Cristo, por Ptolomeu I, sucessor de Alexandre, e continha cerca de 700 mil itens. Os responsáveis pela Biblioteca tinham autorização para comprar todos os pergaminhos existentes da época.
Dizem que todos os navios que aportavam na cidade tinham seus pergaminhos confiscados e aos donos eram devolvidas cópias feitas pelos especialistas... Essas e outras façanhas contribuíram para fazer de Alexandria o mais famoso centro do saber da humanidade. Para lá foram estudiosos e pensadores como Arquimedes e Euclides.
Durante 700 anos, o país, cenário de uma das civilizações mais importantes da antigüidade, foi sucessivamente invadido. Lentamente helenizou-se, romanizou-se e foi governado por uma série de dinastias estrangeiras. Por fim, os árabes, que chegaram ao delta do Nilo, no século VII depois de Cristo, onde introduziram o islamismo.
Hoje, o turismo é uma importante fonte de renda para o país, da mesma forma que o pedágio cobrado pela passagem de navios no Canal de Suez. Seu nome é República Árabe do Egito. A língua oficial é o árabe, mas fala-se também berbere, núbio, inglês e francês.
Sua hora local em relação a Brasília é de + 5 horas. Atualmente sua capital é o Cairo, mas outrora a Alexandria ostentou este título, sendo considerada por séculos também a capital cultural do mundo!
Território francês entre 1830 a 1930, a cidade está no delta do Nilo e às margens do Mediterrâneo. É a segunda maior cidade do Egito, com mais de 3 milhões de habitantes e com um dos maiores portos do Mediterrâneo. Fundada por Alexandre, essa cidade teve papel eminente no último período da Antigüidade egípcia.
Capital do reino, era uma cidade com numerosa população grega e judaica. Tornou-se um grande centro comercial e intelectual da antigüidade. Tinha uma impressionante infra-estrutura administrativa, financeira e comercial.
Entrou em decadência durante o século I antes de Cristo, quando Roma começou a intervir nos assuntos egípcios. A última governante ptolomaica foi Cleópatra que reinou graças ao apoio de seus dois amantes, primeiro de Julius Caesar e depois de Marcus Antonius.
Na antigüidade existiam sete grandes estruturas consideradas as Maravilhas do Mundo. Tal classificação foi alterada muitas vezes e a que prevalece até hoje, data do século VI depois de Cristo. O Farol de Alexandria era uma delas.
Construído em 280 antes de Cristo, todo em mármore branco, por Ptolomeu II, na ilha de Pharos – da qual derivou o nome Farol. Esta estrutura media 134 metros de altura. Abaixo, selo emitido em 1995 que mostra o Farol de Alexandria (faróis).
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LUGARES DE INTERESSE EM ALEXANDRIA
Histórias e histórias são o que os turistas aprendem em qualquer parte daquelas terras... O Forte Qait Bay, construído no século XV, foi durante muito tempo considerado uma das sete maravilhas do mundo faraônico antigo; hoje, é um museu da vida marinha.
Abaixo, selo postal emitido em 09/07/2007 para marcar o Congresso Postal EUROMED (Euro Mediterranean Postal Congress), ocorrido em Marseille, na França... O selo com valor facial de 150 piastras mostra o forte Qait Bey Castle e o Pilar de Pompéia (Pompey's Pillar) – um grande pilar de granito cor de rosa, encontra-se nas ruínas do templo de Serapiun... Tal pilar foi dedicado em 297 d.C. ao imperador Diocletian, por sua vitória sobre o cristão Aquiles que havia requerido o título de imperador...
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Palace Montaza: Antigo palácio do ex-rei Farouk.
O Museu Greco-Romano, fundado em 1891 pelo arqueologista italiano Botti, possui mais de 40 mil relíquias valiosas.
O Anfiteatro Romano é uma ruína com 20 terraços em forma de semicírculos, que foi descoberto por arqueólogos, em 1964, localiza-se no distrito de Kom El Dekka.
Mosque Abu El Abbas El-Norsi: É uma das relíquias islâmicas da cidade. Fica no distrito de Al Anfushy.
Mais recente, em 18 de dezembro passado, jornais noticiaram que fortes terremotos podem ter sido responsáveis pelo desaparecimento de duas cidades do Egito antigo: Menouthis e Herakleion, cujas ruínas, muito bem preservadas, foram encontradas no leito do Mar Mediterrâneo alguns meses atrás. Acredita-se que tais cidades foram submersas há mais de 1.000 anos, sugerindo que a Alexandria de hoje, pode estar sob risco, por encontrar-se sobre uma falha geológica sísmica.
Outra história mais recente ainda, 28 de março deste ano, surpreende-nos com o que os representantes da Nauticos Corporation (companhia de exploração oceânica dos EUA) disseram ter encontrado enquanto procuravam um submarino israelense, desaparecido 30 anos atrás. Em lugar disso, encontraram uma embarcação grega que, segundo arqueólogos, tem mais de 2.000 anos e está numa região conhecida como Planície Abissal de Heródoto. Provavelmente, tal embarcação percorria o Mediterrâneo na época entre os reinados de Alexandre – o Grande, e Cleópatra, pois os arqueólogos estimaram que o navio afundou entre 200 e 300 a.C.
Bem, depois de todas essas histórias, vista-se como os árabes: com a tradicional galabeia (uma espécie de túnica ampla) e perca-se em Alexandria que está muito mais próximo, no tempo, do que se imagina...
Fique por dentro:
· Tome cuidado com o que vestir, pois os shorts, por exemplo, são aceitos nas
visitas arqueológicas, mas nem tanto nas cidades. Evite também camisetas cavadas.
· Tome muito cuidado com o sol, use protetor e não se esqueça do boné ou chapéu.
· A moeda é a libra egípcia. Todas as notas são escritas em inglês de um lado
e em árabe do outro. É extremamente difícil trocar dinheiro com cartões de crédito,
exceto em grandes hotéis e nos estabelecimentos bancários.
· O ônibus do Cairo para a Alexandria parte da estação Midan at-Tahrir a cada
30 minutos. O preço é de 25 libras egípcias e o tempo da viagem é de 3 horas.
Pode-se ir também de trem, taxi ou de avião. A Egyptair opera entre o Cairo/Alexandria
com vários vôos diários, exceto nas terças-feiras. Apesar desse transporte ser
o mais caro é o melhor meio de locomoção. O preço é de 124 libras egípcias e
o tempo da viagem é de 30 minutos.
Dicas do autor: É necessário obter visto para entrar no país, assim como vacinação contra febre amarela. Consulado Geral do Egito, Rua Muniz Barreto, 741 – Botafogo – Rio de Janeiro (RJ) – CEP: 22251-090.
O cartão-postal mostra a Mesquita de Sidi Gaber, em Alexandria.
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Família Macedônica que reinou no Egito durante o período Helênico, da morte de Alexandre, em 323 antes de Cristo, até o Egito transformar-se em Província Romana, em 30 antes de Cristo. O nome correto seria Dinastia Lágida.
A dinastia foi fundada pelo general de Alexandre, Ptolomeu I, que se estabeleceu como governante independente em 305 antes de Cristo, adotando o nome de Ptolomeu I Soter. O reino prosperou sob sua gestão e as de seus sucessores, Ptolomeu II (Filadelfo) e Ptolomeu III , que competiu com outra dinastia macedônica, os Selêucidas da Síria, pela supremacia no Mediterrâneo oriental.
A capital do reino, Alexandria, cidade cosmopolita com numerosa população grega e judaica, tornou-se um grande centro comercial e intelectual da Antigüidade. Os lágidas criaram uma impressionante infra-estrutura administrativa, financeira e comercial. Entraram em decadência durante os séculos II e I antes de Cristo, quando Roma começou a intervir nos assuntos egípcios. A última governante ptolomaica foi Cleópatra VII.
REINADOS DOS PTOLOMEUS
AE26 de bronze (17,1 gr.), de Ptolomeu V – Epiphanes
(205-180) Cunhado em 205/180 antes de Cristo, em Alexandria, no Egito |
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Anverso: Busto de Isis ou Cleópatra I, à direita,
com longos cachos Reverso: Águia Imperial, à esquerda, de asas abertas sobre raios Inscrição: BASILEWS PTOLEMAIOU |
Ptolomeu XII foi pai de Cleópatra VII, a qual foi amante de Julius Caesar e Marcus Antonius. A moeda abaixo, juntamente de outras, foi encontrada próxima da Costa de Haifa, em Israel.
Tetradrachma de prata (12,96 gr.), de Ptolomeu XII
– N. Dionysos (80-51) Cunhada em 61 antes de Cristo, em Alexandria, no Egito |
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Anverso: Busto de Ptolomeu I, à direita Reverso: Águia Imperial, à esquerda, de asas fechadas sobre raios Inscrição: BASILEWS PTOLEMAIOU LKA PA |
Athanaeus (fl. c. 200 CE)
O Grande Espetáculo e a Procissão de Ptolemy II Philadelphus, 285 BCE
Quando Ptolomeu II Philadelphus tornou-se rei do Egito (285 a.C.), ele celebrou sua ascenção com uma magnífica procissão e um festival, em Alexandria. O que segue abaixo é somente uma parte da descrição do elaborado espetáculo... A mera discrição de toda essa pompa, poder e luxúria converge à idéia da Dinastia dos Ptolomeus, o esplendor e toda riqueza da corte deles e os recursos de seus reinados...
História, Livro V, Capítulo 25 (– Bk. V. cap. XXXII.)
Primeiro, eu irei descrever a tenda preparada dentro da velha cidade amuralhada - uma parte do lugar designado para receber os soldados, artesãos e estrangeiros. Era maravilhoso e enorme, podendo acomodar 130 mesas (para banquetes) arrumadas em círculo. O teto era sustentado por 50 pilares cúbicos de madeira, dos quais 4 foram arrumados para parecerem palmeiras. O interior era rodeado de cortinas vermelhas; no meio do espaço, foram suspensos estranhas peles de bestas, de cores e tamanhos variados. Do lado de fora dos pilares havia um pórtico (a céu aberto), o qual estava todo adornado e tinha uma cobertura em arco; essa parte era sombreada por árvores myrtle e louro, assim como outras vegetações.
Todo piso estava recoberto com todos os tipos de flôres; para o Egito, obrigado pelo clima agradável e pela gentileza das pessoas que cuidaram da jardinagem, produzidas abundantemente e o ano inteiro, essas flôres que eram escarsas em outras terras e só apareciam em estações epeciais. Rosas, lírios brancos e várias outras flôres nunca faltavam naquele país. Embora o grande entretenimento aconteceu no meio do inverno, havia um show de flôres que extasiavam os estrangeiros. Flôres que eram difíceis de serem econtradas em quantidade para se fazer um buquêt em qualquer outra cidade, aqui, eram abundantes para os convidados... todas essas flôres no grande piso da tenda, davam a aparência de um jardim divino.
Em volta da tenda foram colocados postes com animais esculpidos em mármore por artistas, cem em número; enquanto nos espaços entre os postes haviam pinturas de pintores Sicyonian. Alternadamente com esses, foram cuidadosamente selecionadas imagens de todo tipo, também tecidos bordados com ouro, alguns tendo retratos de reis do Egito e algumas histórias da mitologia. Acima deles foram colocadas espadas de ouro e prata, alternadamente. Ao longo seguem lugares e suportes dourados, pratos de prata, conjunto de chícaras etc, desponíveis para os convidados.
E agora vamos para o show e a exibição das procissões; que passaram pelo estádio da cidade. Primeiramente, aconteceu a procissão de Lúcifer (nome dado ao planeta Vênus) iniciando-se quando a primeira estrela apareceu. Depois vieram as procissões em honra a vários deuses. Na procissão de Dionísio, em primeiro lugar entrou Sileni para manter fora a multidão. Em seguida veio Satyrs, segurando lâmpadas feitas de madeira ivy. Depois vieram imagens de Victory, tendo asas de ouro e trazendo em suas mãos incensos incandescentes, adornados com folhas de árvore, ouro e túnicas bordadas com figuras de animais. Continuando, vieram garotos com túnicas púrpuras, trazendo fragâncias e mirra, também açafrão em pratos dourados. Depois 40 Satyrs coroados com guirlandas douradas; seus corpos estavam pintados, alguns com púrpura, outros com vermelhão e alguns com outras cores. Cada um deles usava uma coroa dourada, imitando folhas de videira e de ivy. Também vieram Philiscus, o Poeta, que era o mestre de Dionysus, e com ele todos os artesãos contratados para o serviço daquele deus; e ainda os Delphian como treinadores dos atletas, um como treinador dos jovens, outros para treinar os homens.
Seguiu-se uma enorme carruagem de 4 rodas transportada por 180 homens. Dentro dela havia uma imagem de Dionysus (10 cubits de altura). No final, havia um vasto número de empregados do palácio carregando vasos de ouro do rei; 24 carruagens carregadas por 4 elefantes cada; em seguida desfilou toda coleção real de animais: 20 carruagens carregadas por antílopes, 15 por búfalos, 8 por pares de avestruzes, 8 por zebras; também por várias mulas, 14 leopardos, 16 panteras, 4 linces, camelos, 24 leões, 1 CAMELOPARDALIS e um rinoceronte etíope, além de outras criaturas estranhas...
E, por fim, começou a procissão das tropas (homens a cavalo e à pé), todos marcharam armados e em forma; haviam 57.600 da infantaria e 23.200 da cavalaria. O custo dessa grande ocasião foi de 2.239 “talents” e 50 “minae” (grosseiramente, por volta de 35 milhões de dólares, em 1998).
Fontes:
– Septuaginta: Versão dos Setenta – Primeira tradução dos escritos do Antigo Testamento hebraico para o grego, produzida em Alexandria, no século III a.C., a pedido de um dos reis macedônicos do Antigo Egito, Ptolomeu II Filadelfo. Durante o seu reinado, os judeus receberam privilégios políticos e religiosos totais. Também foi durante esse tempo que o Egito passou por um grande programa cultural e educacional, sob o patrocínio de Arsínoe, esposa e irmã de Ptolomeu II. Nesse programa inclui-se a fundação do Museu de Alexandria e a tradução das grandes obras para o grego.
A Septuaginta tomou esse nome pelo fato de ter sido realizada por 70 anciões, trazidos de Jerusalém exclusivamente para a tarefa. Foi rechaçada pelos judeus ortodoxos, numa atitude semelhante ao católicos da Idade Média, diante do reformador protestante Martim Lutero, que traduziu a Bíblia para o alemão, tornando-a acessível ao povo. A idéia era a mesma: Ampliar o conhecimento do Antigo Testamento para a língua grega, para atingir outros judeus alexandrinos, mas os radicais viram este trabalho como uma profanação. A Septuaginta incluía não apenas o cânon hebraico, mas também outras obras judaicas, em sua maior parte escritas nos séculos II e I a.C., em hebraico, aramaico e grego. Esses escritos, mais tarde, vieram a ser conhecidos como os Apócrifos, palavra grega que significa oculto ou ilegítimo. Os judeus consideravam esses livros como não inspirados. Os denominados Apócrifos são 15 livros judaicos, surgidos no período intertestamentário. São eles: 1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, Ester, Sabedoria de Salomão, Eclesiastes, Baruc, Epístola de Jeremias, Prece de Azarias e Cântico dos Três Jovens, Suzana, Bel e o Dragão, A Prece de Manassés, 1 e 2 Macabeus.
A Septuaginta serviu de fundo às traduções para o latim a para as outras línguas. Tornou-se também uma espécie de ponte religiosa colocada sobre o abismo existente entre os judeus (de língua hebraica) e os demais povos (de língua grega). O Antigo Testamento da LXX foi o texto utilizado em geral na primitiva igreja cristã.
Nota: Claudius Ptolemaeus – Astrônomo e matemático, viveu em Alexandria (100-170), desenhou a geografia do conhecimento do mundo – essencialmente o Império Romano, no século II. Ele sistematicamente listou as latitudes e longitudes de mais de 8.000 lugares da Europa, África e Ásia, e descreveu métodos de projeção para desenhar mapas. Seu trabalho representa o maior avanço na ciência de mapas. A respeito de seus erros, manteve sua autoridade por mais de 1.400 anos. Sobreviveu por séculos através de manuscritos copiados. Foi acrescentado e publicado em 1482, toda expansão geográfica conhecida.
Selos foram emitidos por Alexandria de 1899 a 1931. Os primeiros selos de Alexandria foram remarcados em selos franceses. O primeiro (lado esquerdo), emitido em 1899 (Scott: 1, SG: 1), com valor facial de 1 centime, remarcado em vermelho num selo francês. Do lado direito, selo obliterado no mesmo ano (1899 - Scott: 13), com valor facial de 1 franco, remarcado em preto. Parece que eles são da série Paz e Comércio...
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Abaixo, o primeiro grafado com o nome, data de 1902 (Scott: 16, SG: 19), com valor facial de 1 centime.
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Última atualização: 01/07/2008. |